Lages debate impacto de esmolas para moradores de rua
O cenário atual aponta para um aumento visível no número de pessoas vivendo nestas condições, o que gera angústia na comunidade
• Atualizado
A persistência e o crescimento da população em situação de rua têm mobilizado autoridades e a sociedade civil em Lages na busca por alternativas que equilibrem o atendimento humanitário e a organização do espaço urbano. Sem uma “receita pronta” para resolver a questão, o município vem adotando um conjunto de estratégias que passam pela assistência social direta e, agora, por uma nova legislação voltada à conscientização da população local.
Abordagem social e o desafio do crescimento da demanda
O trabalho das equipes de assistência social na cidade é contínuo. O foco dessas ações consiste em abordar, orientar e encaminhar cidadãos que ocupam marquises e viadutos para as estruturas de acolhimento existentes. No entanto, o cenário atual aponta para um aumento visível no número de pessoas vivendo nestas condições, o que gera angústia na comunidade e demanda novas frentes de atuação por parte do poder público.
As autoridades locais reconhecem que o problema é complexo e multifacetado. O objetivo central das abordagens é retirar o indivíduo da vulnerabilidade extrema, oferecendo serviços de saúde e reintegração. Contudo, a resistência de parte dessa população em aceitar o acolhimento institucional permanece como um dos principais obstáculos para a eficácia plena das políticas públicas do setor.
Lages; O Programa “Ajude de Verdade”: a esmola em debate
Como uma nova ferramenta para enfrentar essa realidade, no dia 16 de abril de 2026, foi instituída em Lages uma lei de autoria do vereador Pastor Marcelo Soares, sancionada pela prefeita Carmen Zanotto. A norma cria o programa “Ajude de Verdade, a Esmola Não Resolve”, já publicado no Diário Oficial. A iniciativa foca na educação do cidadão lageano, sugerindo que o ato de dar esmolas, embora pareça um gesto humanitário imediato, pode acabar sustentando vícios e mantendo o indivíduo em situação de rua por mais tempo.
A proposta do programa é converter a cultura da doação direta em um incentivo para que as pessoas em vulnerabilidade busquem as redes oficiais de apoio. Segundo a nova diretriz, o sucesso da medida depende da colaboração da sociedade em não realizar doações informais nas ruas, orientando, em vez disso, que os necessitados se dirijam aos centros de atendimento especializados. A medida não é apresentada como uma solução definitiva, mas como um caminho adicional para tentar minimizar os impactos sociais e urbanos na cidade.
Matéria em colaboração com Edson Varela.
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