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A vida vale a pena ser vivida: prevenção ao suicídio exige atenção e acolhimento

Em 2025, mais de 2 milhões de pessoas foram atendidas pelo CVV

• Atualizado

Talita de Andrade

Por Talita de Andrade

A vida vale a pena ser vivida prevenção ao suicídio exige atenção e acolhimento | Foto: Canva | Reprodução
A vida vale a pena ser vivida prevenção ao suicídio exige atenção e acolhimento | Foto: Canva | Reprodução

Alerta: tema sensível

Santa Catarina ainda sofre com os altos números de casos de suicídio. Em uma visão geral, o Brasil registra aproximadamente 14 mil casos do problema por ano, sendo cerca de 38 mortes por dia. Desse total, pelo menos dois ocorrem diariamente no estado catarinense. Com isso, a saúde pública busca reverter esses dados, mostrando às pessoas que há outra saída.

Em 2024, por exemplo, Santa Catarina registrou 9.088 tentativas de suicídio, com 984 mortes. Os dados revelam que a cada nove tentativas, uma resulta em morte no estado. Essa estatística preocupa já que, globalmente, os números tendem a ser menores.

“Santa Catarina está em segundo lugar nas tentativas e o óbito consumado a nível Brasil. Nós estamos atrás somente do Rio Grande do Sul, isso é um dado que nos causa um alerta, da nossa população, das nossas políticas públicas e do que está sendo feito” explicou a enfermeira técnica pelo agravo da Violência-DIVE/SC, Monique Meneses D’Avila, e prosseguiu, “mas quando a Organização Mundial da Saúde traz essa proporção, ela fala entre 20 e 30, então nós estamos com uma letalidade muito maior”.

SC conta com serviços públicos para ajudar no problema

Em entrevista a repórter do SCC SBT, Graziane Ubiali, a psiquiatra Julia Trindade disse: “Tu não quer morrer. Na verdade, tu quer parar de sofrer. E quando a pessoa entende isso, que na verdade ela quer parar de sofrer, e a gente oferece formas de ajudar a parar de sofrer, há uma esperança. Então a gente consegue ajudar essa pessoa a voltar a acreditar que é possível”.

Atualmente, a rede pública de saúde de Santa Catarina conta com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Assistência Hospitalar Especializada, além da Vigilância Epidemiológica, entretanto, para a baixa nas estatísticas, é preciso evoluir.

“Quando a gente notifica, quando a gente tem esse número, a gente consegue pensar em estratégias”, disse Monique.

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Além desses serviços, o estado também recebe o apoio do serviço nacional do Centro de Valorização da Vida (CVV). Ao todo, a estrutura conta com 3.200 voluntários ativos 24 horas por dia.

Segundo os dados, em 2025, mais de 2 milhões de pessoas foram atendidas pelo CVV, recebendo suporte emocional gratuito e sigiloso.

De acordo com Franco, um dos voluntários do serviço, “as pessoas que procuram o CVV chegam normalmente falando de perdas. Perda da juventude, perda de um ente querido, perda da esperança. Mas também, falam da esperança de dias melhores, da confiança de que tudo isso vai passar”, contou à reportagem do SCC SBT.

Suicídio não escolhe

Entre números alarmantes estão pessoas de todas as cores, sexos e classes sociais. Em Santa Catarina, as mulheres realizam mais tentativas de suicídio, com cerca de 6 mil, enquanto os homens, cerca de 2,8 mil tentativas.

Porém, em caso de suicídio consumado, são os homens quem lideram. De acordo com os dados, o suicídio mata cerca de 768 homens e 216 mulheres.

Segundo Julia Trindade, “os homens tem acesso, muitas vezes, a meios que acabam sendo mais letais. Essa é uma das questões importantes. Os homens acabam sendo muitas vezes mais impulsivos. Associação com consumo de substâncias, que é outro fator importante pro risco de suicídio e as mulheres, elas acabam falando mais, elas acabam tentando buscar mais ajuda”.

Crianças e adolescentes

O suicídio não se restringe apenas a pessoas maiores de idade. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os números do problema crescem entre crianças e adolescentes.

Além disso, uma pesquisa com cerca de 100 mil estudantes brasileiros, entre 13 e 17 anos, revelou que 18,5% dos jovens pensam que a vida não vale a pena ser vivida.

No ano passado, em Santa Catarina, foram registrados cerca de 36 mortes por suicídio, na faixa etária de 10 a 19 anos.

“Os transtornos mentais, eles começam na infância“, disse a psiquiatra. “Sempre identificar, a criança ou o adolescente mudou de comportamento, é sinal de alerta”, afirmou.

Questões do dia a dia são as maiores causas

Os principais fatores que elevam as taxas de suicídio normalmente são questões relacionadas ao dia a dia das pessoas, como crises e dificuldades financeiras, a piora do quadro clínico psicológico, além do comportamento impulsivo.

De acordo com Monique, cidades como Florianópolis, onde há grande circulação de pessoas, podem facilitar a impulsividade dos casos de suicídio pelo acesso a alguns lugares. “Nesses grandes centros, há um acesso facilitado a alguns locais, então como prédios, locais históricos, pontes, isso acaba atraindo uma visibilidade maior e as pessoas acabam tendo uma certa impulsividade”, explicou.

Em complementação a fala da enfermeira técnica, a psiquiatra Julia falou sobre a implementação de políticas públicas, “a gente precisa ter políticas pra diminuir acesso a formas de tentativa de suicídio. A gente precisa que o Poder Público aja efetivamente […] a gente precisa que as equipes de saúde de emergência saibam manejar a questão de saúde mental minimamente”.

Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC)

Em conjunto com as políticas públicas, as equipes de socorro também precisam estar preparadas para atender esse tipo de caso.

Ao longo deste ano, em 2026, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) atendeu mais de 150 tentativas de suicídio.

“A gente busca capacitar os nossos bombeiros a compreenderem o que leva uma pessoa àquele cenário crítico, aquele momento em que ela tá passando por inúmeras questões, que aí traz todo um histórico de vida. Não é apenas uma coisa, não é apenas o último problema que ela enfrentou”, contou o Capitão Telles, do CBMSC.

Você pode ajudar a salvar uma vida

Outro ponto que pode ajudar a reduzir os números de suicídio em Santa Catarina, é identificar sinais de alerta em si mesmo, ou nas pessoas ao seu redor.

Alterações emocionais, isolamento repentino, tristeza prolongada, falta de perspectiva de vida, dificuldade para dormir e outros sintomas podem ser um ponto de partida para buscar ajuda de profissionais especializados.

Para ajudar alguém, evite expor o problema, esteja a disposição e acione algum profissional ou ligue para o 193.

Entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV)

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. | Fale com o CVV, ligue 188

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