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CASO EM APURAÇÃO

Prefeitura se manifesta após Bebê de 45 dias morrer em hospital de Camboriú

Família afirma que criança recebeu medicação em quantidade superior à indicada; prefeitura diz que prontuário registra dose acima da prescrita, mas causa da morte ainda é investigada

• Atualizado

Rodrigo Santanna

Por Rodrigo Santanna

Prontuário do Hospital Cirúrgico Camboriú registra administração de quantidade de medicamento superior à prescrita, segundo a prefeitura | Foto: Reprodução | Prefeitura de Camboriú | IA
Prontuário do Hospital Cirúrgico Camboriú registra administração de quantidade de medicamento superior à prescrita, segundo a prefeitura | Foto: Reprodução | Prefeitura de Camboriú | IA

Um bebê de 45 dias morreu após ser atendido no Hospital Cirúrgico Camboriú (HCC), na noite desta quarta-feira (12), em Camboriú, no Litoral Norte. A criança foi posteriormente transferida pelo Samu para o Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, mas não resistiu.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o prontuário do atendimento registra a administração de uma quantidade de medicamento superior à prescrita. A prefeitura, no entanto, afirma que ainda não há conclusão técnica que estabeleça relação entre a intercorrência e a morte.

A criança chegou ao HCC após apresentar uma reação alérgica depois de ingerir fórmula de leite. Conforme a nota oficial da Secretaria Municipal de Saúde, o bebê já apresentava alterações clínicas importantes na chegada à unidade. Entre os parâmetros registrados na avaliação inicial estava uma saturação de oxigênio de 78%.

Durante o atendimento, houve prescrição médica de medicamentos para tratar o quadro. De acordo com os registros do próprio prontuário, porém, foi administrada uma quantidade superior à que havia sido prescrita.

“Os registros constantes do próprio prontuário apontam, entretanto, para a administração de quantidade de medicamentos superior àquela efetivamente prescrita”, informou a Secretaria Municipal de Saúde de Camboriú.

A prefeitura afirma que a circunstância está sendo formalmente apurada e que, neste momento, não é possível determinar tecnicamente quais foram as consequências da intercorrência nem se ela teve relação com o desfecho.

Família relata caso

Em entrevista concedida à Rádio Menina, o avô do bebê relatou que a criança teria recebido duas doses de uma medicação que, segundo ele, seria destinada a adultos. O familiar afirmou ainda que o bebê apresentou uma reação após a administração do medicamento e precisou ser transferido para Itajaí.

Segundo o relato do familiar, a família levou a criança ao hospital para receber atendimento após uma reação alérgica e foi posteriormente informada sobre a necessidade de transferência.

Transferência para Itajaí

Após a intercorrência identificada durante o atendimento, a equipe do HCC adotou medidas de suporte e monitoramento e acionou o Samu. A criança foi levada ao Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, para continuidade do atendimento especializado.

Hospital Pequeno Anjo em Itajaí para onde bebê foi encaminhado | Foto: Reprodução | Hospital Pequeno Anjo

Segundo os registros disponíveis no HCC, o bebê estava hemodinamicamente estável no momento da transferência. Posteriormente, a Secretaria Municipal de Saúde foi informada sobre a morte da criança.

Em nota oficial, a prefeitura reforçou que a definição das causas do óbito depende da análise de toda a evolução clínica do bebê, incluindo os procedimentos realizados no HCC e o atendimento posterior no Hospital Pequeno Anjo.

Prefeitura determina apuração

Após tomar conhecimento do caso, a Secretaria Municipal de Saúde notificou, em caráter de urgência, a administração do Hospital Cirúrgico Camboriú para que apresente esclarecimentos sobre o atendimento.

A Prefeitura de Camboriú determinou o levantamento da cronologia dos fatos, a identificação das equipes envolvidas, dos procedimentos adotados e dos protocolos de segurança utilizados. Também foi determinada a preservação de prontuários, documentos e demais registros relacionados ao atendimento.

O HCC é atualmente administrado pela Associação Hospitalar do Brasil (AHBR), responsável pela gestão da unidade e das equipes assistenciais.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanhará a apuração e poderá adotar medidas administrativas, contratuais e assistenciais após a análise técnica dos documentos.

“Não serão antecipadas conclusões, atribuídas responsabilidades individuais ou estabelecida relação de causa e efeito entre a intercorrência registrada durante o atendimento e o óbito antes da conclusão das avaliações técnicas”, informou.

Leia a nota completa da prefeitura a íntegra:

“A Secretaria Municipal de Saúde de Camboriú vem a público prestar esclarecimentos sobre o atendimento realizado no Hospital Cirúrgico Camboriú (HCC), no dia 12 de agosto de 2026, envolvendo uma criança de 45 dias, posteriormente encaminhada para atendimento especializado em Itajaí.

A Secretaria manifesta sua solidariedade aos familiares da criança diante do lamentável desfecho e informa que está acompanhando o caso com absoluta prioridade, responsabilidade e transparência.

O Hospital Cirúrgico Camboriú encontra-se atualmente sob gerenciamento e responsabilidade assistencial da Associação Hospitalar do Brasil (AHBR), entidade responsável pela administração da unidade, organização dos serviços e gestão das equipes assistenciais.

