Polícia prende dois por maus-tratos e interdita canil com 200 animais no RS
Ao longo da fiscalização, a polícia constatou irregularidades sanitárias, além de sinais de maus-tratos
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu duas pessoas em flagrante por maus-tratos a animais, na quarta-feira (22), em Dois Irmãos. A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia local após uma denúncia anônima de um canil localizado no bairro Travessão.
De acordo com a polícia, a investigação a partir da denúncia revelou indícios de irregularidades no local. Com ajuda da Vigilância Sanitária municipal, da Associação de Proteção aos Animais do município e de médicas veterinárias, a equipe, coordenada pelo delegado Felipe Borba, cumpriu o mandado de busca e apreensão no estabelecimento.
Ao longo da fiscalização, a polícia constatou irregularidades sanitárias, além de sinais de maus-tratos, como atestado pelos profissionais envolvidos. No estabelecimento foram encontrados cerca de 200 animais, entre eles cães e gatos de alto valor comercial, que eram mantidos no interior e pátio do imóvel.
Polícia prende dois no RS
Entre os presos em flagrante, estavam um homem e uma mulher. Segundo a polícia, os dois já haviam sido detidos por práticas semelhantes, no âmbito da Operação Geisel, quando cinco pessoas foram presas por crimes similares.
Por conta da gravidade, a Vigilância Sanitária optou pela interdição do canil. Os animais foram apreendidos, deixando uma pessoa como depositória fiel e responsável pelos cuidados necessários.
Uma das médicas veterinárias que acompanhou a ação, apresentou um relatório técnico sobre as condições encontradas no estabelecimento. No relatório ela explicou que foram identificadas graves falhas estruturais, sanitárias e de bem-estar animal.
Irregularidades na estrutura
Em relação a infraestrutura, constatou-se a falta de piso impermeável e de um sistema adequado de drenagem. Também foi notado a inexistência de separação dos animais por espécie, idade e condição fisiológica, comprometendo as condições mínimas de manejo e higiene.
O canil também não possuía registros obrigatórios sobre ciclos de cio, coberturas, números de gestações por fêmea, idade dos animais ou o intervalo entre as gestações, pontos que divergem da legislação vigente, principalmente na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). Além disso, foi identificado que as fêmeas grávidas não eram mantidas em ambientes adequados e os animais não eram acompanhados por veterinários de forma regular, nem tinham registros de controle de parasitas internos e externos.
Durante a fiscalização, foi relatada a falta de uma área destinada à maternidade, ou de controle sobre o desenvolvimento dos filhotes, e ainda de monitoramento de peso. Foi constatado também a inexistência de comprovação de vacinação conforme a idade. Não havia garantia de permanência dos filhotes com as mães pelo período mínimo recomendado.
Fichas de informações básicas dos animais, como idade, sexo, histórico reprodutivo, vacinação, doenças ou tratamentos realizados, também não foram encontrados no local. Além disso, o controle alimentar não era feito de forma adequada às necessidades de cada espécie ou a fase da vida dos animais.
Em relação ao aspecto sanitário, não foram encontradas comprovações de vermifugação ou vacinação periódica, nem relatórios assinados por responsáveis técnicos. A ausência de controle de ectoparasitas como pulgas, carrapatos e ácaros, também foi notada durante a vistoria.
Maus-tratos contra cerca de 200 animais
Ainda segundo a profissional, os animais não estavam livres de dor, estresse, fome e desconforto e não se comportavam naturalmente, pontos que caracterizam maus-tratos.
Animais foram encontrados com quadros clínicos como diarreia, sarna e dermatites alégicas. O local estava superlotado e abrigava muitas espécies diferentes juntas, em um lugar com falha de higienização e falta de controle sanitário e reprodutivo.
A veterinária também constatou que não existiam condições mínimas de saneamento e limpeza no local, reforçando a prática de maus-tratos aos animais.
Investigação
O delegado Felipe Borba destacou o papel a investigação no caso, “estamos diante de uma situação de elevada reprovabilidade social, em que animais são submetidos a sofrimento em um contexto de exploração econômica. A atuação da Polícia Civil visa a interromper essa prática e a responsabilizar os envolvidos. Também é importante destacar que denúncias anônimas são levadas a sério e frequentemente constituem o ponto de partida para ações como esta, permitindo a pronta resposta do Estado diante de crimes dessa natureza”.
Os investigados seguem a disposição da Justiça e a polícia continua apurando os fatos. Informações podem ser repassadas à Delegacia de Dois Irmãos, pelo telefone 51-35846519 ou via WhatsApp 51-985437318, garantindo-se o anonimato.
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