‘Um ano sem respostas’: filha que perdeu os pais em tragédia com balão em SC faz desabafo
Jovem relembrou a tragédia, questionou falhas apontadas ao longo das investigações e cobrou Justiça para as vítimas
• Atualizado
O trágico acidente com balão que deixou oito mortos em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, completa um ano neste domingo (21). A sobrevivente Luana Rocha usou as redes sociais para relatar a dor da perda dos pais e cobrar respostas sobre o caso.
Luana estava no momento do acidente e sobreviveu. Os pais dela, Janaina Moreira Soares da Rocha e Everaldo da Rocha, ambos de Joinville, morreram na tragédia.

Nas redes sociais, ela descreveu a dor vivida e disse que ainda aguarda resposta sobre as circunstâncias do acidente.
“Ao longo deste ano, nós, sobreviventes e familiares das vítimas, descobrimos fatos que tornam tudo ainda mais difícil de compreender. E eu estava lá. Eu vi. Vi o piloto deixar o balão. Vi pessoas desesperadas. Vi famílias serem destruídas em questão de minutos. Assim como a minha”, escreveu Luana.
Em outro trecho, ela reforça a demora da conclusão das investigações.
“Um ano sem respostas. Um ano sem a conclusão do inquérito. Um ano aguardando que a Justiça finalmente esclareça as responsabilidades e dê uma resposta às famílias das oito vítimas. Seguimos esperando.”
Relembre o acidente com balão em SC
A queda do balão ocorreu manhã de 21 de junho de 2025. De acordo com o Corpo de Bombeiros, oito pessoas morreram e 13 sobreviveram.
No momento da tragédia, 21 pessoas estavam a bordo, incluindo o piloto. Três vítimas fatais foram encontradas abraçadas.
A Secretaria de Comunicação do Estado confirmou que quatro corpos estavam carbonizados. As vítimas foram identificadas como:
- Médico oftalmologista Andrei Gabriel de Melo, de 34 anos, natural de Fraiburgo (SC);
- Médica Leise Herrmann Parizotto, da rede municipal de Blumenau;
- Leane Elizabeth Herrmann, de 70 anos;
- Everaldo da Rocha, de 53 anos;
- Janaína Moreira Soares da Rocha, de 46 anos;
- Juliane Jacinta Sawicki, de 36 anos;
- Fábio Luiz Izycki, de Erechim, no Rio Grande do Sul;
- Leandro Luzzi, de 33 anos, natural de Indaial.

Inquérito foi encerrado sem indiciados
A Polícia Civil chegou a concluir o inquérito que investigou o acidente sem indiciados. Segundo o relatório final, as perícias apontaram que o incêndio teve início quando uma chama atingiu a capa de proteção de um dos cilindros de propano, provocando uma queima rápida e intensa.
O fenômeno foi explicado pela composição do material, que gerou o chamado “gotejamento flamejante”, favorecendo a propagação do fogo em poucos instantes.
“Apesar de a perícia apontar a ação de uma chama aberta como causa do incêndio, o inquérito não encontrou provas suficientes de que houve conduta humana dolosa ou culposa que tenha provocado o sinistro. O acendedor auxiliar (maçarico), que poderia estar relacionado à ignição, foi encontrado dias após o acidente, fora de guarda oficial, o que rompeu a cadeia de custódia e impediu a comprovação de seu estado no momento do voo”, informou a Polícia Civil de Santa Catarina, em outubro de 2025.
Em novembro de 2025, a PCSC reabriu as investigações sobre a queda do balão. A decisão foi confirmada pelo delegado André Coltro.
A reabertura do caso ocorreu um dia após a exoneração do antigo delegado responsável, Rafael Gomes de Chiara, que atuava em Santa Rosa do Sul e havia concluído o inquérito.
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