Egito x Irã vira “Jogo do Orgulho” e gera polêmica na Copa do Mundo
Duelo da Copa em Seattle coincide com a Parada LGBTQIAPN+ e gera reação das federações de Egito e Irã
• Atualizado
Egito e Irã entram em campo na madrugada deste sábado (27), à 0h (horário de Brasília), em Seattle, nos Estados Unidos, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Além da disputa por uma vaga no mata-mata, a partida ganhou repercussão por um motivo fora das quatro linhas.
O confronto foi batizado pelo comitê organizador local como “Jogo do Orgulho” (Pride Match, em inglês), por acontecer no mesmo fim de semana da tradicional Parada LGBTQIAPN+ de Seattle, realizada há mais de 50 anos e considerada uma das maiores dos Estados Unidos.
Nome do evento foi definido antes do sorteio da Copa
De acordo com a organização local, a programação especial para o fim de semana do Orgulho foi planejada antes mesmo do sorteio dos grupos da Copa do Mundo.
Somente meses depois ficou definido que Egito e Irã fariam justamente a partida marcada para a data. Os dois países possuem legislações que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo.
Após a definição do confronto, as federações de futebol de Egito e Irã manifestaram à Fifa oposição à associação da partida com as celebrações do Orgulho.
A Federação Egípcia de Futebol afirmou que iniciativas ligadas ao movimento LGBTQIAPN+ entram em conflito com os valores culturais e religiosos do país. Já a federação iraniana solicitou que atividades promocionais relacionadas ao tema não fossem realizadas dentro do estádio.
Fifa esclarece que iniciativa é da cidade de Seattle
A Fifa informou que o “Jogo do Orgulho” não integra a programação oficial da entidade e que a iniciativa é de responsabilidade exclusiva do comitê organizador de Seattle.
A entidade também reiterou que a Copa do Mundo é um evento inclusivo e que torcedores de diferentes origens são bem-vindos aos estádios. Segundo a Fifa, bandeiras do arco-íris e outros símbolos ligados aos direitos humanos, orientação sexual e identidade de gênero são permitidos nas arquibancadas, desde que respeitem o código de conduta da competição.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, já havia afirmado anteriormente que os eventos promovidos em Seattle são independentes da organização do Mundial.
Seattle mantém programação do fim de semana
Apesar das manifestações das federações de Egito e Irã, a cidade manteve toda a programação prevista para o fim de semana do Orgulho.
Além da tradicional Parada LGBTQIAPN+, Seattle promove encontros entre torcedores, atrações culturais e eventos paralelos relacionados à celebração, que ocorre anualmente no fim de junho.
Para Hedda McLendon, integrante do comitê organizador local da Copa, a coincidência entre o calendário do Mundial e a celebração anual não altera a identidade da cidade.
“A Copa do Mundo vai passar em poucas semanas. A celebração do Orgulho acontece neste fim de semana há mais de 50 anos e continuará existindo depois do torneio“, afirmou à Reuters.
Representantes da comunidade LGBTQIAPN+ de Seattle também avaliam que a realização da partida durante o fim de semana da Parada representa uma oportunidade para apresentar a cultura local aos visitantes que acompanham o maior torneio de futebol do planeta.
*Texto com informações do SBT News
Leia Mais
Quer receber notícias no seu whatsapp?
EU QUERO