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Investigação

Veja quem são os presos na operação que apura fraudes em cartões de vacinação

Operação Venire investiga nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

• Atualizado

SBT News

Por SBT News

Max Guilherme, Mauro Cid, João Carlos Brecha e Sérgio Cordeiro são alguns dos presos da Operação Venire | Montagem/Redes sociais
Max Guilherme, Mauro Cid, João Carlos Brecha e Sérgio Cordeiro são alguns dos presos da Operação Venire | Montagem/Redes sociais

A Operação Venire, realizada desde o começo da manhã desta quarta-feira (03) contra envolvidos em fraudes em carteiras de vacinação, prendeu seis pessoas. Destas, pelo menos quatro estão diretamente ligadas ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL): Mauro Cesar Barbosa Cid, Max Guilherme Machado de Moura, Sérgio Rocha Cordeiro e Ailton Moraes Barros.

Além disso, o secretário municipal de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha, e o sargento reformado Luiz Marcos Reis Moreira, que teriam ligações com Mauro Cid, também foram detidos pelos agentes da Polícia Federal.

Quem são os presos?

  • Mauro Cid, o ajudante de ordens de Bolsonaro
Mauro Cesar Barbosa Cid é filho de general que mantém amizade com Bolsonaro | Redes sociais

O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, conhecido também por Mauro Cid ou “coronel Cid” tem um longo histórico de aproximação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo sido ajudante de ordens durante o último governo.

Mauro Cid é filho do general Mauro Cesar Lourena Cid, que foi colega do ex-chefe do Executivo, no curso de formação de oficiais do Exército na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Lourena Cid e Bolsonaro mantém uma amizade de longa data. 

O filho de Lourena Cid cresceu na carreira militar no governo de Bolsonaro. Mauro Cid foi major e, depois, promovido a tenente-coronel. Ele se formou em 2000, também pela Aman. 

Segundo amigos próximos, o pai não teve nenhuma influência na ascendência do filho, que se tornou um dos principais auxiliares do ex-presidente da República.

Mauro Cid se destacou sendo o primeiro colocado na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Foi também instrutor da Aman, e estava em preparação para assumir um posto nos Estados Unidos, quando foi escolhido para servir à Presidência da República.

Durante o governo Bolsonaro, Mauro Cid foi uma espécie de conselheiro-geral do ex-presidente, fazendo interferências em diversos temas relacionados às políticas públicas, como saúde, economia e outros assuntos nos quais Bolsonaro tivesse dúvidas.

Cid também dominava o inglês e espanhol, além de falar francês e alemão, traduzia artigos e fazia a seleção de reportagens e textos da imprensa que considerava importantes para Bolsonaro. Ele também recebia e intermediava pedidos de audiência, mensagens e denúncias que eram separadas para o ex-presidente da República.

  • Max Guilherme, assessor especial de Bolsonaro
Max Guilherme Machado de Moura foi integrante do Bope e trabalha como assessor especial de Jair Bolsonaro | Redes sociais

Outro preso durante a operação é o assessor do ex-presidente, Max Guilherme Machado de Moura.

Ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, ele foi integrante do Batalhão de Operações Especiais, o Bope. Em 2009, entrou na Justiça com um pedido de promoção por bravura, afirmando ter participado do assassinato do chefe do tráfico no morro do São Carlos, em 2006. 

Na época, o estado do Rio premiava policiais que cometessem assassinatos em “atos de bravura”, com o que ficou conhecido como “gratificação faroeste”.  Max Guilherme recorreu na Justiça alegando que participou da operação que matou o traficante Aritana, mas que, por um equívoco, seu nome não foi colocado no registro da ocorrência.

A Justiça do Rio de Janeiro arquivou o processo em junho de 2015, decidindo que o ex-sargento do Bope não teve participação no crime.

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e investigado no inquérito das rachadinhas, afirmou em um vídeo, em fevereiro de 2022, que foi ele o responsável por apresentar Max Guilherme a Bolsonaro. Desde então, o ex-sargento trabalha para o político.

Assim que ganhou as eleições presidenciais de 2018, Jair Bolsonaro (PL) nomeou Max Guilherme como assessor no Gabinete Adjunto de Informações do Gabinete Pessoal do Presidente da República. Ele ocupou o cargo até o fim do governo bolsonarista e, ao fim do mandato, foi escolhido pelo ex-presidente para estar entre os 8 funcionários que trabalhariam para ele sendo custeados pela Presidência da República.

Desde 1º de janeiro de 2023, Max Guilherme ocupa o cargo de assessor especial, como CCE (cargo comissionado executivo), com salário de R$ 6.223,98 pagos pelo governo brasileiro, segundo o Portal da Transparência. Ele esteve com Bolsonaro nos Estados Unidos, nos quase três meses em que o ex-presidente permaneceu no país.

