Sofia Gonzalez

Jornalista diagnosticada com doença celíaca. Conteúdo sobre restrições alimentares, impacto social e saúde.


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INTOLERANTE

Procon aciona iFood após queixas sobre restrições alimentares

Celíacos, alérgicos e intolerantes relatam dificuldades para encontrar informações claras sobre os produtos oferecidos na plataforma

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Pedir comida por aplicativo deveria ser simples, mas para quem convive com doença celíaca, alergia alimentar ou intolerâncias, a experiência nem sempre é tão fácil.

Embora plataformas de delivery ofereçam alguns filtros para restrições alimentares, consumidores e empreendedores do setor afirmam que ainda faltam informações claras sobre ingredientes, alergênicos e riscos de contaminação cruzada.

A discussão ganhou força após relatos de usuários que enfrentam dificuldades para identificar se um alimento anunciado como “sem glúten” ou “sem lactose” é realmente adequado para suas necessidades.

Nem sempre “sem lactose” significa sem leite

Uma empreendedora que comercializa alimentos voltados a pessoas com restrições alimentares relatou ao SCC10 uma situação que chamou sua atenção dentro da plataforma.

Ao cadastrar produtos sem lactose, ela percebeu que o sistema associava a categoria “sem lactose” a alimentos “sem leite”, embora os conceitos sejam diferentes.

Enquanto produtos sem lactose podem conter proteínas do leite, como a caseína, alimentos sem leite precisam excluir completamente esse ingrediente, condição necessária para quem é alérgico ao ingrediente.

Segundo ela, a falta dessa diferenciação pode gerar confusão justamente entre consumidores que dependem dessas informações para realizar escolhas seguras.

O desafio dos celíacos

No caso da doença celíaca, a preocupação vai além da presença de glúten na receita.

Mesmo um alimento preparado com ingredientes naturalmente sem glúten pode representar risco quando produzido em ambientes que manipulam trigo, cevada ou centeio. É a chamada contaminação cruzada.

Por isso, para muitos celíacos, a principal dúvida não é apenas saber se um prato é “sem glúten”, mas se ele foi preparado de forma segura.

Atualmente, não existe na plataforma uma certificação específica que indique se um estabelecimento adota protocolos para evitar contaminação cruzada e em empresas muito grandes, nem há como entrar em contato para perguntar.

Também não há um selo diferenciado para identificar produtos seguros para pessoas com doença celíaca.

O que diz o iFood

Em informações disponibilizadas ao Procon de Santa Catarina, o iFood informou que os usuários podem utilizar filtros para encontrar opções como “sem glúten”, “sem lactose”, “vegano” e “low carb”.

A empresa também destaca que é possível realizar buscas utilizando esses termos e aplicar filtros dentro dos próprios restaurantes.

No entanto, usuários ouvidos pela reportagem afirmam que as ferramentas ainda não resolvem completamente o problema, já que a classificação depende das informações fornecidas pelos estabelecimentos e não aborda questões como contaminação cruzada ou protocolos de segurança alimentar.

Além disso, alguns consumidores argumentam que os filtros aparecem dentro da categoria de alimentação saudável, o que pode transmitir uma ideia relacionada a estilo de vida ou dieta, e não necessariamente a uma necessidade médica.

Procon já acionou a plataforma

Procurado pela reportagem, o Procon informou que já oficiou o iFood para discutir a questão. Segundo o órgão, uma reunião foi proposta com a empresa e, neste momento, aguarda retorno da plataforma.

Entre os pontos em discussão estão a clareza das informações disponibilizadas aos consumidores e a forma como restrições alimentares são apresentadas dentro do aplicativo.

Direito à informação

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que os consumidores têm direito a informações claras e adequadas sobre produtos e serviços.

Principalmente para a doença celíaca, a informação correta é parte fundamental da segurança do consumidor. Isso porque uma escolha baseada em informações incompletas ou imprecisas pode resultar em sintomas, reações adversas ou contaminações acidentais.

Espaço aberto

O SCC10 entrou em contato com o iFood questionando:

  • se a empresa pretende criar filtros mais específicos para restrições alimentares;
  • se existe a possibilidade de implementação de selos voltados à doença celíaca e alergias alimentares;
  • quais mecanismos existem para validar as informações fornecidas pelos estabelecimentos.

A plataforma solicitou prazo adicional para responder. O espaço permanece aberto e esta reportagem será atualizada caso haja retorno.

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