Espécie invasora originária da América do Norte é monitorada pela Floram em Florianópolis
A espécie, originária da América do Norte, foi trazida ao Brasil em 1935 para a criação em ranários
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Uma ação conduzida pela Prefeitura de Florianópolis, por meio da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), está monitorando e mapeando uma espécie exótica invasora, a rã-touro (Aquarana catesbeiana), identificada pela primeira vez no município em 2025, com base em dados recebidos pela Ciência Cidadã.
O mapeamento da Floram acontece em apoio à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Rã-touro, espécie invasora vinda da América do Norte
A espécie, originária da América do Norte, foi trazida ao Brasil em 1935 para a criação em ranários – local onde se criam rãs – e o comércio de carne. Por conta da desativação desses locais, os animais acabaram sendo soltos ou fugindo para outros ambientes naturais em diferentes regiões do país.
A rã-touro possui uma dieta variada, desde peixes, anfíbios, répteis e mamíferos de pequeno porte, além de alta capacidade reprodutiva. Essa espécie foi associada à transmissão de patógenos como o fungo da quitridiomicose e o ranavírus, doenças que não afetam humanos, mas exclusivamente outros anfíbios e peixes.
Segundo o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, “o trabalho que estamos conduzindo em Ratones segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade”.
Primeiro registro da espécie em Florianópolis
A rã-touro foi registrada pela primeira vez em Florianópolis no mês de outubro de 2025, em uma uma casa do bairro Ratones. A partir de então, as instituições trabalham para avaliar a situação.
“No segundo semestre de 2025, foi identificada a ocorrência da rã-touro no município. A partir desse primeiro registro, realizamos o mapeamento das áreas de ocorrência e iniciamos ações de monitoramento e captura da espécie, atuando de forma preventiva para evitar sua dispersão e reduzir impactos sobre a fauna nativa”, disse a bióloga da Floram, Priscilla Tamioso.

Análises
Duas ações de campo, feitas até o momento, resultaram na captura de 11 espécimes, em 10 em novembro de 2025 e em 1º de março de 2026. A rã-touro foi localizada em três propriedades e conforme o relato dos moradores, ela pode estar há mais tempo no bairro.
Após a captura, os animais foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para serem analisados, o que inclui a testagem para ranavírus e quitridiomicose.
A espécie integra a Categoria 1 na Resolução CONSEMA nº 272/2025, que reúne a lista oficial de espécies da fauna exótica invasora em Santa Catarina, classificação que orienta o manejo da espécie no estado.
Mapeamento e monitoramento
A ação conduzida pela Floram, em parceria com a UFSC, busca incluir atividades de educação ambiental que envolvam escolas, moradores e comunidades no mapeamento participativo da espécie. Além disso, o objetivo também é incentivar a população a relatar locais de ocorrência ou onde o som característico da rã for ouvido, uma vocalização grave, semelhante ao mugir de um boi, que dá origem ao nome popular do animal.
De acordo com a educadora ambiental da Floram, Maria Aparecida Cabral de Sá: “Estamos executando este Plano de Ação justamente para dar uma resposta organizada à presença dessa espécie. Vamos focar em atividades de educação ambiental para incentivar a conscientização. Isso vai nos ajudar a mapear melhor as rãs e agir com precisão. Programamos também ações que demandam o apoio da população”.
Uma campanha de arrecadação de rolinhos de papel higiênico está em andamento para apoiar as atividades educativas. As doações podem ser entregues no Parque Ecológico do Córrego Grande.
Caso a rã-touro seja identificada, a orientação é não tocar nela e comunicar o avistamento à Floram/DEPUC, por meio do e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp (48) 3237-5660.
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