Caso Ana Beatriz: homens acusados de participar de estupro e assassinato de adolescente são absolvidos em SC
MPSC informou que vai recorrer da decisão tomada pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (25)
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Dois homens denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por participação no estupro e assassinato da adolescente Ana Beatriz Schelter, de 12 anos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (25), em Florianópolis. Após a decisão, o MPSC anunciou que vai recorrer, por entender que as provas reunidas durante a investigação sustentam a participação dos acusados nos crimes.
Os réus, de 63 e 55 anos, respondiam pelos crimes de homicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual. Segundo o Ministério Público, um deles teria participado diretamente da violência sexual e da morte da adolescente, enquanto o outro foi acusado de interferir na investigação ao alterar elementos que poderiam servir como prova.
Em nota, o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen afirmou que o órgão respeita a decisão do Conselho de Sentença, mas discorda do resultado.
“Respeitamos a decisão do júri, mas entendemos que há elementos suficientes para sua revisão e, por isso, vamos recorrer”, declarou.
Principal suspeito foi condenado a mais de 58 anos de prisão

O julgamento desta quinta-feira representa mais um desdobramento do caso Ana Beatriz. Em 12 de maio deste ano, o homem apontado como principal autor do crime foi condenado pelo Tribunal do Júri.
Ele recebeu pena de 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto, pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual.
Na ocasião, o processo já havia sido desmembrado pela Justiça, fazendo com que os outros dois denunciados fossem julgados separadamente.
Caso Ana Beatriz: o crime que chocou Rio do Sul
Ana Beatriz Schelter tinha 12 anos quando desapareceu na tarde de 2 de março de 2016, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí. A adolescente saiu de casa para ir à escola, mas nunca chegou ao destino.
O desaparecimento foi comunicado pela família naquela noite. Na manhã seguinte, o corpo da menina foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR-470.
Inicialmente, a cena indicava um possível suicídio, mas a hipótese foi descartada pela perícia. Os laudos apontaram que Ana Beatriz havia sido vítima de violência sexual e morreu por asfixia.
As investigações foram conduzidas no âmbito da Operação Fênix, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), sob coordenação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul.
Segundo o Ministério Público, as apurações comprovaram que o principal condenado conhecia a rotina da adolescente e utilizou essa proximidade para cometer o crime. A investigação também apontou que os denunciados apresentavam comportamento relacionado à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Conforme a denúncia, no dia do crime, Ana Beatriz teria recebido uma oferta de carona durante o trajeto até a escola. A partir daí, os investigados teriam levado a adolescente para outro local, onde os crimes ocorreram.
Julgamento foi transferido de Rio do Sul para Florianópolis
Embora o crime tenha ocorrido em Rio do Sul, o julgamento foi realizado em Florianópolis após decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
O pedido de transferência foi apresentado pela defesa dos réus e aceito pela Justiça em fevereiro deste ano. O chamado desaforamento ocorre quando há entendimento de que a grande repercussão do caso pode influenciar a imparcialidade dos jurados.
O Ministério Público informou que não recorreu da mudança, considerando a necessidade de evitar novos atrasos no andamento do processo e garantir a realização do julgamento.
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