Sofia Gonzalez

Jornalista diagnosticada com doença celíaca. Conteúdo sobre restrições alimentares, impacto social e saúde.


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Isis Valverde é internada 3 vezes no ano por doença celíaca

Atriz contou ter sido internada três vezes após contaminação por glúten e reacendeu debate no Maio Verde, mês de conscientização sobre a doença celíaca

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O relato da atriz Isis Valverde sobre ter sido internada três vezes neste ano por causa da doença celíaca reacendeu nas redes sociais um debate importante: afinal, até que ponto pequenas contaminações por glúten podem afetar quem convive com a doença?

Diagnosticada há cerca de 20 anos, Isis contou em vídeos publicados nas redes sociais que sofreu episódios graves após contaminação alimentar durante um período de trabalho.

Segundo a atriz, o problema só foi identificado depois que descobriram que alimentos preparados para ela estavam sendo misturados durante o preparo.

“Se eu tiver contato com alguma coisa, tipo um óleo que fritou glúten, e eu comer, eu vou passar muito mal”, relatou.

O assunto ganhou ainda mais repercussão por acontecer durante o Maio Verde, mês de conscientização sobre a doença celíaca.

“Doença celíaca agressiva” existe?

No vídeo, Isis afirmou que tem uma doença celíaca “muito agressiva”. Apesar da expressão chamar atenção, especialistas reforçam que toda doença celíaca é considerada séria.

Isso porque a condição é uma doença autoimune. Ou seja: quando a pessoa celíaca consome glúten, o organismo reage atacando o próprio intestino.

E essa reação não depende apenas da quantidade ingerida.

Pequenos traços já podem causar inflamação e desencadear sintomas, motivo pelo qual a contaminação cruzada é uma das maiores preocupações de quem convive com a doença.

Na prática, isso significa que situações aparentemente simples podem representar risco:

  • óleo compartilhado
  • utensílios contaminados
  • migalhas
  • superfícies mal higienizadas

Cada organismo reage de uma forma. Algumas pessoas apresentam sintomas intensos rapidamente, enquanto outras podem ter danos silenciosos mesmo sem perceber imediatamente.

Mas isso não significa que existam casos “leves” de doença celíaca.

Contaminação cruzada ainda é desafio

O relato da atriz também chamou atenção para um problema frequente entre celíacos: a falta de compreensão sobre a gravidade da contaminação cruzada.

Muitas vezes, pessoas ao redor interpretam a restrição alimentar como uma “intolerância leve” ou acreditam que pequenas quantidades não fazem diferença.

Mas, para quem tem doença celíaca, não existe “só um pouquinho”.

A única forma de tratamento atualmente é uma dieta rigorosamente sem glúten.

Maio verde e conscientização

Durante o Maio Verde, entidades e profissionais da saúde reforçam justamente a importância do diagnóstico correto, da segurança alimentar e da conscientização sobre a doença celíaca.

Além dos sintomas gastrointestinais, a doença pode causar:

  • anemia
  • fadiga
  • perda de peso
  • dores
  • deficiência nutricional
  • alterações neurológicas e hormonais

E, em muitos casos, o diagnóstico ainda demora anos para acontecer.

Mais do que “frescura alimentar”

O relato de Isis Valverde ajudou a colocar luz sobre uma realidade conhecida por muitos celíacos: o medo constante da contaminação.

Porque, para quem convive com a doença, o glúten não é apenas um desconforto alimentar, é um risco real à saúde.

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