Ex-chefe da Receita Federal é suspeito de receber R$ 2 milhões para favorecer empresários em Itajaí
Operação da Polícia Federal apura suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento em processos alfandegários
• Atualizado
Um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí é suspeito de ter recebido ao menos R$ 2 milhões para favorecer empresários em processos alfandegários. A investigação levou a Polícia Federal a deflagrar, na manhã desta terça-feira (2), a Operação Benaia, que apura crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Além das buscas realizadas em Santa Catarina e São Paulo, a Justiça determinou o afastamento das funções públicas do principal investigado.
Ex-chefe da Receita Federal é suspeito de receber R$ 2 milhões para favorecer empresários em Itajaí
— SCC10 (@scc10oficial) June 2, 2026
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Segundo a Polícia Federal, o servidor ocupava um cargo de influência na Receita Federal em Itajaí e teria utilizado sua posição para beneficiar empresários em procedimentos relacionados à área aduaneira.
Como funcionaria o esquema
De acordo com as investigações, o suspeito teria recebido indevidamente pelo menos R$ 2 milhões para atuar em favor de empresários em processos alfandegários.
A Polícia Federal também apura a suspeita de que ele tenha tentado criar mecanismos logísticos a pedido dos investigados para facilitar interesses do grupo.
Com o avanço das apurações, os policiais identificaram indícios de que o investigado utilizava empresas registradas em nome de familiares para ocultar a origem dos valores recebidos e dar aparência de legalidade ao dinheiro.
Segundo a PF, a estratégia teria sido usada para dissimular patrimônio supostamente obtido por meio das práticas investigadas.
Operação cumpre 24 mandados
Ao todo, a Operação Benaia cumpre 24 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos.
As ordens judiciais são executadas nas seguintes cidades:
- Itajaí (SC): 3 mandados;
- Guarulhos (SP): 3 mandados;
- São Paulo (SP): 3 mandados;
- Santana de Parnaíba (SP): 2 mandados;
- Barueri (SP): 1 mandado;
- Paulínia (SP): 2 mandados;
- Valinhos (SP): 1 mandado;
- Hortolândia (SP): 1 mandado;
- Campinas (SP): 8 mandados.
A Justiça também autorizou que auditores da Receita Federal acompanhem parte das diligências realizadas durante a operação.
Por volta das 10h30 desta terça-feira, a Polícia Federal divulgou o balaço da operação até o momento:
- Foram apreendidos 15 relógios de luxo;
- Foram sequestrados 25 imóveis;
- Foram sequestrados aprox. 19 veículos;
- Foram apreendidos R$515 mil;
- Foram apreendidos até agora 10 notebooks e 4 HDs;
- Foram apreendidos 15 celulares (até o momento);
- Foram bloqueadas 65 contas bancárias de diversas instituições financeiras (valor ainda será reportado por meio do SISBAJUD);
- Foi encontrado registro de conta no exterior;
- Foram localizados contratos imobiliários de gaveta;
- Ainda estão sendo contabilizados os valores em moeda estrangeira apreendidos.
Investigações continuam
A Polícia Federal informou que a análise dos materiais apreendidos deve auxiliar na identificação de novos elementos de prova, além de apontar possíveis outros envolvidos e eventuais crimes ainda não descobertos.
O caso segue sob investigação e os fatos apurados serão encaminhados à Justiça Federal.
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