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ESPECIALISTA EXPLICA

Jovens e política: o que explica o interesse ou afastamento dessa parcela do eleitorado?

Uma das explicações para a redução da participação eleitoral entre os mais jovens está relacionada à própria composição da população brasileira

• Atualizado

Redação

Por Redação

Jovens e a política | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Jovens e a política | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A participação dos jovens na política brasileira é influenciada por diferentes fatores, que vão desde mudanças demográficas até a percepção de representatividade e o ambiente em que esses eleitores estão inseridos. Apesar de serem uma das parcelas mais presentes nas redes sociais e nos debates digitais, os jovens nem sempre transformam esse interesse em participação no processo eleitoral.

Segundo a cientista política Maria Gabriela Mazzarella, docente da Estácio, uma das explicações para a redução da participação eleitoral entre os mais jovens está relacionada à própria composição da população brasileira.

“Primeiramente, a questão demográfica, uma diminuição no número de jovens mesmo na população”, explica.

Especialista explica a relação dos jovens com a política

Outro fator apontado pela especialista é a representatividade política. A idade média dos candidatos nas últimas eleições ficou em torno de 49 anos, o que pode dificultar a identificação dos eleitores mais jovens com os nomes que disputam os cargos públicos.

“Como é que os jovens, de certa forma, vão conseguir se sentir representados por pessoas que talvez tenham visão de um mundo diferente, perspectivas diferentes?”, questiona Maria Gabriela.

Voto entre jovens de 16 e 17 anos

A participação eleitoral também é influenciada pelo fato de que, no Brasil, o voto é facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos. Mesmo com a forte presença dessa faixa etária nas redes sociais, isso não significa necessariamente que exista o mesmo nível de interesse pelas eleições.

Para a cientista política, a aproximação realizada por partidos políticos e outras instituições pode contribuir para estimular a participação desse público, principalmente por meio de ações de conscientização sobre a importância do voto e da participação política.

A especialista ressalta, porém, que uma eventual redução no número de jovens que comparecem às urnas não significa que essa parcela da população esteja completamente afastada da política.

“O número pode ter diminuído agora, na questão deles aderirem ao voto. Mas, quando essa população vai às urnas, é um número significativo”, afirma.

Família e escola influenciam participação

A relação dos jovens com a política também começa antes do período eleitoral. Ambientes como família, escola e comunidade podem ter papel importante na formação do interesse pela vida pública.

De acordo com Maria Gabriela, esses espaços contribuem para que os jovens compreendam seu papel como agentes políticos e participantes da chamada esfera pública, onde são discutidas questões que afetam a sociedade. “A família tem essa contribuição em fazer engajar o jovem ou até mesmo afastá-lo da política”, afirma.

A comunidade também pode contribuir para esse processo ao criar oportunidades de participação e debate, ajudando os jovens a desenvolverem uma percepção de pertencimento em relação à vida pública.

Polarização pode contribuir para o afastamento

Outro aspecto apontado pela especialista é o chamado esvaziamento da esfera pública. Para Maria Gabriela, a redução dos espaços de diálogo e participação pode dificultar a aproximação das novas gerações com a política.

Nesse cenário, a polarização também pode influenciar a relação dos jovens com o tema. Quando o debate político passa a ser associado principalmente a conflitos e confrontos, o ambiente pode deixar de ser percebido como um espaço de diálogo e construção de ideias.

Por isso, compreender a relação dos jovens com a política vai além de observar quantos comparecem às urnas. É necessário considerar também como essa parcela da população se informa, participa de debates e percebe sua própria representação na sociedade.

Para Maria Gabriela, o desafio é criar condições para que os jovens reconheçam a participação política como parte da vida em sociedade, independentemente de posições partidárias ou ideológicas.

A aproximação desse público envolve diferentes espaços, como as redes sociais, a família, a escola, a comunidade e as próprias instituições políticas. “A participação dos jovens pode revelar muita coisa”, conclui a especialista.

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