Governo Trump coloca Brasil em lista de países sob risco de desvio de produtos chineses
Relatório divulgado nesta quinta-feira (13) aponta o Brasil entre países que podem ser usados para evitar tarifas
• Atualizado
O Brasil foi incluído pelo governo de Donald Trump em uma lista de mais de 40 países considerados de risco elevado para o chamado “transshipment” ilegal, prática que consiste em enviar mercadorias para um terceiro país antes de exportá-las aos Estados Unidos, com o objetivo de evitar tarifas e outras medidas comerciais.
A classificação consta em um relatório divulgado pela Casa Branca nesta quinta-feira (13). Segundo o documento, o Brasil possui uma “integração econômica significativa com a China” e poderia ser utilizado como plataforma para o desvio de produtos ligados ao país asiático.
Além do Brasil, o relatório cita países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã, que também teriam relações semelhantes com produtos ligados à China. Esses países foram incluídos no nível 2 da chamada “rede oculta de transbordo” chinesa.
O que é transshipment?
O termo “transshipment” pode ser traduzido como transbordo. Na prática, ocorre quando uma mercadoria é enviada para um terceiro país antes de chegar ao destino final.
A preocupação dos Estados Unidos é que esse caminho seja utilizado para evitar tarifas ou outras medidas comerciais aplicadas a determinados produtos, especialmente os ligados à China.
Segundo a Casa Branca, os países classificados no nível 2 possuem escala industrial, capacidade portuária, infraestrutura de fornecimento, capacidade de produção ou estrutura logística suficiente para movimentar grandes volumes de produtos ligados à China para o comércio americano.
Produtos ligados à China
O relatório também explica que a expressão “produtos ligados à China” não significa necessariamente que as mercadorias tenham sido fabricadas no país.
Segundo o documento, são produtos que apresentam indícios de origem, controle ou influência econômica chinesa.
A Casa Branca afirma que as suspeitas sobre o aumento do transbordo ilegal estão relacionadas às mudanças no fluxo de importações dos Estados Unidos depois das tarifas impostas sobre produtos chineses a partir de 2018.
O relatório aponta que, enquanto a participação direta da China nas importações americanas diminuiu, aumentou a participação conjunta de países identificados como possíveis pontos de transbordo.
No entanto, o próprio documento ressalta que esse movimento não é explicado apenas por práticas ilegais. Segundo a análise, também houve mudanças legítimas na produção, nos investimentos e nas cadeias de fornecimento internacionais.
*Com informações de SBT News.
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