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CORRUPÇÃO

Ex-chefe da Receita Federal é suspeito de receber R$ 2 milhões para favorecer empresários em Itajaí

Operação da Polícia Federal apura suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento em processos alfandegários

• Atualizado

Olga Helena de Paula

Por Olga Helena de Paula

Ex-chefe da Receita Federal é suspeito de receber R$ 2 milhões para favorecer empresários em Itajaí | Foto: Polícia Federal
Ex-chefe da Receita Federal é suspeito de receber R$ 2 milhões para favorecer empresários em Itajaí | Foto: Polícia Federal

Um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí é suspeito de ter recebido ao menos R$ 2 milhões para favorecer empresários em processos alfandegários. A investigação levou a Polícia Federal a deflagrar, na manhã desta terça-feira (2), a Operação Benaia, que apura crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Além das buscas realizadas em Santa Catarina e São Paulo, a Justiça determinou o afastamento das funções públicas do principal investigado.

Segundo a Polícia Federal, o servidor ocupava um cargo de influência na Receita Federal em Itajaí e teria utilizado sua posição para beneficiar empresários em procedimentos relacionados à área aduaneira.

Como funcionaria o esquema

De acordo com as investigações, o suspeito teria recebido indevidamente pelo menos R$ 2 milhões para atuar em favor de empresários em processos alfandegários.

A Polícia Federal também apura a suspeita de que ele tenha tentado criar mecanismos logísticos a pedido dos investigados para facilitar interesses do grupo.

Com o avanço das apurações, os policiais identificaram indícios de que o investigado utilizava empresas registradas em nome de familiares para ocultar a origem dos valores recebidos e dar aparência de legalidade ao dinheiro.

Segundo a PF, a estratégia teria sido usada para dissimular patrimônio supostamente obtido por meio das práticas investigadas.

Operação cumpre 24 mandados

Ao todo, a Operação Benaia cumpre 24 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos.

As ordens judiciais são executadas nas seguintes cidades:

  • Itajaí (SC): 3 mandados;
  • Guarulhos (SP): 3 mandados;
  • São Paulo (SP): 3 mandados;
  • Santana de Parnaíba (SP): 2 mandados;
  • Barueri (SP): 1 mandado;
  • Paulínia (SP): 2 mandados;
  • Valinhos (SP): 1 mandado;
  • Hortolândia (SP): 1 mandado;
  • Campinas (SP): 8 mandados.

A Justiça também autorizou que auditores da Receita Federal acompanhem parte das diligências realizadas durante a operação.

Por volta das 10h30 desta terça-feira, a Polícia Federal divulgou o balaço da operação até o momento:

  • Foram apreendidos 15 relógios de luxo;
  • Foram sequestrados 25 imóveis;
  • Foram sequestrados aprox. 19 veículos;
  • Foram apreendidos R$515 mil;
  • Foram apreendidos até agora 10 notebooks e 4 HDs;
  • Foram apreendidos 15 celulares (até o momento);
  • Foram bloqueadas 65 contas bancárias de diversas instituições financeiras (valor ainda será reportado por meio do SISBAJUD);
  • Foi encontrado registro de conta no exterior;
  • Foram localizados contratos imobiliários de gaveta;
  • Ainda estão sendo contabilizados os valores em moeda estrangeira apreendidos.

Investigações continuam

A Polícia Federal informou que a análise dos materiais apreendidos deve auxiliar na identificação de novos elementos de prova, além de apontar possíveis outros envolvidos e eventuais crimes ainda não descobertos.

O caso segue sob investigação e os fatos apurados serão encaminhados à Justiça Federal.

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