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SUSPEITA DE ABUSOS

Escravas sexuais: mulheres eram impedidas de sair de casa de prostituição por dívidas de até R$ 10 mil em Navegantes

As ações ocorreram em Navegantes e tiveram apoio de equipes de Balneário Piçarras e Itajaí

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Escravas sexuais mulheres eram impedidas de sair de casa de prostituição por dívidas de até R$ 10 mil em Navegantes | Foto: reprodução / Polícia Civil
Escravas sexuais mulheres eram impedidas de sair de casa de prostituição por dívidas de até R$ 10 mil em Navegantes | Foto: reprodução / Polícia Civil

Uma mulher apontada como proprietária de uma casa de prostituição em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi presa nesta quinta-feira (10) durante uma investigação que apura suspeitas de exploração de mulheres e trabalhadores no local. Segundo a Polícia Civil, algumas funcionárias teriam sido impedidas de deixar o estabelecimento por causa de dívidas que chegavam a R$ 10 mil.

Ainda conforme a Polícia Civil, também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e outro mandado de prisão preventiva. As ações ocorreram em Navegantes e tiveram apoio de equipes de Balneário Piçarras e Itajaí.

A Polícia Civil informou que a investigação começou em julho deste ano para entender as condições em que funcionários trabalhavam no estabelecimento. Conforme a apuração, os responsáveis pelo local são suspeitos de cobrar valores pelo uso dos quartos e de retirar parte do dinheiro recebido pelas mulheres.

Ainda segundo a Polícia Civil, também eram aplicadas multas consideradas abusivas. Com a acumulação dessas cobranças, algumas mulheres teriam chegado a acumular dívidas de até R$ 10 mil com os responsáveis pelo estabelecimento.

Mulheres teriam sido impedidas de sair da casa de prostituição de Navegantes

De acordo com a investigação, as supostas dívidas eram usadas como forma de impedir que as mulheres deixassem o local.

Três delas só teriam conseguido sair do estabelecimento após uma intervenção do Conselho Tutelar e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). A atuação dos órgãos, segundo a Polícia Civil, ajudou a levar as informações sobre o que estaria acontecendo até as autoridades.

As mulheres que estavam no estabelecimento no momento da operação foram levadas à delegacia para prestar depoimento.

Companheiro da mulher está foragido

A Polícia Civil também investiga o companheiro da mulher presa. Segundo as autoridades, ele está foragido e já foi condenado a quase 24 anos de prisão por crimes como tortura, manutenção de casa de prostituição e estupro.

A investigação aponta que a mulher vinha administrando o estabelecimento sozinha enquanto o companheiro permanece foragido. Ela foi encaminhada ao presídio de Itajaí e permanece à disposição da Justiça.

O homem, identificado pela Polícia Civil como Adelar Antônio Goldoni, continua sendo procurado. Informações sobre o paradeiro dele podem ser repassadas às forças de segurança.

Investigação continua

A Polícia Civil apura os fatos com base em suspeitas de redução de pessoas a condição semelhante à escravidão, manutenção de casa de prostituição e exploração da prostituição de outras pessoas.

A prisão preventiva e as buscas fazem parte da investigação e não representam, por si só, uma condenação. O caso continuará sendo analisado pela Justiça.

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