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Pedro Rizzo, às vezes um noob :) Apaixonado por tecnologia, café e as novas tendências da "cultura geek". A lógica é o princípio da sabedoria, não o fim.


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LUTO NO CINEMA

Sam Neill morre aos 78 anos: o eterno Dr. Alan Grant de Jurassic Park

Sam Neill, o ator que interpretou o Dr. Alan Grant em Jurassic Park, morreu nesta segunda-feira aos 78 anos em Sydney. Uma geração inteira perdeu hoje um pedaço da infância.

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Sam Neill morre aos 78 anos: o eterno Dr. Alan Grant de Jurassic Park | Foto: Divulgação
Sam Neill morre aos 78 anos: o eterno Dr. Alan Grant de Jurassic Park | Foto: Divulgação

Sam Neill morreu. E com ele, foi um pedaço da nossa infância.

Faz alguns meses que o Noob não aparece por aqui. Não seria essa a volta que eu planejava. Mas algumas notícias pedem que a gente pare tudo e escreva. E essa é uma delas.

Acordei hoje cedo, abri o celular como de costume, e levei um baita susto. Sam Neill morreu. 78 anos. Sydney, Austrália. A notícia veio de surpresa, mesmo pra quem sabia da batalha que ele travou contra o câncer nos últimos anos. Porque em abril, ele mesmo tinha anunciado que estava livre da doença. Estava bem. E mesmo assim, foi.

Fiquei um tempo olhando pra tela sem saber muito o que fazer com isso. Porque Sam Neill talvez não estivesse mais tanto nas telas nos últimos tempos. Mas ele estava em algum lugar muito mais importante: na memória afetiva de uma geração inteira.

O que a família confirmou

A família de Sam Neill comunicou o falecimento nas redes sociais do ator nesta segunda-feira, 13 de julho. No comunicado, usaram a palavra māori whānau, que significa família extensa, comunidade. Uma escolha bonita e reveladora sobre quem era esse homem.

“Sam estava rodeado pela família e faleceu com a dignidade que caracterizou toda a sua vida. A perda foi súbita e inesperada”, dizia o texto.

Em 2023, ele tinha revelado publicamente que estava com angioimmunoblastic T-cell lymphoma, um tipo raro e agressivo de linfoma. Passou pela quimioterapia, escreveu um livro inteiro durante o tratamento e, em abril deste ano, deu a boa notícia: estava curado. Livre do câncer. Tinha projetos pela frente, inclusive um papel no aguardado Godzilla x Kong: Supernova. A morte não teve relação com a doença. Foi uma daquelas que chegam sem avisar.

Aquela xícara de água que ainda treme na memória

Se você tem entre 25 e 45 anos, existe uma cena gravada fundo em algum lugar da sua cabeça: uma xícara de água tremendo em cima do painel de um jipe. O som de passos pesados se aproximando. A tensão crescendo. E então o T-Rex aparece.

Sam Neill era o Dr. Alan Grant naquela cena. Era ele tentando manter a calma enquanto o mundo desmoronava ao redor. E ele fazia isso de um jeito tão humano, tão real, que você acreditava em cada segundo daquilo.

Jurassic Park não foi só um filme. Foi uma experiência. Em 1993, Steven Spielberg abriu uma janela para um mundo impossível, e Sam Neill foi o guia que nos levou até lá. O Dr. Grant não era um herói de super-poderes. Era um cientista apaixonado, um cara comum numa situação completamente fora do comum. E era exatamente por isso que a gente se identificava. Era exatamente por isso que aquilo funcionava tão bem.

O filme arrecadou mais de 900 milhões de dólares em sua estreia e mudou o cinema para sempre. Sam Neill voltou como Dr. Grant em Jurassic Park III, em 2001, e de novo em Jurassic World Dominion, em 2022. Quase 30 anos depois, ainda era ele. Ainda era o Grant. E ele dizia com bom humor que o personagem era como “um velho par de botas confortável: já viveu dias melhores, mas são muito confortáveis e você não consegue se livrar deles”.

Uma carreira muito maior do que os dinossauros

Seria injusto lembrar de Sam Neill só pelo Jurassic Park, mesmo que esse papel seja o que mais carregamos no coração.

Ele esteve em O Piano, de Jane Campion, filme que ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Esteve em A Caçada ao Outubro Vermelho, ao lado de Sean Connery. Fez o vilão implacável Major Chester Campbell em Peaky Blinders, série que está disponível até hoje na Netflix. Chegou a aparecer como Odin em Thor: Love and Thunder. Foram mais de 50 anos de carreira, com papéis nos dois lados da moeda: herói e vilão, sério e divertido, cinema e TV.

E durante o tratamento do câncer, em vez de parar, escreveu. Lançou um livro de memórias chamado Did I Ever Tell You This?, escrito em poucos meses enquanto recebia quimioterapia. Quando perguntado numa entrevista se tinha medo de morrer, ele disse que não, mas que seria “muito irritante”. Esse era o Sam Neill.

O eco que fica

Existe uma geração inteira que aprendeu a se maravilhar com o impossível por causa de Jurassic Park. Que acreditou, por duas horas, que dinossauros eram reais. Que sentiu o coração acelerar quando o T-Rex rugiu pela primeira vez. Sam Neill foi parte essencial disso.

Ele não era só um ator cumprindo um papel. Era alguém que trazia peso, verdade e humanidade pra cada cena que aparecia. E que fez isso por mais de cinco décadas, sem precisar de barulho pra ser lembrado.

Jurassic Park tem 33 anos e ainda emociona. Ainda assusta. Ainda encanta. Isso tem muito a ver com ele.

Descanse, Dr. Grant. Os dinossauros ficam quietos hoje.

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