Cidade oculta sob as águas em SC: a história da igreja submersa que virou cartão-postal cinematográfico em Siderópolis
Cerca de 80 famílias deixaram a antiga comunidade de São Pedro para dar lugar à barragem do Rio São Bento; torre foi preservada a pedido dos moradores
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Quem visita a barragem do Rio São Bento, em Siderópolis, no Sul de Santa Catarina, encontra uma cena que chama atenção de imediato: uma torre de igreja aparece isolada no meio de um lago de 450 hectares. O que parece cenário de filme, no entanto, é a única parte visível de uma história que ficou escondida sob as águas.
Antes da formação do reservatório, o local era ocupado pela comunidade de São Pedro, onde viviam cerca de 80 famílias. A construção da barragem levou à desapropriação das propriedades e à saída dos moradores por volta dos anos 2000. Quando deixaram a comunidade, eles fizeram um pedido: que a torre da igreja fosse preservada.
O pedido foi atendido. Casas, ruas e outras estruturas desapareceram com a inundação da área, mas a torre permaneceu acima da superfície. Mais de duas décadas depois, a estrutura se tornou um dos elementos mais conhecidos da paisagem de Siderópolis.

Comunidade de São Pedro ficou sob as águas
A antiga comunidade fazia parte da história de Siderópolis e era formada por famílias que mantinham suas atividades e relações de vizinhança na região havia gerações.
A construção da barragem mudou completamente o cenário. As propriedades foram desapropriadas, as famílias deixaram o local e a área foi gradualmente tomada pelo reservatório.
O resultado pode ser observado hoje em uma paisagem incomum: onde antes existiam casas e uma comunidade, há um grande espelho d’água cercado pela vegetação.
A torre da igreja é a exceção.
Preservada a pedido dos moradores, ela permaneceu como uma referência visual da antiga São Pedro e como lembrança de um lugar que deixou de existir acima da água.
Barragem abastece seis municípios
Apesar de atualmente também ser conhecida pela paisagem e pelo turismo, a barragem do Rio São Bento foi construída por uma necessidade essencial: garantir o abastecimento de água na região.
O reservatório atende seis municípios do Sul de Santa Catarina: Siderópolis, Criciúma, Forquilhinha, Maracajá, Içara e Nova Veneza.

A obra foi planejada em um contexto de preocupação com a disponibilidade de água, em uma região que durante décadas sofreu impactos provocados pela mineração de carvão.
A atividade teve papel importante na economia do Sul catarinense, mas também deixou um passivo ambiental que atingiu rios, nascentes e áreas de vegetação.
Nesse cenário, a construção da barragem passou a integrar as estratégias para ampliar a segurança hídrica regional.
Torre virou atração turística
A história da comunidade é hoje acompanhada por uma paisagem que surpreende quem chega ao reservatório.
A torre se destaca sozinha em meio à água e à Mata Atlântica que cerca parte da barragem. Em dias de céu aberto, o reflexo da estrutura no lago cria uma imagem que reforça o aspecto cinematográfico do local.
A cena passou a atrair visitantes e fotógrafos, transformando a torre em uma espécie de cartão-postal inusitado de Siderópolis.
Mas a origem da estrutura preservada não está no turismo.
A torre permaneceu porque os próprios moradores pediram que ela não fosse demolida ou completamente encoberta pela intervenção.
É esse detalhe que transforma a paisagem em algo além de uma fotografia bonita: ela funciona como uma lembrança visível da antiga comunidade.
O que fazer na barragem do Rio São Bento?
A área da barragem é procurada para contemplação da natureza, fotografias e passeios.
Quem pretende chegar mais perto da torre pode visitar o Parque Aguaí, localizado às margens do reservatório. O espaço oferece aluguel de caiaques e pedalinhos, além de passeios de gôndola pela água.
O parque também possui outras atrações, como tirolesa, trilhas pela Mata Atlântica, museu do agricultor, almoço, café colonial e bar.
O valor informado para o acesso é de R$ 20 por pessoa.
A visita permite conhecer não apenas a paisagem da torre, mas também o entorno do reservatório e a área natural que se formou ao redor do lago.
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