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VIDA MARINHA

Litoral Norte de SC registra 650 encalhes de pinguins em dois meses

Levantamento da Univille aponta que apenas 50 animais foram encontrados vivos entre maio e 20 de julho; São Francisco do Sul concentra mais de 60% dos registros

• Atualizado

Rodrigo Santanna

Por Rodrigo Santanna

São Francisco do Sul concentra a maior parte dos encalhes de pinguins-de-magalhães registrados no litoral Norte catarinense | Foto: Divulgação/PMP-BS/Univille
São Francisco do Sul concentra a maior parte dos encalhes de pinguins-de-magalhães registrados no litoral Norte catarinense | Foto: Divulgação/PMP-BS/Univille

O Litoral Norte de Santa Catarina registrou 650 encalhes de pinguins-de-magalhães entre maio e 20 de julho deste ano. O balanço, divulgado pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/Univille), mostra que apenas 50 animais foram resgatados com vida nos municípios de São Francisco do Sul, Balneário Barra do Sul, Itapoá e Araquari.

São Francisco do Sul concentrou o maior número de ocorrências, com 411 encalhes, seguido por Balneário Barra do Sul (115), Itapoá (90) e Araquari (34).

Período migratório explica aumento dos casos

Segundo a médica-veterinária responsável técnica do PMP-BS/Univille, Giulia G. Lemos, o aumento dos encalhes acompanha o período migratório da espécie. A maioria dos animais encontrada nas praias é formada por pinguins juvenis, que realizam a primeira migração entre a Patagônia Argentina e o litoral brasileiro.

“Devido ao desgaste da viagem migratória, muitos pinguins juvenis chegam aqui com um quadro clínico crítico. Eles apresentam anemia, caquexia e desidratação severa. Além disso, podem ingerir lixo e se emalhar em redes de pesca”, explica.

Dos 50 pinguins resgatados com vida, oito foram estabilizados na base da Univille e encaminhados para reabilitação na Associação R3 Animal. Outros 35 morreram durante o tratamento. Atualmente, sete animais seguem internados na unidade de estabilização em São Francisco do Sul.

Equipe do PMP-BS/Univille presta atendimento veterinário aos pinguins resgatados, realizando a estabilização clínica antes da etapa de reabilitação | Foto: Divulgação/PMP-BS/Univille

De acordo com o projeto da universidade, os pinguins-de-magalhães migram da Patagônia para o litoral do Sul e Sudeste do Brasil durante o inverno em busca de alimento. Por estarem na primeira migração, os juvenis são os mais vulneráveis ao desgaste da viagem e a ameaças como a escassez de alimento, resíduos sólidos e redes de pesca.

Orientação é não devolver o animal ao mar

O PMP-BS orienta que, ao encontrar um pinguim na praia, a população não tente devolvê-lo ao mar, nem ofereça alimento ou água. Também é recomendado manter animais domésticos afastados e evitar colocá-lo sobre gelo ou em piscinas.

O resgate deve ser solicitado pelos telefones 0800 642 3341 ou (47) 99212-9218, informando a localização exata do animal e, se possível, encaminhando uma fotografia.

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