El Niño começa a mudar o clima e aumenta previsão de chuva no Sul do Brasil
Primeiros efeitos do fenômeno devem ser sentidos ainda em junho
• Atualizado
O fenômeno El Niño está começando a se estabelecer no Oceano Pacífico e deve provocar aumento das chuvas no Sul do Brasil nas próximas semanas. Os primeiros impactos são esperados principalmente em Santa Catarina e no Paraná, estados que devem registrar volumes de precipitação acima da média ainda durante a segunda quinzena de junho.
Segundo análise da MetSul Meteorologia, o aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial e as mudanças nos padrões de vento da atmosfera indicam o início da atuação do fenômeno, que costuma influenciar diretamente o regime de chuvas na região Sul.
A previsão aponta que o Paraná deve ser o estado mais afetado neste primeiro momento. Em apenas 15 dias, algumas áreas podem acumular entre 100 e 200 milímetros de chuva. Em pontos isolados, os volumes podem alcançar de 200 a 250 milímetros ou até superar essas marcas.
Em Santa Catarina, a tendência também é de chuva acima da média, embora com acumulados menores que os previstos para o território paranaense.
No Rio Grande do Sul, os maiores volumes de precipitação devem se concentrar na Metade Norte do estado. Regiões como Noroeste, Médio e Alto Uruguai, Alto Jacuí e Planalto Médio aparecem entre as áreas com maior potencial para registrar chuva mais intensa nas próximas semanas.
Além da influência do El Niño, outros fenômenos atmosféricos devem contribuir para o aumento da chuva no Sul do Brasil nas próximas semanas. Um deles é a Oscilação de Madden-Julian (OMJ), um sistema que se desloca pelos trópicos e favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades quando passa sobre a América do Sul.
Outro fator é o encontro entre massas de ar frio que avançam pelo Cone Sul e o ar quente e úmido que predomina sobre o Centro do Brasil. Esse contraste de temperaturas cria condições favoráveis para a formação de áreas de instabilidade, aumentando a frequência e a intensidade das chuvas.
As projeções meteorológicas indicam que o padrão de chuva acima da média não deve se limitar ao mês de junho. A tendência é que ele se mantenha até pelo menos parte de julho, abrangendo áreas de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Apesar da expectativa de chuva intensa já nas próximas semanas, a MetSul alerta que o período mais crítico ainda está por vir. Conforme a análise da empresa, o maior risco de eventos extremos relacionados ao El Niño deve ocorrer entre a segunda metade de agosto e o final de novembro.
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