Sofia Gonzalez

Jornalista diagnosticada com doença celíaca. Conteúdo sobre restrições alimentares, impacto social e saúde.


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Seu filho é celíaco? Livro gratuito ajuda na escola

Obra reúne orientações sobre alimentação segura, contaminação cruzada e acolhimento de estudantes com doença celíaca; material pode ser acessado gratuitamente

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Imagem: divulgação
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Para uma criança com doença celíaca, ir à escola envolve desafios que vão muito além de levar um lanche diferente na mochila. A alimentação precisa ser rigorosamente livre de glúten, e a rotina escolar também exige atenção para situações como festas de aniversário, atividades de culinária, troca de alimentos, possíveis contatos com ingredientes contaminados e até alerta sobre a massinha de modelar.

É para ajudar famílias e profissionais da educação a lidar com essas situações que foi lançado o livro “Educação Celíaca: acolhimento, inclusão e atendimento das necessidades alimentares especiais nas escolas”, organizado pela pedagoga e pesquisadora Flavia Anastacio de Paula.

Publicado em 2026, o livro reúne 134 páginas e seis textos produzidos ao longo de 15 anos, além de documentos oficiais e discussões sobre alimentação escolar, inclusão e políticas públicas.

Orientações para a rotina escolar

Um dos textos reunidos na obra é “Crianças celíacas indo para a escola: orientações a pais e cuidadores”, produzido originalmente em 2011. O material foi criado para ajudar familiares a conversar com a escola sobre a condição da criança e orientar a equipe sobre os cuidados necessários.

Entre as recomendações está a apresentação de uma prescrição médica que indique a dieta sem glúten, além da orientação detalhada dos professores e cuidadores sobre a gravidade da doença celíaca.

A autora também recomenda que a comunicação com a escola seja feita por escrito. A ideia é facilitar o acesso dos profissionais às informações e diminuir as dúvidas sobre os cuidados necessários durante o ano letivo.

O livro chama atenção ainda para situações que podem parecer banais, mas que precisam ser planejadas.

Em festas de aniversário, por exemplo, a sugestão é que a escola avise a família antecipadamente para que seja possível providenciar uma alternativa segura para a criança. O mesmo vale para atividades de culinária: em vez de excluir o aluno, as preparações podem ser adaptadas para que ele também participe.

Não é apenas a comida

A segurança da criança celíaca também envolve a rotina e o ambiente escolar.

O material discute situações relacionadas ao compartilhamento de alimentos e ao contato com materiais e superfícies. Também reforça a importância de orientar professores e alunos sobre hábitos de higiene e sobre a necessidade de evitar a troca de lanches.

Outro ponto destacado é que a inclusão não deve significar simplesmente colocar a responsabilidade sobre a família. O livro reúne discussões sobre a necessidade de articulação entre direção, professores, profissionais da alimentação, nutricionistas e demais funcionários da escola.

Segundo a obra, o desconhecimento sobre as necessidades alimentares especiais ainda é uma barreira para a inclusão. Por isso, a formação dos profissionais e a disseminação de informações são apontadas como estratégias importantes.

Alimentação escolar é um direito

A publicação também aborda a alimentação escolar a partir da perspectiva de direito.

O material destaca que as políticas de alimentação escolar devem considerar estudantes que necessitam de atenção específica. Entre eles estão aqueles com doença celíaca, alergias e outras necessidades alimentares especiais.

Para estudantes celíacos, o desafio não está apenas em oferecer um alimento que naturalmente não tenha glúten. Um alimento originalmente seguro pode se tornar inadequado caso entre em contato com glúten durante o armazenamento, preparo ou distribuição.

Por isso, a obra ressalta a necessidade de boas práticas e de formação dos profissionais responsáveis pela alimentação escolar.

A proposta, portanto, é tratar a alimentação segura como parte da inclusão e não como um favor prestado à criança.

“O atendimento às necessidades alimentares específicas não é um favor, nem uma demonstração de bondade, mas de garantia de direito e cumprimento de obrigação do Município”, destaca uma das discussões reunidas na obra.

Material reúne produção de 15 anos

A organizadora explica que o livro reúne uma trajetória de produção acadêmica sobre o tema. O primeiro texto, de 2011, nasceu justamente da necessidade de oferecer às famílias informações sobre como abordar a doença celíaca no momento da entrada da criança na escola.

Ao longo dos anos, o debate avançou e novas pesquisas, documentos e políticas públicas passaram a fazer parte dessa discussão.

A obra reúne textos de diferentes períodos e reconhece que algumas orientações mais antigas foram superadas por novos conhecimentos e mudanças nas políticas de atendimento.

A organizadora, Flavia Anastacio de Paula, é pedagoga pela UFMG, mestre e doutora em Educação pela Unicamp e especialista em Alimentos, Nutrição e Saúde no Espaço Escolar pela Unila. Atualmente, é professora associada da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), onde atua, entre outras áreas, com alimentação escolar e educação celíaca.

Onde acessar o livro gratuitamente

A obra pode ser uma fonte de consulta tanto para pais e responsáveis por crianças celíacas quanto para professores, gestores escolares, nutricionistas, profissionais responsáveis pela alimentação e demais integrantes da comunidade escolar.

Baixe aqui.

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