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Clínica de estética em Lages é alvo de série de denúncias

Consumidoras e ex-funcionárias relatam problemas em contratos e procedimentos

• Atualizado

Rádio Clube

Por Rádio Clube

Clínica de estética em Lages é alvo de série de denúncias | Imagem ilustrativa
Clínica de estética em Lages é alvo de série de denúncias | Imagem ilustrativa

Uma clínica de estética do município de Lages passou a ser alvo de um conjunto de reclamações por clientes e ex-funcionárias. Um grupo que reúne cerca de 40 mulheres foi formado e neste espaço elas compartilham relatos sobre pendências contratuais, falhas na prestação de serviços e suspeitas em relação a protocolos de saúde executados no estabelecimento.

De acordo com os depoimentos, o padrão das reclamações envolve a compra de pacotes estéticos com pagamento antecipado, seguidos por sucessivos adiamentos e cancelamentos de horários por parte da empresa. Clientes relatam períodos de espera por atendimento ou ressarcimento que variam de dois meses a mais de um ano. Além disso, as denunciantes afirmam que, ao solicitarem a rescisão contratual, era exigida uma multa de 20% sobre o valor investido, mesmo nos casos em que a interrupção decorria da falta de cumprimento da agenda da clínica.

Clínica de estética em Lages é alvo de série de denúncias; contestação da administração

A administradora do local e ex-franqueada da marca Virtuosa na cidade, Janna Gabriella, informou que assumiu o ponto comercial após o encerramento das atividades da gestão anterior, a qual já havia deixado clientes sem assistência. Segundo a gestora, a transição gerou passivos e demandas administrativas junto ao Procon de Lages vinculados ao seu novo CNPJ, especialmente sobre procedimentos que deixaram de ser ofertados na nova fase, como as tecnologias de campo magnético (Pison) e ultrassom microfocado.

Questionamentos na área da saúde

As clientes também levantaram suspeitas acerca das substâncias aplicadas, com alegações de falta de eficácia em preenchimentos labiais e suposta utilização excessiva de soro fisiológico. Em conversas do WhatsApp, funcionárias debatem sobre o uso do soro nas pacientes, expressando preocupação sobre o estado de saúde das clientes. Já a gestora da clínica trata a situação com aparente descaso.

Em entrevista à Rádio Clube, Janna Gabriella afirmou que a utilização do soro é uma prática comum em clínicas de estética para a diluição de alguns produtos como o “botox”.

A doutora em bioquímica e biomédica estética Bruna Andersen esclarece que o soro fisiológico é uma substância de uso regular na estética, utilizada especificamente na reconstituição e diluição de produtos que vêm de fábrica em formato de pó, como a toxina botulínica (botox) e determinados bioestimuladores de colágeno. Contudo, a especialista ressaltou que o uso de volumes superiores aos indicados pelos fabricantes reduz o princípio ativo e compromete a eficácia do procedimento.

Outro ponto debatido foi a suposta aplicação do medicamento de uso controlado tirzepatida (Monjaro) sem triagem médica presencial. A administradora negou irregularidades, afirmando que o protocolo seguia as diretrizes da franquia nacional e contava com suporte técnico de receitas e anamnese fornecido pelo médico da rede. Ela reforçou que, após sua desvinculação da franquia, o produto deixou de ser comercializado.

Registros oficiais e outros incidentes

A existência de diálogos em aplicativos de mensagens que sugeriam um aviso prévio interno sobre vistorias da fiscalização municipal foi rebatida pela responsável, que declarou não possuir contatos no órgão e classificou as inspeções locais como rigorosas.

O balanço oficial do Procon de Lages aponta a dimensão das denúncias envolvendo a clínica na cidade:

  • Ano de 2025: 25 registros formais de reclamação;
  • Ano de 2026: 16 registros computados até o mês de junho.

Um desentendimento no interior do estabelecimento também gerou o acionamento da Polícia Militar, resultando em boletins de ocorrência cruzados. Um acompanhante de cliente alegou ter sido alvo de injúria homofóbica por parte da gerência ao questionar a falta de insumos. A empresária confirmou que utilizou um termo ofensivo durante a discussão, justificando ter agido sob estresse decorrente de suposta invasão de sua sala e desacato, registrando queixa contra os envolvidos por estes fatos.

A reportagem tentou contato com a assessoria da rede de franquias nacional responsável pela marca, mas não obteve posicionamento oficial até o fechamento desta matéria. A Rádio Clube deixa o espaço aberto para posicionamento dos envolvidos.

Matéria em colaboração com o repórter Evandro Gioppo.

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