Médicos anunciam dois novos casos de remissão do HIV durante conferência no Rio
Pacientes permanecem há cerca de um ano sem sinais detectáveis do vírus
• Atualizado
Médicos anunciaram nesta segunda-feira (27) dois novos casos de remissão do HIV após tratamentos com transplante de células-tronco de doadores compatíveis. Os relatos foram apresentados durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.
Com os novos registros, chega a 13 o número de pacientes considerados curados ou em remissão prolongada após esse tipo de terapia experimental em todo o mundo. Apesar do avanço, pesquisadores destacam que ainda é cedo para confirmar os resultados, já que os pacientes estão há cerca de um ano sem usar medicamentos antirretrovirais.
Um dos casos é de um jovem de 21 anos, morador de Kansas City, nos Estados Unidos. Ele recebeu o diagnóstico de HIV em 2018, ao mesmo tempo em que foi identificado um quadro agressivo de leucemia.
O transplante de células-tronco foi realizado como parte do tratamento contra o câncer. Em alguns casos, quando há compatibilidade genética entre doador e receptor, as células transplantadas podem apresentar resistência à infecção pelo HIV.
Após o procedimento, o paciente interrompeu o uso dos antirretrovirais e permanece sem sinais detectáveis do vírus, segundo o relato apresentado na conferência. Ele continuará sendo acompanhado para verificar se a remissão será mantida ao longo dos próximos anos.
Apesar dos resultados, especialistas reforçam que o transplante de células-tronco não é um tratamento indicado para a maioria das pessoas que vivem com HIV. O procedimento é complexo, apresenta riscos importantes e costuma ser reservado para pacientes com doenças hematológicas, como leucemias, e não para tratar a infecção pelo vírus.
Por isso, os novos casos não representam uma cura disponível para a população nem substituem o tratamento convencional. A confirmação de uma remissão duradoura depende de acompanhamento médico prolongado, exames repetidos e avaliação independente dos resultados.
Atualmente, o tratamento padrão do HIV continua sendo feito com medicamentos antirretrovirais. Quando usados corretamente, eles reduzem a quantidade de vírus no sangue até níveis indetectáveis.
Nessa condição, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, conceito conhecido como “indetectável igual a intransmissível” (I=I). Além disso, o tratamento preserva o sistema imunológico e reduz o risco de evolução para a aids.
A Conferência Internacional de Aids acontece no Rio de Janeiro entre os dias 26 e 31 de julho de 2026 e reúne pesquisadores, profissionais de saúde e organizações que atuam na resposta global ao HIV.
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