Família em SC pagará R$ 15,5 mil após denúncia de trabalho análogo à escravidão
Trabalhadora etíope foi resgatada após fugir da casa apenas com a roupa do corpo e um celular
• Atualizado
Uma família investigada por manter uma trabalhadora doméstica em condições análogas à escravidão em Florianópolis fechou um acordo e vai pagar cerca de R$ 15,5 mil à vítima. O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado nesta quinta-feira (21) com o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC).
O caso aconteceu em uma residência de alto padrão no bairro Rio Tavares. A trabalhadora, uma mulher etíope de 34 anos, foi resgatada no início de maio após conseguir fugir da casa durante a noite. Ela deixou o local apenas com as roupas do corpo e um celular.
No TAC, o casal reconheceu o vínculo de emprego doméstico no período de 13 de março a 8 de maio de 2026. Eles também assumiram obrigações como registro formal do contrato, pagamento de encargos sociais, férias, FGTS e demais direitos trabalhistas.
O acordo prevê o pagamento de R$ 10 mil por dano moral à trabalhadora, R$ 5 mil para custear o retorno ao país de origem e mais R$ 500 para despesas da viagem. Em caso de descumprimento, o TAC estabelece multa diária e penalidades por cada obrigação não cumprida.
Como foi o resgate
A trabalhadora foi encontrada em situação de vulnerabilidade após fugir da residência onde trabalhava. Sem documentos e sem falar português, ela percorreu ruas de Florianópolis até conseguir pedir ajuda com o uso de um aplicativo de tradução.
Segundo as autoridades, ela relatou jornadas de trabalho de até 15 horas por dia, de segunda a domingo, além de tarefas domésticas, cuidados com crianças e animais da família.
Também foram registradas denúncias de violência psicológica, verbal e moral, além da retenção de documentos, incluindo o passaporte, o que a impedia de sair livremente.
Investigação e acolhimento
A fiscalização informou que a trabalhadora teria sido contratada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e trazida ao Brasil sem visto regular de trabalho.
Após a fuga, ela foi acolhida por serviços públicos de segurança, saúde e assistência social em Florianópolis, com apoio de equipes especializadas e intérprete devido à barreira da língua.
As investigações também apontam que, mesmo depois de deixar a residência, a vítima teria recebido mensagens com ameaças e acusações feitas pelos empregadores.
O caso segue sob análise das autoridades, que também pediram apuração de possíveis crimes na esfera policial.
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