Assim que tomou conhecimento da ocorrência, por volta das 21h30, o secretário municipal de Saúde interino, dr. Henrique Manoel Alves, esteve pessoalmente no HCC para obter informações preliminares e acompanhar a situação junto à direção da unidade.

De acordo com as informações inicialmente apresentadas à Secretaria Municipal de Saúde e com os registros disponíveis no prontuário, a criança deu entrada no hospital apresentando quadro de reação alérgica após ingestão de fórmula, já com alterações clínicas relevantes. Entre os parâmetros registrados na avaliação inicial, constava saturação de oxigênio de 78%.

Durante o atendimento, houve prescrição médica de medicamentos destinados ao tratamento do quadro apresentado.

Os registros constantes do próprio prontuário apontam, entretanto, para a administração de quantidade de medicamentos superior àquela efetivamente prescrita. A circunstância está sendo formalmente apurada, não havendo, neste momento, conclusão técnica sobre suas consequências clínicas ou eventual relação com o desfecho posterior.

Após a identificação da intercorrência, foram adotadas medidas de suporte e monitoramento, com acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que realizou a transferência da criança para o Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, onde recebeu continuidade da assistência especializada.

Conforme os registros disponíveis no HCC, no momento da transferência, a criança encontrava-se hemodinamicamente estável.

Posteriormente, a Secretaria Municipal de Saúde foi oficialmente informada sobre o falecimento da criança.

Diante disso, é necessário esclarecer que, até o presente momento, não existe conclusão técnica que estabeleça relação causal entre a intercorrência envolvendo a administração dos medicamentos e o óbito.

A criança já apresentava alterações clínicas importantes no momento de sua chegada ao HCC, e a definição das causas que contribuíram para o desfecho depende da análise integral de sua evolução clínica, incluindo os procedimentos e atendimentos realizados posteriormente no hospital de referência.

Apuração dos fatos

Por determinação da Secretaria Municipal de Saúde, a administração do Hospital Cirúrgico Camboriú foi formalmente notificada, em caráter de urgência, para apresentar todos os esclarecimentos relacionados ao atendimento.

Entre as informações solicitadas estão a cronologia completa dos fatos, a identificação das equipes envolvidas, os procedimentos e providências assistenciais e administrativas adotados, os protocolos de segurança utilizados e as medidas eventualmente implementadas para prevenir a ocorrência de situações semelhantes.

Também foi determinada a preservação integral de prontuários, documentos, registros assistenciais e demais elementos relacionados ao atendimento, garantindo as condições necessárias para a adequada análise dos fatos e eventual apuração pelos órgãos competentes.

A Secretaria Municipal de Saúde acompanhará diretamente o processo de apuração e, após a análise técnica de todos os documentos e informações pertinentes, adotará as medidas administrativas, contratuais e assistenciais que eventualmente se mostrarem necessárias, dentro das competências do Município.

Neste momento de profunda sensibilidade, a Administração Municipal entende que transparência e responsabilidade devem caminhar juntas.

Por essa razão, não serão antecipadas conclusões, atribuídas responsabilidades individuais ou estabelecida relação de causa e efeito entre a intercorrência registrada durante o atendimento e o óbito antes da conclusão das avaliações técnicas e dos procedimentos de apuração pertinentes.

A prioridade da Secretaria Municipal de Saúde é assegurar que todos os fatos sejam integralmente esclarecidos, que eventuais responsabilidades sejam devidamente apuradas e que os processos assistenciais sejam permanentemente avaliados e aperfeiçoados, com o objetivo de garantir a segurança e a qualidade do atendimento prestado aos pacientes da rede municipal.

A Secretaria Municipal de Saúde continuará prestando informações de interesse público à medida que novos elementos técnicos forem oficialmente confirmados, sempre em observância à legislação e ao sigilo das informações pessoais e de saúde da criança e de seus familiares“, finaliza

Hospital afasta profissionais

A Associação Hospitalar do Brasil informou que instaurou uma investigação interna para apurar o atendimento. Como medida cautelar, os profissionais diretamente envolvidos foram afastados enquanto o procedimento é realizado.

A entidade esclareceu que o afastamento não representa antecipação de julgamento, reconhecimento de culpa ou atribuição definitiva de responsabilidade individual.

A associação também informou que serão analisados a prescrição médica, os registros de enfermagem, o preparo e a administração das medicações, além das medidas adotadas após o agravamento do quadro e as condições da transferência para Itajaí.

A entidade afirmou ainda ter reforçado protocolos relacionados à prescrição, preparo, conferência e administração de medicamentos, especialmente em atendimentos pediátricos.

O que está confirmado até o momento

Até o momento, os elementos oficiais confirmam que o bebê de 45 dias foi atendido no HCC, apresentava um quadro clínico alterado na chegada, recebeu medicação, teve registrada no prontuário a administração de quantidade superior à prescrita, foi transferido para o Hospital Pequeno Anjo e posteriormente morreu.

A relação entre a administração do medicamento e a morte da criança, porém, ainda não está tecnicamente estabelecida. A prefeitura afirma que essa conclusão dependerá da análise integral do caso e dos atendimentos realizados após a transferência.

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