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MONITORAMENTO

Litoral de SC registra mais de 400 ocorrências de pinguins-de-Magalhães em julho

Desse total, 389 animais foram encontrados mortos e 15 resgatados vivos

• Atualizado

Talita de Andrade

Por Talita de Andrade

Litoral de SC registra mais de 400 ocorrências de pinguins-de-Magalhães em julho | Foto: Divulgação
Litoral de SC registra mais de 400 ocorrências de pinguins-de-Magalhães em julho | Foto: Divulgação

Os pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) continuam marcando presença no litoral catarinense. As equipes do Trecho 1 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), registraram 695 ocorrências da espécie nas praias monitoradas entre os Molhes da Barra, em Laguna, e a Praia do Luz, em Imbituba.

Ao todo, 652 animais foram encontrados mortos e 43 foram resgatados vivos, recebendo atendimento veterinário especializado.

Litoral de SC registra mais de 400 ocorrências

Apenas durante este mês de julho, época de maior intensidade de migração da espécie pela costa do Brasil, 404 ocorrências foram registradas. Desse total, 389 animais foram encontrados mortos e 15 resgatados vivos. Em Laguna, foram contabilizados 167 pinguins,160 mortos e sete vivos, enquanto Imbituba registrou 237 ocorrências, 229 pinguins mortos e oito vivos.

Entre as praias com maior registro de ocorrências em julho estão:

  • Itapirubá Norte e Praia da Vila – 134
  • Praia do Sol e Itapirubá Sul – 92
  • Praia da Ribanceira e Ibiraquera – 49
  • Praia do Mar Grosso – 39
  • Praia do Gi – 36
  • Praia do Porto – 35
  • Praia do Luz – 13
  • Barra de Ibiraquera – 6

Apesar de impressionar, o número de ocorrências está entre o esperado para essa época do ano. Os pinguins-de-Magalhães se reproduzem em colônias localizadas principalmente na Argentina, Chile e Ilhas Malvinas. Ao fim do período reprodutivo, milhares de indivíduos iniciam uma extensa migração em busca de alimento, percorrendo milhares de quilômetros pela costa da América do Sul e alcançando o litoral brasileiro entre os meses de inverno.

A estimativa é de que a espécie possua aproximadamente 1,3 milhão de pares reprodutivos espalhados por dezenas de colônias na Patagônia. Ao longo da viagem os animais costumam enfrentar desafios como escassez de alimento, tempestades, correntes marítimas intensas e o grande desgaste energético provocado pelo deslocamento, principalmente os indivíduos jovens que fazem a primeira migração. Como consequência disso, parte dos animais não consegue completar a jornada e acaba chegando debilitada ou sem vida às praias.

Resgate dos pinguins no litoral

O resgate de um pinguim encontrado vivo é feito pelas equipes do PMP-BS, que o encaminham à Unidade de Estabilização de Fauna Marinha da Udesc, em Laguna, onde o animal recebe atendimento veterinário especializado.

De acordo com a médica-veterinária Dra. Adriana Silva Albuquerque, grande parte dos animais resgatados possui a chamada Síndrome do Pinguim Encalhado, um conjunto de alterações clínicas frequentemente observado durante a migração.

“Na maioria das vezes, os pinguins que chegam vivos até nós estão muito debilitados. Eles apresentam um quadro que chamamos de Síndrome do Pinguim Encalhado, caracterizado principalmente por desnutrição, desidratação, hipotermia e exaustão, consequência da longa migração. Também é comum observarmos alterações respiratórias e parasitoses, que estão entre as principais causas de mortalidade nesses animais. Grande parte dos pinguins resgatados é composta por juvenis, que estão realizando sua primeira migração e ainda têm pouca experiência. Alguns também podem apresentar alterações na impermeabilização das penas ou sinais de interação com atividades humanas, como pesca e resíduos sólidos. Cada animal passa por uma avaliação clínica individualizada para que possamos definir o tratamento mais adequado e oferecer as melhores chances de recuperação”, explica Adriana.

O atendimento pode incluir aquecimento, hidratação, alimentação assistida, exames laboratoriais e tratamentos específicos. Apenas após recuperar o peso corporal, a condição física e a impermeabilização da plumagem, os pinguins considerados aptos são devolvidos ao ambiente natural, em locais e condições adequadas para que possam retomar a migração.

Foto: Divulgação

Os animais que são encontrados mortos também ganham um papel importante na pesquisa científica. Quando as condições da carcaça permitem, são realizadas necropsias e coletas de amostras biológicas, que contribuem para o monitoramento da saúde da fauna marinha e para a identificação das principais causas de mortalidade da espécie no litoral brasileiro.

Segundo a assistente técnica do Trecho 1 do PMP-BS, Ma. Samira Effting, “julho é tradicionalmente um dos meses com maior ocorrência de pinguins-de-Magalhães no litoral catarinense. Apesar do número expressivo de registros, essa mortalidade faz parte da dinâmica natural de uma população composta por mais de um milhão de pares reprodutivos. O monitoramento realizado pelo PMP-BS entre Santa Catarina e Rio de Janeiro é fundamental para acompanhar esse processo e identificar possíveis alterações que possam estar relacionadas a impactos ambientais ou ações de origem antrópica”.

O que fazer?

A orientação ao encontrar um pinguim vivo ou morto na praia é de não toca-lo, nem tentar devolvê-lo ao mar. Os animais que aparentam estar saudáveis podem estar extremamente debilitados e precisando de atendimento veterinário. Além disso, é importante manter distância, evitar aglomerações, impedir a aproximação de animais domésticos e acionar imediatamente a equipe do PMP-BS pelo telefone 0800 642 3341.

As equipes estão preparadas para realizar o resgate de animais vivos e o recolhimento das carcaças para os procedimentos técnicos e científicos necessários.

Projeto

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma iniciativa executada no âmbito do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), como condicionante das atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural pela Petrobras.

O projeto é desenvolvido ao longo do litoral dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde equipes especializadas realizam o monitoramento sistemático das praias, o resgate e atendimento de animais marinhos debilitados, o registro e recolhimento de animais encontrados mortos, além da coleta de dados que subsidiam pesquisas científicas e ações voltadas à conservação da fauna marinha.

Em Santa Catarina, o Trecho 1 é executado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), responsável pelo monitoramento diário das praias entre os Molhes da Barra, em Laguna, e a Praia do Luz, em Imbituba.

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

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