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COMPLICAÇÕES GRAVES

Bebê morre com sinais de desnutrição e caso é investigado em SC

Samu apontou que responsáveis mencionaram preparo de café durante o atendimento ao bebê

• Atualizado

Sarah Falcão

Por Sarah Falcão

Foto: Ilustrativa/Canva
Foto: Ilustrativa/Canva

Um bebê de aproximadamente dois meses morreu na madrugada desta terça-feira (5), em São João Batista, na Grande Florianópolis. O caso é investigado pela Polícia Civil e envolve causas clínicas complexas apontadas pela perícia.

Samu considerou ligação como possível trote

De acordo com a Polícia Militar, o Samu recebeu uma ligação por volta das 3h50 da cuidadora da criança, que informou que o bebê estaria em parada cardiorrespiratória. A ligação foi considerada inicialmente como um trote, devido ao comportamento inadequado da mulher.

A mulher estava rindo durante a comunicação. Posteriormente, foi realizado um novo contato por meio de uma chamada de vídeo, e a médica plantonista do Samu confirmou a gravidade do caso. Foram repassadas orientações para o início das manobras de reanimação.

O Samu estima que a criança já se encontrava em parada cardiorrespiratória havia cerca de 20 minutos antes do primeiro contato com o serviço de emergência. As equipes de socorro se deslocaram até a residência, no bairrro Ribanceira do Sul, para atendimento médico.

Socorristas relatam ‘falta de preocupação’ dos responsáveis durante o atendimento

Durante o atendimento, a equipe médica relatou ter percebido a falta de preocupação dos responsáveis, que demonstravam interesses no preparo de café e compromissos de trabalho.

A criança foi encaminhada ao Hospital Monsenhor José Locks por volta das 5h15. O bebê já apresentava resfriamento cadavérico, pupilas midriáticas e não reagentes à luz, ausência de reflexos, sendo realizadas tentativas de reanimação com ventilação por ambu e máscara, totalizando três ciclos.

Apesar dos esforços das equipes, o óbito da criança foi declarado às 5h30. O médico afirmou que, durante a avaliação, foram observados sinais compatíveis com desnutrição, gradil costal exposto, presença de prega cutânea, baixo peso e mucosas ressecadas.

A mãe informou que trabalhava no período noturno e deixou o filho sob os cuidados da babá. Por volta das 4h, ela recebeu ligação da cuidadora pedindo que se deslocasse até o hospital.

Já a cuidadora relatou que acordou por volta das 3h50 para alimentar o bebê, momento em que percebeu que a criança já se encontrava fria. Ela disse que entrou em contato com o Samu e que a primeira ligação “não foi considerada”.

No entanto, no segundo contato, foram passadas orientações para realização de manobras de reanimação até a chegada da equipe de socorro.

O Conselho Tutelar informou que foi acionado pelo hospital, após a entrada da criança em óbito sem a presença de responsável legal. O órgão relatou que, ao verificar o endereço, constatou a existência de registros anteriores de possíveis violações envolvendo a residência, onde a babá também prestava atendimento a outras crianças.

Diante dos fatos, a mãe da criança e a cuidadora foram conduzidas até a Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais cabíveis.

Investigação da Polícia Civil

Conforme a Polícia Civil, após análise do depoimento técnico prestado pelo médico legista responsável pelo exame cadavérico, não foram identificados elementos suficientes para justificar a prisão em flagrante da mãe e da babá.

O perito afirmou que a criança pesava ente 1,9 kg a 1,95 kg, valor abaixo do esperado para a idade. No entanto, esclareceu que essa condição não pode, neste momento, ser atribuída a omissão de cuidados por parte da mãe ou da cuidadora.

Segundo o médico legista, o baixo peso pode estar relacionado a prematuridade, condição congênita ou síndrome genética, especialmente diante dos sinais externos constatados no exame cadavérico.

O perito destacou a existência de fenda palatina (abertura no céu da boca), micrognatia (mandíbula menor que o normal) e crânio de tamanho reduzido. A confirmação de relação depende de análise do histórico médico da criança e de documentos hospitalares.

Perícia não apontou maus-tratos

Além disso, não foram encontrados indícios de maus-tratos, como lesões externas ou internas, nem indícios de asfixia por conteúdo alimentar na via respiratória.

“O exame cadavérico realizado não identificou resíduo sólido ou líquido nas vias aéreas da criança, o que afasta, neste primeiro momento, a demonstração objetiva de que o óbito tenha decorrido de uma conduta negligente imediatamente relacionada à alimentação ou à aspiração de alimento”, diz o relatório da Polícia Civil.

A hipótese de morte súbita não foi descartada e será avaliada. Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguirão diante da complexidade do quadro clínico e da necessidade de esclarecimento da causa da morte.

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