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IMPACTO INVISÍVEL

Estudo detecta protetor solar nas águas das praias de Florianópolis

Pesquisa da UFSC identificou moléculas fotoprotetoras nas águas da Ilha e alerta para impactos ambientais

• Atualizado

Roberto Gatti

Por Roberto Gatti

Estudo detecta protetor solar nas águas das praias de Florianópolis. | Fptp: Pedro Corrêa  / SCC10
Estudo detecta protetor solar nas águas das praias de Florianópolis. | Fptp: Pedro Corrêa / SCC10

Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina identificou resíduos de protetores solares nas águas das praias de Florianópolis. A pesquisa monitora possíveis impactos ambientais causados por moléculas presentes em produtos usados diariamente por banhistas.

As análises são realizadas em oito pontos distribuídos ao redor da Ilha, com coleta de amostras de água do mar, peixes e ostras ao longo do ano. Segundo os pesquisadores, os maiores níveis foram encontrados durante o verão, período de maior movimentação turística e uso recreativo das praias.

Entre as moléculas identificadas estão compostos como avobenzona, octinoxato, octocrileno, oxibenzona, homosalato e ensulizol, substâncias comuns em protetores solares comerciais.

Apesar disso, o coordenador do projeto, professor Gustavo Amadeu Micke, reforça que a pesquisa não deve ser interpretada como um incentivo para deixar de usar protetor solar.

A radiação solar continua sendo um fator de risco importante para queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele”, afirmou o pesquisador.

Segundo ele, o objetivo do estudo é justamente buscar equilíbrio entre saúde pública e preservação ambiental.

O protetor solar deve continuar sendo usado. O desafio científico e tecnológico é desenvolver produtos que protejam as pessoas e, ao mesmo tempo, tenham menor persistência e menor impacto sobre os ambientes aquáticos”, destacou.

Pesquisa monitora impactos invisíveis

De acordo com os pesquisadores, as concentrações encontradas nas águas das Praias de Florianópolis são baixas e não representam risco imediato para seres humanos. A principal preocupação está nos efeitos ambientais a longo prazo, principalmente sobre organismos aquáticos constantemente expostos a esses compostos.

Muitos contaminantes emergentes preocupam justamente porque aparecem de forma contínua no ambiente, podem persistir, se acumular em organismos e causar efeitos crônicos”, explicou Gustavo Micke.

O estudo aponta que resíduos dessas substâncias já foram identificados em peixes, ostras, algas, fitoplâncton e até mamíferos marinhos em outras pesquisas internacionais. Além disso, moléculas como a oxibenzona são associadas ao branqueamento de corais mesmo em baixas concentrações.

Florianópolis possui características que agravam cenário

Segundo os pesquisadores, Florianópolis apresenta condições que favorecem esse tipo de ocorrência ambiental. A combinação entre grande número de praias, turismo intenso, aumento populacional durante o verão e forte uso recreativo da água contribui para a presença dessas moléculas no ambiente marinho.

O estudo identificou ainda diferenças entre regiões da Ilha.

Os pontos do Norte apresentaram maior número de compostos detectados, enquanto o Ribeirão da Ilha se destacou entre as áreas do Sul analisadas.

De acordo com o professor, fatores como circulação da água, embarcações, urbanização e intensidade de uso das praias podem influenciar diretamente nesses resultados.

Alternativas mais sustentáveis

A pesquisa também busca incentivar o desenvolvimento de formulações consideradas menos agressivas ao meio ambiente. Entre as possibilidades apontadas pelos pesquisadores estão filtros minerais, como dióxido de titânio e óxido de zinco, além de produtos biodegradáveis e com menor presença de substâncias persistentes.

Hoje, porém, os pesquisadores destacam que ainda é difícil para o consumidor identificar sozinho quais produtos possuem menor impacto ambiental.

Monitorar não significa alarmar; significa produzir informação científica para prevenir problemas antes que eles se tornem evidentes ou irreversíveis”, concluiu o professor Gustavo Micke.

O projeto segue em desenvolvimento até o fim de 2026 no Laboratório de Eletroforese Capilar e Cromatografia da UFSC e conta com financiamento da Capes, CNPq e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Catálise.

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