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O SORRISO DA ESPERANÇA

Médico que fazia cirurgia de graça precisa cobrar R$ 1 após denúncias

O trabalho, que já beneficiou diversos pacientes, ganhou ainda mais visibilidade após o envolvimento no caso da Ariella

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Médico que fazia cirurgia de graça precisa cobrar R$ 1 após denúncias | Foto: reprodução / SCC SBT
Médico que fazia cirurgia de graça precisa cobrar R$ 1 após denúncias | Foto: reprodução / SCC SBT

A solidariedade que transforma vidas e devolve sorrisos está no centro de um projeto social que vem chamando atenção no Sul de Santa Catarina. A iniciativa, idealizada pelo cirurgião Raulino Brasil, oferece cirurgias faciais reparadoras para pessoas que não têm condições de pagar, mas, apesar do impacto positivo, acabou se tornando alvo de denúncias em conselhos profissionais.

O trabalho, que já beneficiou diversos pacientes, ganhou ainda mais visibilidade após o envolvimento no caso da Ariella, acompanhado nos últimos meses. Histórias como a dela mostram o tamanho da iniciativa, que busca devolver autoestima, funcionalidade e qualidade de vida por meio de procedimentos complexos.

Cirurgias gratuitas que mudam vidas

O projeto atende pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo cirurgias reparadoras, muitas vezes essenciais para corrigir deformidades, sequelas de acidentes ou condições congênitas.

Uma destas histórias é a Dona Rosa que, pela primeira vez, aos 74 anos, ela se olha no espelho e se reconhece com mais leveza. Desde a infância, ela convivia com um tumor no rosto, condição que marcou sua vida com dor, preconceito e baixa autoestima. Hoje, a história começa a ser reescrita graças ao projeto que tem transformado vidas por meio da solidariedade.

O projeto nasceu de uma promessa pessoal do médico e, desde então, já beneficiou centenas de pacientes com diferentes tipos de deformidades, sequelas e condições que afetam não apenas a saúde física, mas também o emocional.

De graça… até Projeto Leozinho virar alvo de denúncias

Apesar do impacto social, a iniciativa passou a enfrentar obstáculos. O Conselho Regional de Medicina e o Conselho Regional de Odontologia receberam denúncias pelo fato de os procedimentos serem realizados sem cobrança.

A situação gerou um impasse inesperado: como continuar ajudando sem ferir regras profissionais? A solução encontrada foi simbólica, passar a cobrar o valor de R$ 1 por cirurgia.

Pagamento com ovos e histórias que emocionam

Na prática, o valor simbólico é apenas um detalhe diante das histórias humanas. Dona Rosa, por exemplo, não pagou com dinheiro. Em um gesto simples e carregado de significado, levou uma caixa de ovos como forma de agradecimento.

O próprio Dr. Raulino brinca com a situação, reforçando que o mais importante nunca foi o valor financeiro, mas sim a oportunidade de transformar vidas.

O projeto não se limita aos procedimentos médicos. Pacientes e acompanhantes, muitos vindos de outros estados, recebem hospedagem e alimentação durante o tratamento.

É o caso da jovem Paula, de 16 anos, que está no local acompanhada da mãe, Gizélia. Assim como elas, dezenas de famílias encontram no projeto um ponto de apoio em momentos difíceis.

Histórias como as de Roseli, Alcione, Francisca e Juliana mostram que a iniciativa já ultrapassou fronteiras e se tornou referência de esperança para quem precisa. Ao todo, o Projeto Leozinho já realizou mais de 400 procedimentos, desde cirurgias mais simples até casos complexos que exigem múltiplas intervenções ao longo do tempo.

Segundo o cirurgião Raulino Brasil, o objetivo é aumentar ainda mais o alcance da iniciativa, levando o atendimento a mais pessoas, inclusive fora do estado.

Muito além da estética

O projeto atua diretamente na autoestima e na dignidade dos pacientes. Em todo atendimento, o que se vê é a reconstrução de histórias marcadas por dor, exclusão e sofrimento. Emocionado, o médico relembra sua própria trajetória e reforça o propósito de seguir ajudando quem precisa. Para ele, o trabalho vai além da medicina: é uma missão de vida.

No fim das contas, o valor simbólico de R$ 1 diz pouco sobre o que realmente está em jogo. O que o projeto entrega não pode ser medido em dinheiro: é a chance de recomeçar.

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