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MAPA DO CRIME

Região vizinha de SC lidera roubos de cargas e medicamentos viram novo alvo dos ladrões

Região Sudeste, vizinha do Sul do Brasil, concentra 78,2% das perdas, enquanto medicamentos saltaram de 1,7% para 22,3% dos roubos em 2026

• Atualizado

Olga Helena de Paula

Por Olga Helena de Paula

Região vizinha de SC lidera roubos de cargas e medicamentos viram novo alvo dos ladrões | Foto: Canva
Região vizinha de SC lidera roubos de cargas e medicamentos viram novo alvo dos ladrões | Foto: Canva

A região Sudeste, vizinha do Sul do Brasil, concentrou 78,2% das perdas causadas por roubos de cargas no primeiro trimestre de 2026. Dentro desse cenário, o Rio de Janeiro aparece em destaque e sozinho respondeu por 44% dos prejuízos registrados no país.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra uma mudança no perfil das cargas mais visadas. Os medicamentos passaram de 1,7% das perdas no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período de 2026.

Os dados fazem parte do Report de Roubo de Cargas – 1º Trimestre de 2026, produzido pela nstech. O estudo reúne informações de empresas de gerenciamento de risco integradas ao TNS (Transportation Network System), plataforma da companhia.

Medicamentos ganham espaço entre as cargas roubadas

Região vizinha de SC lidera roubos de cargas e medicamentos viram novo alvo dos ladrões
Foto: nstech – Report de Roubo de Cargas – 1º Trimestre de 2026

A mudança mais expressiva no levantamento aparece na categoria de medicamentos. Em apenas um ano, a participação desse tipo de carga nas perdas passou de 1,7% para 22,3%.

O crescimento supera 20 pontos percentuais. Além disso, em 2024, os medicamentos representavam apenas 0,2% das perdas registradas no período analisado.

Segundo a nstech, produtos farmacêuticos chamam a atenção do crime organizado por terem alto valor agregado, facilidade de comercialização e possibilidade de retorno financeiro rápido.

Outro dado chama atenção: entre as cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão, os medicamentos representaram 44,4% das perdas no primeiro trimestre de 2026.

Cigarros perdem espaço entre as cargas roubadas

Enquanto os medicamentos avançaram, os cigarros perderam participação significativa.

No primeiro trimestre de 2025, a categoria representava 34,1% das perdas. Já no mesmo período de 2026, caiu para 3,7%.

Por outro lado, cargas diversas e fracionadas passaram de 28,4% para 36,6%. Os produtos alimentícios também continuaram entre os principais alvos, embora tenham recuado de 23,6% para 21,9%.

Os eletrônicos representaram 3,2% das perdas em 2026, contra 5,4% no ano anterior. Já a categoria têxtil apareceu com 5,3% no primeiro trimestre deste ano.

Rio de Janeiro concentra 44% das perdas no Brasil

O Rio de Janeiro foi o estado com maior participação nas perdas nacionais por roubo de cargas no primeiro trimestre de 2026, segundo o levantamento.

O estado respondeu por 44% das perdas, enquanto São Paulo ficou com 28,1%. Bahia apareceu com 9,2%, Pernambuco com 6,4% e Minas Gerais com 5,3%.

Além disso, o cenário mudou bastante em relação ao primeiro trimestre de 2025. Naquele período, o Rio de Janeiro representava 16,4% das perdas nacionais. Agora, a participação chegou a 44%.

São Paulo também teve aumento, mas em proporção menor, passando de 23,6% para 28,1%.

Sudeste concentra quase 80% dos roubos

Região vizinha de SC lidera roubos de cargas e medicamentos viram novo alvo dos ladrões
Foto: nstech – Report de Roubo de Cargas – 1º Trimestre de 2026

A concentração regional reforça o peso do Sudeste no cenário nacional.

No primeiro trimestre de 2026, a região respondeu por 78,2% das perdas com roubos de cargas. No mesmo período de 2025, o índice era de 61%.

Na sequência, o Nordeste concentrou 20,2% das perdas, contra 13,7% no ano anterior.

Já a região Sul representou 1,2% das perdas, enquanto o Centro-Oeste ficou com 0,4%. O Norte não registrou participação no primeiro trimestre de 2026.

No ano anterior, por outro lado, o Norte havia concentrado 20,2% das perdas, principalmente por causa dos registros no Pará.

Sul perde espaço, mas Santa Catarina concentra maior parte das perdas

Enquanto o Sudeste ampliou a participação nos prejuízos nacionais, o Sul do Brasil perdeu espaço no levantamento da nstech.

A região passou de 5,1% das perdas no primeiro trimestre de 2025 para 1,2% no mesmo período de 2026. O índice, portanto, voltou ao mesmo patamar registrado no primeiro trimestre de 2024.

Dentro da região, Santa Catarina respondeu por 0,9% de todo o prejuízo nacional com roubos de cargas no primeiro trimestre de 2026. O percentual representa um aumento em relação aos 0,1% registrados no mesmo período de 2025.

Com isso, Santa Catarina concentrou a maior parte das perdas registradas no Sul durante o primeiro trimestre deste ano.

O Paraná, por sua vez, representou 0,3% dos prejuízos nacionais em 2026. O estado havia registrado 5,1% no primeiro trimestre de 2025 e voltou a um patamar próximo ao de 2024, quando representava 0,1%.

Já o Rio Grande do Sul não aparece na lista de estados com prejuízos registrados pelas empresas de gerenciamento de risco no primeiro trimestre de 2026.

Segundo o relatório, a redução da participação do Sul também mostra a mobilidade das quadrilhas, que podem mudar de território diante de maior resistência ou de oportunidades diferentes.

Roubos avançam nas áreas urbanas

O levantamento também aponta uma mudança no local onde os roubos acontecem.

A participação das áreas urbanas subiu de 18,9% no primeiro trimestre de 2025 para 38,5% em 2026.

No Rio de Janeiro, o cenário é ainda mais concentrado: 60,7% das perdas ocorreram em áreas urbanas.

Entre as rodovias, a BR-101 apareceu com a maior participação, concentrando 21,6% das perdas. A BR-116 ficou em segundo lugar, com 13%.

Também aparecem no levantamento a SP-354, com 5,6%, a BR-040, com 4,8%, e a BA-093, com 3,7%.

Quando mais ocorrem os roubos

O horário dos roubos também mudou entre os dois períodos analisados.

No primeiro trimestre de 2026, 28,6% das perdas aconteceram pela manhã, contra 23,8% em 2025.

A madrugada também ganhou espaço. O período entre a noite e o início da manhã passou de 12,4% para 28% das perdas.

Entre os dias da semana, a quinta-feira concentrou a maior parcela das perdas no primeiro trimestre de 2026, com 30% dos registros.

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