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defesa das mulheres

Violência digital contra mulheres sobe 188% no Ligue 180

Dados comparam cinco primeiros meses de 2025 e 2026; Ministério das Mulheres atualiza capacitação de atendentes que recebem denúncias

• Atualizado

SBT News

Por SBT News

Violência digital contra mulheres sobe 188% no Ligue 180 | Foto:  Pexels
Violência digital contra mulheres sobe 188% no Ligue 180 | Foto: Pexels

De janeiro a maio de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 16.725 ocorrências de violência contra mulheres cometidas no ambiente digital. O número representa um aumento de 188,6% em relação ao mesmo período do ano passado e também aponta para uma escalada no ambiente digital, que o coloca como um dos principais locais de ocorrência denunciados: antes na 7ª posição, ele já figura na 5ª colocação.

Entre os crimes registrados no ambiente digital há desde difamações e ameaças até perseguição/stalking, invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, uso de inteligência artificial para criação de deepfakes, descumprimento de medidas protetivas e estupro.

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o aumento de registros de violência digital demonstra a importância do combate à subnotificação de casos e a necessidade de divulgar informações sobre as formas de agressões possíveis de ocorrerem neste contexto. Além de lançar, nesta segunda, uma campanha de comunicação intitulada “O digital é nosso lugar”, o ministério tem atualizado os protocolos de atendimento do Ligue 180.

Desde o início de junho, atendentes da Central passam por treinamentos relacionados ao sistema de registro de atendimento e às orientações a serem feitas às potenciais vítimas que buscam o serviço. Dados da pasta das Mulheres mostram que somente 30% dos contatos feitos ao Ligue 180 resultam em denúncias. A maior parte dos atendimentos funcionam como forma de orientação e direcionamento às mulheres sobre as situações vividas.

“A primeira coisa que a gente tenta passar é: entre em contato. Muitas vezes, estas mulheres precisam entender que as ações feitas contra ela são violências. O que as nossas atendentes puderem fazer para ajudar estas mulheres elas vão fazer. A mulher precisa falar, quebrar esse silêncio e ela pode ter certeza que no 180 ela terá atendimento humanizado e acolhedor”, expõe a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa.

Dados de 2025 mostram que a maior parte das vítimas de violência digital são mulheres negras, 48%. Mulheres brancas aparecem na sequência com 34,2% das denúncias registradas. A maior parte das vítimas, 50,8%, pertence a faixa etária de 25 a 49 anos. Cerca de 46% delas estavam sem rendimento ou com renda de até um salário-mínimo no momento da denúncia.

Além de identificar o tipo de violência sofrida pela mulher que busca o serviço, atendentes também fornecem orientações sobre como coletar provas digitais, acionar plataformas digitais para remoção de conteúdos e canais a serem buscados para avanço do registro criminal.

Integração

Em conversa com jornalistas, a ministra Márcia Lopes Márcia a aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia — previsto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados nesta semana — como fortalecimento do combate a crimes digitais. “Esse é um dos projetos mais estratégicos e importantes. Criminalizar a misoginia abre para nós todos os espaços pra que a gente inclua nas nossas campanhas que misoginia é crime. Aprovar essa lei significa a gente também poder dialogar com todas as demais políticas públicas pra que elas insiram isso dentro de uma nova concepção e mudança de cultura”, argumenta.

Além disso, ela endossou a necessidade de fechamento de acordos de cooperação técnica com os estados brasileiros para que o Ligue 180 possa fornecer encaminhamento adequado e direcionado à realidade das mulheres que buscam apoio da central. Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rondônia, Amazonas, Espírito Santo e Goiás ainda não possuem integração com a Central de Atendimento.

“Havendo esta cooperação, além de podermos encaminharmos oa casos para a segurança pública, a gente também encaminha para as Secretarias ds Mulheres para que seja possível acessar atendimento psicossociais, serviços de autonomia econômica como cursos”, expôs Ellen Costa.

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