Médico é afastado após morte de grávida e bebê em hospital de SC
Medida foi adotada de forma preventiva enquanto investigação sobre a morte de Maria Luiza e do bebê avança em Indaial
• Atualizado
Um dos médicos envolvidos no atendimento da jovem Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, foi afastado preventivamente pelo Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, após a morte da jovem grávida e do bebê que ela esperava.
A assessoria do hospital informou que o profissional afastado é o médico responsável pelo terceiro atendimento prestado à jovem grávida. Segundo a instituição, o afastamento das funções ocorreu no dia 8 de abril.
Segundo o hospital, o afastamento tem caráter preventivo, adotado diante da gravidade e da sensibilidade do caso. A instituição afirmou ainda que a decisão não representa antecipação de responsabilização do profissional. Leia a nota da íntegra:
O caso também é investigado pela Polícia Civil de Indaial, que apura possíveis falhas nos atendimentos realizados antes do agravamento do quadro clínico de Maria Luiza.
Depoimentos já começaram
Responsável pelo inquérito, o delegado Ícaro Malveira informou que já iniciou a oitiva dos profissionais envolvidos.
Nesta quarta-feira (15), foram ouvidos os médicos responsáveis pelo primeiro e pelo quarto atendimentos realizados na jovem no hospital.
Segundo o delegado, esses profissionais prestaram depoimento como testemunhas e não devem ser responsabilizados.
Ainda conforme Malveira, o afastamento deve estar relacionado ao médico responsável pelo terceiro atendimento, que está entre os que ainda serão ouvidos pela polícia.
A investigação segue com novas oitivas. Dois médicos devem prestar depoimento nesta sexta-feira (17). Já nesta quinta-feira (16), a polícia vai ouvir a mãe da jovem, Luana Bogo Petry.
➡️ Mãe cobra respostas após morte de grávida e bebê em hospital de SC
— SCC10 (@scc10oficial) April 8, 2026
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Hospital pede prontuário de Blumenau
Em nota, o Hospital Beatriz Ramos informou que o caso segue sob apuração interna e que a análise técnica ainda depende de documentos médicos.
Entre eles está o prontuário referente ao atendimento realizado no Hospital Santo Antônio, de Blumenau, para onde Maria Luiza foi transferida em estado grave.
Segundo a unidade de Indaial, o documento foi solicitado oficialmente no dia 7 de abril, mas ainda não havia sido disponibilizado.
O hospital também comunicou que o caso foi encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina, responsável pela análise técnico-profissional e eventual adoção de medidas disciplinares.
O que diz o Hospital Santo Antônio
O Hospital Santo Antônio informou, por meio de nota, que o prontuário médico referente ao atendimento citado já foi disponibilizado aos órgãos competentes, conforme determina a legislação.
A instituição também esclareceu que o prontuário é um documento sigiloso, protegido por normas legais e éticas, e que não pode ser compartilhado diretamente entre instituições de saúde.
Segundo o hospital, o acesso ao documento é restrito ao próprio paciente, a familiares legalmente autorizados ou mediante requisição formal de autoridade competente.
O hospital afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades policiais para colaborar com os esclarecimentos necessários, reforçando o compromisso com a ética, a transparência e a qualidade no atendimento.
Quatro atendimentos antes da morte
De acordo com a investigação, Maria Luiza procurou atendimento quatro vezes no Hospital Beatriz Ramos entre os dias 30 de março e 2 de abril.
No primeiro atendimento, exames laboratoriais foram realizados e não foram identificados indícios de negligência médica.
No segundo atendimento, no dia 31 de março, exames apontaram queda nas plaquetas, embora ainda dentro da normalidade.
Conforme a investigação, havia indicação de internação, especialmente por se tratar de uma gestante com diagnóstico de diabetes gestacional.
Atendimento sem exames levanta suspeitas
O terceiro atendimento, ocorrido na madrugada de 2 de abril, é considerado o mais crítico na investigação.
Segundo o delegado, não foram realizados exames de sangue ou de urina. A paciente teria sido apenas medicada e liberada para voltar para casa.
Horas depois, ela retornou ao hospital já em estado grave.
Transferência e morte da jovem
No quarto atendimento, Maria Luiza apresentou agravamento significativo do quadro clínico e precisou ser entubada antes de ser transferida para o hospital em Blumenau.
No Hospital Santo Antônio, os médicos realizaram uma cesariana de emergência. O bebê, que estava com 28 semanas de gestação, nasceu sem batimentos cardíacos.
Cerca de uma hora e meia depois, Maria Luiza também não resistiu.
Dengue hemorrágica foi a causa da morte
A investigação confirmou que a causa da morte foi dengue hemorrágica, conforme o atestado de óbito analisado pela polícia.
A documentação médica segue em análise pela Polícia Científica.
Caso fique comprovado erro médico, os responsáveis poderão responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
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