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Memória da tragédia

VÍDEO: dois anos após enchentes no RS, cavalo Caramelo vive nova fase e atrai visitantes

O resgate do cavalo, que resistiu por dias isolado em meio à água, virou símbolo da luta pela vida em meio ao desastre

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Dois anos após enchentes no RS, cavalo Caramelo vive nova fase e atrai visitantes | Foto: Bruna Linck/Ascom Ulbra
Dois anos após enchentes no RS, cavalo Caramelo vive nova fase e atrai visitantes | Foto: Bruna Linck/Ascom Ulbra

Há dois anos, no alto de um telhado, cercado por água, incertezas e a dor da maior tragédia climática do Rio Grande do Sul, o cavalo Caramelo se tornou um símbolo que rodou o mundo. Hoje, o cenário é outro, o cavalo Caramelo trocou o isolamento e o risco pela tranquilidade, e até pelos holofotes e vive de forma tranquila e digna em uma universidade particular de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Na época, a tragédia comoveu o Brasil. A enchente devastou cidades inteiras, especialmente na Região Metropolitana de Porto Alegre e no Vale do Taquari, deixando 185 mortos, 23 desaparecidos, mais de 800 feridos e cerca de 2,3 milhões de pessoas afetadas. A comoção nacional gerou uma grande rede de solidariedade, com voluntários e doações vindos de diversas regiões.

Foi nesse contexto que Caramelo ganhou notoriedade. O resgate do cavalo, que resistiu por dias isolado em meio à água, virou símbolo da luta pela vida em meio ao desastre.

Hoje, longe do cenário de destração, o animal vive em uma universidade, com rotina tranquila e cuidados constantes. Segundo a equipe que cuida de Caramelo todos os dias, à noite, ele descansa em uma baia própria, Mas durante o dia, pasta livremente em um ambiente seguro.

Mesmo com a nova vida pacata, a fama segue presente. Caramelo passou a receber visitas e participar de eventos, atraindo pessoas interessadas em conhecer de perto o animal que virou símbolo nacional.

Cavalo para os gaúchos

No Rio Grande do Sul, os cavalos têm um papel que vai muito além da lida no campo. Eles sãoda identidade cultural gaúcha, profundamente ligados à história, às tradições e ao cotidiano da população.

A presença dos cavalos no Rio Grande do Sul vem do período colonial. De acordo com o historiador Rafael Silva, os primeiros animais chegaram com os colonizadores espanhóis e portugueses entre os séculos XVI e XVII. O historiador explica que ao longo do tempo, os cavalos se adaptaram perfeitamente aos campos do bioma Pampa. “Muitos desses cavalos se tornaram selvagens, formando grandes manadas que ajudaram a moldar a cultura e a economia da região”, observa.

O animal é símbolo do gaúcho, Silva salienta que até hoje o animal faz parte do dia a dia. “O cavalo está presente em atividades rurais, no manejo do gado e em manifestações culturais como cavalgadas e rodeios. A figura do animal representa resistência, parceria e tradição, valores que ajudam a explicar por que histórias como a de Caramelo ganham tanta repercussão e emoção no estado”, comenta.

Além do apelo trágico e do símbolo de uma tragédia climática, o cavalo Caramelo representa a superação individual e a ligação dos gaúchos com as suas raízes.

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