Além de assessor do ex-presidente, o ex-policial do Bope também tentou se eleger como deputado federal nas eleições de 2022. Candidato pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, Max Guilherme usou da proximidade com Bolsonaro e da popularidade nas redes sociais para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, se intitulando como o “01 do Bolsonaro”. Com 9.489 votos, ele não foi eleito, mas ficou entre os suplentes do PL.

  • Sérgio Cordeiro, dono da “casa das lives” de Bolsonaro durante as eleições
Sérgio Cordeiro é capitão da Reserva do Exército brasileiro | Redes sociais

O terceiro preso é Sérgio Rocha Cordeiro, capitão da Reserva e ex-assessor da Presidência da República. Ele fez parte da equipe de segurança de Jair Bolsonaro durante todo o mandato.

Com o fim do governo, ele também foi escolhido entre os 8 funcionários que seguiriam trabalhando com Bolsonaro, ocupando o cargo comissionado executivo de assessor especial. 

Além disso, Cordeiro era dono do imóvel onde Bolsonaro fez lives semanais durante a corrida eleitoral de 2022, já que o TSE proibiu o então presidente de usar as instalações do Palácio do Alvorada para realizar as transmissões.

  • Ailton Barros, o “01 do Bolsonaro”
Ailton Barros é ex-major do Exército e foi candidato a deputado estadual pelo PL do Rio | Redes sociais

Ailton Gonçalves Moraes Barros foi candidato a deputado estadual pelo PL do Rio de Janeiro em 2022. Assim como Max Guilherme, ele se apresentava como “01 do Bolsonaro” durante a campanha eleitoral. Barros não conseguiu se eleger, tendo recebido 6545 votos, mas ficou com a suplência.

Barros é ex-major do Exército, tendo se formado na Aman, Academia Militar das Agulhas Negras. Ele estudou advocacia e ficou conhecido por ser um dos defensores do pai do menino Henry Borel, Leniel Borel.

  • Luis Marcos dos Reis, integrante da equipe de Cid
Luis Marcos dos Reis trabalhava na Ajudância de Ordens da Presidência da República | Redes sociais

Luis Marcos dos Reis, segundo-sargento do Exército brasileiro, trabalhava como supervisor na Ajudância de Ordens do Presidente da República durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL).

Ele era, então, ex-integrante da equipe do tenente-coronel Mauro Cid, o ajudante de ordens de Bolsonaro. Em seu currículo, disponível no site do governo federal, ele afirma que era “responsável pelo atendimento das demandas pessoais do Sr. Presidente da República”.

Em julho de 2022, ele foi transferido para o Ministério do Turismo, assumindo o cargo de Coordenador-Geral de Mobilidade e Conectividade Turística. O sargento foi exonerado pelo ministro chefe da Casa Civil do governo Lula (PT), Rui Costa, em 13 de janeiro de 2023.

Antes disso, Reis participou, de 2006 a 2007, da Missão no Haiti, como especialista em planejamento tático operacional. Ele também foi motorista do Comandante do Exército, de 2013 a 2016, e realizou a segurança pessoal da juíza federal Adverci Rates Mendes de Abreu, de 2016 a 2018.

  • Secretário ligado a Mauro Cid também foi detido
João Carlos de Sousa Brecha, secretário municipal de Governo em Duque de Caxias (RJ), também foi preso na operação da PF | Redes sociais

João Carlos de Sousa Brechasecretário municipal de Governo em Duque de Caxias (RJ), também foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Venire. 

Ele tem ligação com o tenente-coronel Mauro Cid Barbosa e estaria envolvido na suposta falsificação dos cartões de vacinação para garantir a entrada de Bolsonaro, familiares e assessores próximos nos Estados Unidos, para driblar a regra de vacinação obrigatória naquele país.

Polícia Federal faz buscas na casa de Bolsonaro no DF e RJ

A Polícia Federal faz buscas nas casas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília e no Rio de Janeiro, em operação que mira associação criminosa que inseria informações falsas no banco de dados do Ministério da Saúde para emissão de certificados falsos de vacinação contra a covid-19. 

O ex-presidente e a esposa, Michelle Bolsonaro, se encontravam na residência em Brasília no momento em que os policiais chegaram.

Segundo a Polícia Federal, as inserções falsas ocorreram entre novembro de 2021 e dezembro de 2022 e possibilitavam a condição de imunizado contra a covid-19 dos beneficiários do esquema para burlar restrições sanitárias vigentes no país e nos Estados Unidos.

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