Alho Roxo do Planalto Catarinense conquista selo do INPI
Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem beneficia 500 famílias
• Atualizado
O Alho Roxo do Planalto Catarinense obteve o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO). O reconhecimento nacional foi publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) nesta terça-feira (23), atestando que as propriedades da hortaliça estão vinculadas às condições naturais e ao saber tradicional da região.
O selo protege o patrimônio genético originário de Santa Catarina, que serviu de base para as variedades do grupo Chonan, comercializadas como o alho roxo brasileiro. A área delimitada pelo registro engloba sete municípios: Curitibanos, Frei Rogério, Brunópolis, Fraiburgo, Monte Carlo, Caçador e Lebon Régis. Ao todo, a atividade envolve 482 produtores, majoritariamente da agricultura familiar, que cultivam 1.314 hectares e entregam uma média de 12 mil toneladas do produto por ano.
Alho roxo: características e diferenciais
O alho roxo produzido na região destaca-se pela coloração visual, aroma persistente, sabor acentuado e longevidade de conservação pós-colheita. O produto apresenta elevada concentração de alicina, composto químico associado ao seu sabor pungente.
Segundo os dados técnicos, essa especificidade decorre do conjunto formado pelo solo, clima local, altitude das lavouras e pelas técnicas de manejo, como o processo de cura em barracões que chega a durar seis meses.
Articulação institucional
O requerimento para a obtenção do registro foi protocolado em novembro de 2024 pela Cooperativa Regional Agropecuária do Meio-Oeste Catarinense (COPAR). O processo foi estruturado de forma conjunta com os municípios contemplados e contou com o suporte técnico e institucional de diversas entidades:
- Associação Catarinense dos Produtores de Alho (ACAPA);
- Câmara Setorial do Alho de Santa Catarina;
- Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri);
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);
- Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária;
- Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SC).
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, ressaltou que a certificação funciona como um mecanismo de proteção histórica do patrimônio genético e serve de ferramenta mercadológica para agregar valor comercial e competitividade à produção regional, estimulando a sucessão familiar no campo.
Protagonismo estadual
Com a nova concessão, o estado de Santa Catarina passa a contabilizar 12 produtos e territórios portadores de Indicações Geográficas homologadas pelo INPI. O novo registro soma-se a outras certificações já existentes no território catarinense, como os Vinhos de Altitude, a Maçã Fuji de São Joaquim, o Queijo Artesanal Serrano, o Mel de Melato de Bracatinga e o Frescal de São Joaquim.
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