Caso de grávida morta em hospital de SC tem reviravolta e médico deve ser indiciado
Novo delegado assume investigação, nega pedidos da defesa e pode concluir inquérito sem ouvir médico
• Atualizado
O médico responsável pelo terceiro atendimento à jovem Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, deve ser indiciado por homicídio culposo no caso que investiga a morte da grávida e do bebê após atendimentos no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, no Vale do Itajaí.
A informação foi confirmada pelo novo responsável pelo inquérito, delegado Aderlan Camargo, que assumiu o caso após a transferência do delegado Ícaro Malveira para o município de Navegantes.
Segundo o delegado, a conduta do médico já está praticamente definida no inquérito, mesmo antes da realização do depoimento do profissional.
Indiciamento já definido
De acordo com Aderlan Camargo, o médico do terceiro atendimento não teria sido diligente ao lidar com o quadro clínico da paciente.
A avaliação da polícia aponta que o profissional deixou de solicitar exames importantes, não considerou o histórico da paciente, que já estava no terceiro atendimento e era gestante com comorbidades e não indicou a internação.
Ainda conforme o delegado, a paciente recebeu apenas medicação e foi liberada, o que, na análise da investigação, contribuiu para o agravamento do quadro.
Diante disso, a tendência é de indiciamento por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Depoimento foi adiado
O depoimento do médico, que era considerado peça-chave na investigação e estava previsto para a semana passada, acabou sendo adiado após pedidos feitos pela defesa.
Entre as solicitações estavam acesso a imagens do hospital, perícias e outras diligências. No entanto, o novo delegado indeferiu todos os pedidos, por entender que não têm relevância para o esclarecimento do caso.
Uma nova oitiva foi marcada para esta quinta-feira (30), mas, caso o médico não compareça, o delegado afirmou que pode encerrar a fase de instrução mesmo sem o depoimento e concluir o inquérito.
Segunda médica ainda é avaliada
Além do profissional do terceiro atendimento, a conduta da médica responsável pelo segundo atendimento também está sob análise.
Segundo o delegado, o comportamento não foi considerado tão grave quanto o do outro médico, mas ainda está sendo avaliado para possível responsabilização.
Troca de delegado marca nova fase
A investigação passou por uma mudança recente com a saída do delegado Ícaro Malveira, que conduzia o caso desde o início, e foi transferido para o Litoral Norte.
Com isso, o delegado Aderlan Camargo assumiu a condução do inquérito e já sinalizou uma postura mais direta quanto à conclusão do caso.
Relembre o caso
A investigação apura possíveis falhas nos atendimentos prestados a Maria Luiza, que procurou atendimento médico quatro vezes entre os dias 30 de março e 2 de abril.
No primeiro atendimento, exames foram realizados e, segundo a polícia, não houve indícios de negligência.
Já no segundo, exames indicaram queda nas plaquetas e havia recomendação de internação, especialmente por se tratar de uma gestante com diabetes gestacional.
O terceiro atendimento, considerado o mais crítico, ocorreu na madrugada do dia 2 de abril. Na ocasião, não foram solicitados exames laboratoriais, e a jovem foi medicada e liberada.
Horas depois, ao procurar um posto de saúde, profissionais identificaram a gravidade do quadro, com sintomas como cansaço extremo, manchas roxas e desidratação.
Em vídeo, a mãe da jovem denunciou o caso e cobrou providências das autoridades:
➡️ Mãe cobra respostas após morte de grávida e bebê em hospital de SC
— SCC10 (@scc10oficial) April 8, 2026
Vídeo: Divulgação pic.twitter.com/JCEVgq3rav
Morte da jovem e do bebê
Após retornar ao Hospital Beatriz Ramos, Maria Luiza já estava em estado grave. Ela precisou ser entubada e transferida para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
Na unidade, foi realizada uma cesariana de emergência, mas o bebê, com 28 semanas, nasceu sem vida.
Cerca de uma hora e meia depois, a jovem também não resistiu.
A causa da morte foi confirmada como dengue hemorrágica.
Médico já havia sido afastado
Durante as investigações, o Hospital Beatriz Ramos informou que afastou preventivamente o médico responsável pelo terceiro atendimento.
O inquérito deve ser concluído nos próximos dias.
Leia Mais
Quer receber notícias no seu whatsapp?
EU QUERO