Depoimento de médico pode definir caso de morte de grávida e bebê em hospital de SC
Expectativa é concluir o inquérito ainda esta semana, em Indaial
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O depoimento de um médico pode ser decisivo para o desfecho da investigação sobre a morte da jovem grávida Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e do bebê que ela esperava após atendimentos no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, no Vale do Itajaí.
Responsável pelo caso, o delegado Ícaro Malveira, da Polícia Civil de Santa Catarina, confirmou que o terceiro médico envolvido no atendimento da jovem deve prestar depoimento no fim da tarde desta quarta-feira (22), em Indaial.
Este é considerado o depoimento mais importante da investigação, já que o atendimento realizado pelo profissional é apontado como o mais preocupante entre os registros analisados pela polícia.
Com a oitiva, a expectativa é concluir as últimas diligências do inquérito ainda nesta semana.
“Depois que finalizar todas as diligências do inquérito policial, vou analisar a responsabilização de cada um”, afirmou o delegado.
Enfermeira também foi ouvida
Durante o andamento das investigações, a polícia também ouviu uma enfermeira que atendeu a jovem no posto de saúde do bairro Tapajós, em Indaial.
Foi nesse atendimento que os profissionais perceberam a gravidade do quadro clínico de Maria Luiza. Conforme o relato, a jovem apresentava cansaço extremo, manchas roxas pelo corpo e sinais de desidratação severa.
Diante da situação, ela foi encaminhada com urgência ao hospital em um veículo da prefeitura, acompanhada por uma enfermeira.
De acordo com o delegado, não há previsão de ouvir novas testemunhas além das que já foram convocadas.
Médicos foram ouvidos em diferentes condições
Conforme a investigação, os médicos responsáveis pelo primeiro e pelo quarto atendimento prestado à jovem foram ouvidos como testemunhas e liberados.
Já os profissionais que realizaram o segundo e o terceiro atendimentos seguem sob análise da polícia.
A partir da conclusão do inquérito, a Polícia Civil deve avaliar se houve falha médica e se algum dos envolvidos poderá ser responsabilizado criminalmente.
Caso envolve morte de jovem grávida e bebê
A investigação apura possíveis falhas nos atendimentos prestados à jovem no Hospital Beatriz Ramos.
Segundo a polícia, Maria Luiza procurou atendimento quatro vezes entre os dias 30 de março e 2 de abril.
No primeiro atendimento, exames laboratoriais foram realizados e, conforme a investigação, não foram identificados indícios de negligência médica.
Já no segundo atendimento, ocorrido em 31 de março, exames apontaram queda nas plaquetas, embora ainda dentro da normalidade. Conforme a apuração, havia indicação de internação, especialmente por se tratar de uma gestante diagnosticada com diabetes gestacional.
Atendimento sem exames levanta suspeitas
O terceiro atendimento, ocorrido na madrugada de 2 de abril, é considerado o ponto mais crítico da investigação.
Segundo o delegado, não foram realizados exames de sangue ou urina. Na ocasião, a jovem teria sido medicada e liberada para retornar para casa.
Horas depois, Maria Luiza procurou ajuda no posto de saúde do bairro Tapajós, onde os profissionais identificaram a gravidade do quadro.
Transferência e morte da jovem
Após ser levada novamente ao Hospital Beatriz Ramos, a jovem já apresentava estado grave e precisou ser entubada antes de ser transferida para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
Na unidade, os médicos realizaram uma cesariana de emergência. O bebê, com 28 semanas de gestação, nasceu sem batimentos cardíacos.
Cerca de uma hora e meia depois, Maria Luiza também não resistiu.
Causa da morte e afastamento de médico
A investigação confirmou que a causa da morte foi dengue hemorrágica, conforme o atestado de óbito analisado pela polícia.
A documentação médica segue em análise pela Polícia Científica e, caso seja comprovado erro médico, os responsáveis poderão responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Durante o andamento das investigações, o Hospital Beatriz Ramos informou que afastou preventivamente o médico responsável pelo terceiro atendimento prestado à jovem.
Segundo a instituição, a medida foi adotada diante da gravidade do caso e não representa antecipação de responsabilização do profissional.
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