Interrogatório adiado atrasa inquérito sobre morte de grávida e bebê em hospital de SC
Depoimentos previstos para esta sexta-feira (17) foram remarcados após pedido de advogados envolvidos no caso investigado em Indaial
• Atualizado
O encerramento do inquérito que investiga a morte da jovem grávida Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e do bebê que ela esperava foi adiado após o reagendamento de depoimentos previstos para esta sexta-feira (17), em Indaial, no Vale do Itajaí.
Responsável pela investigação, o delegado Ícaro Malveira informou que não será possível concluir o inquérito nesta semana porque o interrogatório de um dos médicos suspeitos foi adiado.
Segundo o delegado, a defesa do profissional pediu que o depoimento fosse remarcado para a próxima semana.
Além disso, as advogadas que representam a mãe da vítima solicitaram que uma nova testemunha também seja ouvida no caso.
Com isso, os depoimentos que estavam previstos para ocorrer agora foram reagendados, o que deve atrasar a conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil de Indaial.
Caso envolve morte de jovem grávida e bebê
A investigação apura possíveis falhas médicas nos atendimentos prestados à jovem no Hospital Beatriz Ramos, de Indaial.
De acordo com a polícia, Maria Luiza procurou atendimento quatro vezes entre os dias 30 de março e 2 de abril na unidade hospitalar.
No primeiro atendimento, exames laboratoriais foram realizados e, conforme a investigação, não foram identificados indícios de negligência médica.
Já no segundo atendimento, realizado no dia 31 de março, exames apontaram queda nas plaquetas, embora ainda dentro da normalidade. Conforme a apuração, havia indicação de internação, especialmente por se tratar de uma gestante diagnosticada com diabetes gestacional.
Atendimento sem exames levanta suspeitas
O terceiro atendimento, ocorrido na madrugada de 2 de abril, é considerado o ponto mais crítico da investigação.
Segundo o delegado, não foram realizados exames de sangue ou urina. A jovem teria sido medicada e liberada para retornar para casa.
Horas depois, a jovem procurou atendimento no posto de saúde do bairro Tapajós, em Indaial.
Segundo a mãe de Maria Luiza, os profissionais da unidade ficaram assustados com o estado da paciente, que apresentava cansaço extremo, manchas roxas pelo corpo e sinais de desidratação severa.
Diante da gravidade, Maria Luiza foi encaminhada com urgência ao Hospital Beatriz Ramos em um veículo da prefeitura, acompanhada por uma enfermeira.
Transferência e morte da jovem
No quarto atendimento, Maria Luiza já apresentava estado grave e precisou ser entubada antes de ser transferida para o Hospital Santo Antônio.
Na unidade de Blumenau, os médicos realizaram uma cesariana de emergência. O bebê, que estava com 28 semanas de gestação, nasceu sem batimentos cardíacos.
Cerca de uma hora e meia depois, a jovem também não resistiu.
Causa da morte
A investigação confirmou que a causa da morte foi dengue hemorrágica, conforme o atestado de óbito analisado pela polícia.
A documentação médica segue em análise pela Polícia Científica e, caso fique comprovado erro médico, os responsáveis poderão responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Médico foi afastado
Durante o andamento das investigações, o Hospital Beatriz Ramos informou que afastou preventivamente o médico responsável pelo terceiro atendimento prestado à jovem.
Segundo a instituição, a medida foi adotada de forma preventiva diante da gravidade do caso e não representa antecipação de responsabilização do profissional.
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