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Do sonho ao ‘sim’: casamento coletivo transforma vidas de 24 casais em Palhoça

A iniciativa faz parte das ações da Defensoria para democratizar o acesso à cidadania e à regularização civil de pessoas que não possuem condições financeiras

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Do sonho ao “sim”: casamento coletivo transforma vidas de 24 casais em Palhoça | Foto: Vini Waknin
Do sonho ao “sim”: casamento coletivo transforma vidas de 24 casais em Palhoça | Foto: Vini Waknin

Para muitos casais, o casamento é um sonho que acaba adiado pelas dificuldades financeiras. Em Palhoça, neste domingo (31), esse obstáculo deu lugar à emoção. Em uma cerimônia marcada por lágrimas, sorrisos e histórias de superação, 24 casais disseram oficialmente “sim” durante o primeiro Casamento Coletivo promovido pela Defensoria Pública de Santa Catarina.

A iniciativa faz parte das ações da Defensoria para democratizar o acesso à cidadania e à regularização civil de pessoas que não possuem condições financeiras para arcar com os custos do casamento. Mais do que um ato formal, o evento representou dignidade, reconhecimento legal e segurança jurídica para os participantes.

A cerimônia foi resultado de meses de planejamento e mobilização de uma ampla rede de apoio formada pela Defensoria Pública, cartórios, empresas parceiras e profissionais voluntários.

Segundo o defensor público e assessor de projetos especiais da instituição, Edison Schmitt, a preparação envolveu diversas etapas para garantir uma experiência especial aos noivos.

“A Defensoria ficou meses preparando esse evento. São muitas etapas, desde a documentação até toda a organização necessária para que esse momento acontecesse da forma mais especial possível para cada casal”, destacou.

Experiência completa de casamento

Além da oficialização da união civil, os casais participaram de uma celebração completa, com produção das noivas, ensaio fotográfico, espaço para registros familiares, coquetel e toda a estrutura necessária para tornar a data memorável.

O evento contou ainda com o trabalho de dezenas de profissionais voluntários. A cabeleireira Janaina Vieira reuniu uma equipe de 19 profissionais responsáveis pela produção das noivas.

“O que fez com que todas viessem aqui em um domingo é a sororidade. É a gente se colocar no lugar dessa mulher que está aqui para realizar um sonho tão genuíno e também contribuir com aquilo que temos de mais precioso, que é o amor pelo que fazemos”, afirmou.

A maquiadora e cabeleireira Marina Dagostim também participou da ação e destacou a importância do trabalho coletivo. “Nossa missão é dar o melhor para que elas se sintam lindas e para que esse seja realmente um dia memorável para todas.”

Casamento coletivo em Palhoça: sonho realizado após anos de espera

Entre os participantes estavam Valdete Aparecida Schlemper e Vilcemar Luis Escarcel da Silva, moradores da Barra do Aririú. Juntos há quase 12 anos, eles aproveitaram a oportunidade para oficializar a união civil.

Valdete, que convive com fibromialgia, voltou a vestir a mesma roupa usada no casamento religioso realizado no ano passado, dando ainda mais significado ao momento. “Encontrei meu companheiro em uma fase mais madura da vida, mas sempre tive o desejo de casar. É um sonho realizado e sei que é a mesma oportunidade que muitos casais estão tendo hoje. Se não fosse esse Casamento Coletivo, talvez a gente nunca conseguisse viver tudo isso”, relatou.

Outra história emocionante foi a de Beatriz César e Klaydson Paixão. Após oito anos de relacionamento e uma mudança de estado juntos, o casal conseguiu formalizar a união graças ao projeto.

Natural do Rio de Janeiro, o casal desejava se casar há anos, mas enfrentava dificuldades para custear a documentação necessária. “No fim, foi o momento certo. Nem dormi direito hoje. Estou mais feliz do que imaginava e muito realizado por viver tudo isso com a pessoa que escolhi para mim”, declarou Klaydson.

Amor, cidadania e dignidade

A celebração reuniu cerca de 220 convidados e foi conduzida por Murilo Mestriner, que falou sobre os diferentes significados do amor e do compromisso. “O amor não tem uma definição exata, mas uma certeza: ele não acontece da mesma forma para todo mundo. Não existe um roteiro ideal, não existe amor perfeito. O que existe são pessoas imperfeitas querendo construir uma vida juntas. Casamento é mais do que um documento, é uma escolha.”

A empresária Josi Sardá, da Divino Produções, também abraçou a iniciativa. Com o apoio de 18 fornecedores, ajudou a proporcionar uma celebração completa aos casais e seus familiares. “É muito gratificante. O sonho deles se torna o nosso, e ver o resultado desse trabalho, construído com o apoio de tantas pessoas, é realmente especial”, afirmou.

Encerramento do Maio Verde

A ação marcou o encerramento das atividades do Maio Verde, mês dedicado à Defensoria Pública em todo o país, evidenciando o impacto social da instituição na vida da população.

O defensor público-geral de Santa Catarina, Ronaldo Francisco, ressaltou que a missão da Defensoria é garantir que nenhum cidadão tenha seus direitos limitados por questões financeiras. “A Defensoria Pública existe justamente para garantir que direitos não sejam negados por falta de condições financeiras. Hoje vimos histórias sendo reconhecidas, famílias celebrando e pessoas tendo acesso à cidadania de forma digna e acolhedora.”

Durante a cerimônia, Ronaldo Francisco e o presidente da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Santa Catarina (Adepesc), João Joffily Coutinho, atuaram como testemunhas dos 24 casamentos.

A ouvidora-geral da Defensoria Pública, Maria Aparecida Caovilla, também participou da celebração e destacou a importância do momento. “Daqui adiante é seguir com amor, alegria nessa jornada da vida.”

Para os casais participantes, o domingo ficará marcado não apenas pela assinatura de um documento, mas pela concretização de um sonho que parecia distante e que se tornou possível graças ao apoio da Defensoria Pública de Santa Catarina.

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