Você conta tudo para a IA? Especialista alerta sobre dados que nunca devem ser compartilhados
Uso da inteligência artificial cresce, mas compartilhar senhas, documentos e informações pessoais pode representar riscos à privacidade
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A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de pessoas. Ela ajuda a escrever e-mails, resumir documentos, organizar tarefas, responder dúvidas e até servir como companhia para quem deseja conversar. Mas, à medida que o uso dessas ferramentas cresce, também aumenta uma preocupação: até que ponto é seguro compartilhar informações pessoais com uma IA?
Segundo o advogado especializado em direito digital Danilo Melo, o primeiro passo antes de utilizar qualquer plataforma é entender como ela trata os dados dos usuários.
“É importante consultar a política de privacidade e os termos de uso. Se a plataforma não apresenta essas informações, esse já é um sinal de alerta, porque o usuário precisa saber se os dados podem ser utilizados e para quais finalidades”, explica.
Esses documentos informam, por exemplo, se as conversas podem ser utilizadas para aprimorar os sistemas, quais medidas de proteção são adotadas e quais opções de privacidade estão disponíveis.
Quais informações não devem ser compartilhadas?
Mesmo com mecanismos de segurança cada vez mais sofisticados, alguns dados nunca devem ser enviados a uma plataforma de inteligência artificial.
Entre eles estão senhas, documentos pessoais, informações bancárias, dados sensíveis e qualquer conteúdo confidencial que possa causar prejuízo caso seja exposto.
“As informações que nunca devem ser compartilhadas são senhas, dados pessoais sensíveis e qualquer informação de caráter estritamente pessoal. Em caso de vazamento, esses dados podem ser utilizados com finalidades criminosas”, alerta o especialista.
O cuidado também vale para o ambiente corporativo. Embora a IA possa facilitar tarefas como revisar contratos ou resumir documentos, o ideal é remover informações que identifiquem clientes, empresas ou negociações antes de enviar qualquer arquivo.
IA não substitui profissionais
Outro comportamento cada vez mais comum é recorrer à inteligência artificial para pedir conselhos ou relatar problemas pessoais.
Para Danilo Melo, quanto mais íntima for a informação compartilhada, maior deve ser a cautela.
“Quanto mais pessoal e sigilosa for a informação, maior deve ser o cuidado. A partir do momento em que esse conteúdo é enviado para uma inteligência artificial, você perde parte do controle sobre ele. Mesmo plataformas que contam com mecanismos robustos de proteção não estão totalmente livres do risco de um incidente de segurança.”
Além da privacidade, o advogado chama atenção para outro ponto: a confiança excessiva nas respostas geradas pela tecnologia.
Segundo ele, a inteligência artificial é uma ferramenta de apoio, mas não deve ser considerada uma fonte definitiva de informação, principalmente em assuntos que envolvem saúde, direito, finanças ou outras áreas especializadas.
Nesses casos, as respostas podem servir como ponto de partida, mas precisam ser confirmadas por profissionais qualificados.
Como usar a IA com segurança
Para o especialista, a inteligência artificial pode trazer ganhos de produtividade e facilitar diversas atividades do dia a dia, desde que seja utilizada com responsabilidade.
Antes de compartilhar qualquer informação, ele recomenda fazer uma reflexão simples: se aquele conteúdo fosse divulgado publicamente, causaria algum prejuízo para você, para outra pessoa ou para a empresa?
Se a resposta for sim, o mais seguro é não incluí-lo na conversa com a inteligência artificial.
Com informações de SBT News.
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