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Polícia Federal investiga se Vorcaro investiu R$ 4,3 milhões em negócio ligado à prostituição

Mulheres de diferentes nacionalidades eram levadas para eventos privados, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Polícia Federal investiga se Vorcaro investiu R$ 4,3 milhões em negócio ligado à prostituição | Foto: Divulgação/Banco Master
Polícia Federal investiga se Vorcaro investiu R$ 4,3 milhões em negócio ligado à prostituição | Foto: Divulgação/Banco Master

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em uma rede internacional de prostituição que recrutava mulheres estrangeiras para eventos privados. Segundo dados divulgados nesta nesta terça-feira (13), o banqueiro atuava nos bastidores de uma agência usada para organizar a contratação das mulheres e tinha preferência por estrangeiras, incluindo refugiadas.

De acordo com a investigação jornalística, o esquema começou em 2023 e envolvia intermediários, uma agência de eventos em São Paulo e festas realizadas no Brasil e no exterior. A investigação aponta também que os investimentos identificados somam pelo menos R$ 4,3 milhões.

Mensagens trocadas entre Vorcaro e pessoas envolvidas na operação indicariam que ele participava da escolha das mulheres, autorizava pagamentos e decidia quem seria mantida ou dispensada do grupo.

Refugiadas estrangeiras eram levadas para eventos privados de Vorcaro

A reportagem relata que mulheres de diferentes nacionalidades eram levadas para eventos privados, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.

Entre os casos descritos está o de uma jovem ucraniana de 19 anos que havia deixado seu país em meio à guerra. Segundo as mensagens obtidas pelo UOL, os envolvidos discutiam a permanência dela no Brasil e a possibilidade de incluí-la na agência.

As conversas também mostram discussões sobre passagens aéreas, hospedagens, contratação e seleção das mulheres. A apuração aponta que a situação de vulnerabilidade de algumas estrangeiras era conhecida pelos envolvidos.

Agência teria sido usada para organizar o negócio

Segundo a reportagem, Vorcaro teria negociado a compra de uma participação de 50% na Allure Eventos, agência que seria utilizada para intermediar a contratação das mulheres. Um contrato previa o pagamento de R$ 1,5 milhão.

Mensagens analisadas pelos jornalistas mencionam pagamentos parcelados de R$ 500 mil. No entanto, Felipe Nisti Cataldo, apontado como proprietário da empresa, afirmou ao UOL que Vorcaro demonstrou interesse no negócio, mas que a negociação não avançou. Ele também negou o acordo descrito nas conversas.

A operação contava ainda com intermediários responsáveis pela logística dos eventos, incluindo reservas de voos, hotéis e contratação de mulheres em diferentes países.

A reportagem identificou 21 faturas emitidas entre abril de 2024 e março de 2025, que somavam cerca de US$ 70 milhões. Os documentos estavam relacionados a despesas descritas como eventos, hospedagem, hospitalidade e fretamentos. Esse montante corresponde às faturas identificadas pela reportagem, não necessariamente ao valor destinado exclusivamente à contratação de mulheres.

Polícia Federal investiga possíveis crimes de Vorcaro e ligação do banqueiro com prostituição

De acordo com o UOL, a Polícia Federal abriu um inquérito em maio para apurar a participação de mulheres estrangeiras nos eventos e possíveis irregularidades na contratação dos serviços.

A investigação também busca esclarecer se houve crimes relacionados à exploração sexual ou ao tráfico internacional de pessoas. A caracterização de tráfico de pessoas depende da análise das circunstâncias e dos elementos previstos na legislação.

No Brasil, a prostituição de adultos, por si só, não é crime. Já a exploração sexual e determinadas formas de intermediação ou favorecimento da prostituição podem configurar crimes, conforme as circunstâncias do caso.

A existência de mensagens e registros financeiros não significa, por si só, que todos os crimes investigados estejam comprovados.

Investigados não responderam à reportagem

O UOL informou que os principais intermediários citados na apuração não responderam aos contatos da reportagem. Felipe Nisti Cataldo, por sua vez, negou que a negociação da participação na agência tenha sido concluída.

A investigação da Polícia Federal continua responsável por apurar os fatos e esclarecer a eventual responsabilidade dos envolvidos.

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