João Santana diz que Brasil é mais pragmático do que ideológico em palestra no Summit Cidades
Conhecido por atuar em campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, defendeu a tese de que o Brasil não vive uma polarização
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Uma das palestras mais aguardadas da sexta edição do Summit Cidades, em Florianópolis, reuniu um grande público nesta quarta-feira (24). O marqueteiro político João Santana, conhecido por atuar em campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, defendeu a tese de que o Brasil não vive uma polarização ideológica estrutural, como frequentemente é apontado por analistas e observadores da política nacional.
Durante sua participação no palco Compol, Santana classificou a polarização brasileira como uma “jabuticaba” e argumentou que o comportamento do eleitorado no país é marcado mais pelo pragmatismo do que por alinhamentos ideológicos rígidos.
“Nosso eleitor combina, carnavalescamente, elementos tradicionalmente associados à esquerda e à direita. O mesmo eleitor pode defender o Bolsa Família e desejar menos impostos. Apoiar a polícia e defender o SUS forte. Ser contra privatizações e admirar empresários”, afirmou.
Comparação com os Estados Unidos
Ao desenvolver sua análise, João Santana comparou o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, país que considera um dos principais exemplos de polarização política.
Segundo ele, em sociedades genuinamente polarizadas existe uma forte coerência ideológica entre os eleitores. Como exemplo, citou que um eleitor republicano tende a compartilhar posições semelhantes sobre economia, costumes, impostos, porte de armas e aborto.
No Brasil, entretanto, Santana avaliou que as preferências políticas e eleitorais não seguem esse mesmo padrão de consistência ideológica.
“Somos uma sociedade mais pragmática do que ideológica”, resumiu.
Fenômeno eleitoral, não sociológico
O marqueteiro também atribuiu parte da percepção de polarização à presença de duas lideranças políticas nacionais de forte apelo popular, que dominaram o debate público ao longo dos últimos anos.
Para ele, esse cenário levou a uma interpretação equivocada da realidade brasileira.
“A polarização, a calcificação, seja como chamam, é uma espécie de ‘wokismo’ da análise eleitoral brasileira, que tenta transformar inclinações de votos em categorias sociológicas permanentes”, disse.
Santana argumentou ainda que pouco mais de uma década é um período insuficiente para consolidar conclusões definitivas sobre transformações profundas na estrutura social e política do país.
‘Sociedade moderada com elites conflituosas’
Ao longo da palestra, João Santana afirmou que o Brasil estaria mais próximo de uma sociedade moderada do que de uma nação dividida em dois campos ideológicos irreconciliáveis.
“O que se chama de polarização estrutural não passa de duas bolhas minoritárias, uma conservadora e outra progressista, que influenciam eleitoralmente amplas camadas da população”, analisou.
Segundo ele, o fenômeno observado atualmente é predominantemente eleitoral, e não necessariamente ideológico ou sociopolítico.
Nesse contexto, Santana destacou que o personagem central da política brasileira não é o militante, mas o eleitor comum, pouco engajado politicamente e mais preocupado com resultados concretos em áreas como economia, emprego, segurança e serviços públicos.
Ele também citou a longevidade do chamado Centrão como um indicativo de que o país não estaria dividido em dois blocos ideológicos fixos.
Referência aos atos de 8 de janeiro
Encerrando sua participação no Summit Cidades, João Santana utilizou os atos de 8 de janeiro de 2023 para reforçar sua tese.
“Se o Brasil estivesse realmente dividido em dois campos ideológicos irreconciliáveis, a partir daquele dia o país entraria em guerra civil”, afirmou.
Summit Cidades reúne mais de 600 atrações
O Summit Cidades segue até quinta-feira (25) no CentroSul, em Florianópolis. Considerado um dos maiores eventos do país voltados à gestão pública, inovação, governança e desenvolvimento urbano, o encontro reúne 680 atrações distribuídas em 12 palcos.
A programação inclui palestras, workshops, painéis temáticos e apresentações culturais, reunindo gestores públicos, especialistas, empresários e lideranças de diferentes regiões do Brasil.
O evento é realizado pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), pelo Consórcio Interfederativo Santa Catarina (CINCATARINA) e pelo Consórcio de Inovação na Gestão Pública (Ciga), com correalização do Sistema Fecomércio SC.
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