‘Crime’: árvores envenenadas em Florianópolis começam a ser cortadas e moradores cobram respostas
Segundo a Floram, os cortes foram necessários para garantir a segurança das pessoas que transitam pelo parque
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A Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM) iniciou nesta sexta-feira (21) o corte das primeiras árvores envenenadas no Parque Ilha das Conchas, no bairro Abraão, área continental de Florianópolis. O caso dos envenenamentos já dura quatro meses, desde o dia 21 de abril deste ano.
Além da equipe do SCC SBT, a comunidade também esteve presente para acompanhar a remoção das árvores, que não puderam ser recuperadas.
“Esse parque foi uma luta da comunidade pra que a gente conseguisse colocar ele pra todos usufruírem do espaço. Então, pra mim, isso é um crime, assim, hediondo, inimaginável. Alguém ter a capacidade de envenenar árvores. É muito triste, muito triste mesmo”, disse Solange Poletto, uma moradora da região, à equipe do SCC SBT.
Árvores envenenadas são cortadas para segurança
Segundo a bióloga da Floram, Daiane de Andrade, os cortes foram necessários para garantir a segurança das pessoas que transitam pelo parque, tendo em vista que algumas árvores já estavam dando frutos, que podiam ou não estar envenenados. “A gente não tem segurança pra afirmar se esses frutos podem ser consumidos pela população e pela fauna que frequenta o parque. Optamos por fazer o corte dessas árvores hoje“, explicou.
Ainda conforme a Floram, primeiramente foram escolhidas oito árvores de espécies exóticas, invasoras, para serem removidas, mas ao longo do dia, as árvores nativas também serão verificadas.
Algumas árvores não serão derrubadas nesta sexta, como os eucaliptos, por exemplo. Como são árvores muito altas, precisam de um método que utiliza o rapel, ou seja, quando um arborista fica no topo, amarra os galhos e vai cortando um a um pra evitar derrubar em cima das plantas ou mesmo dentro do mar.
“Esse momento é muito triste porque eu vi essas árvores, essas árvores não foram plantadas por nós, mas a gente viu elas aqui, então elas fazem parte do bosque. Todas essas que eles cortaram a gente vai plantar”, disse Ireni da Silveira que é voluntária há dez anos.
Replantio
Ao fim dos cortes das árvores, a Floram já prevê o replantio. “A gente vai focar no plantio de principalmente espécies nativas da Mata Atlântica frutíferas, como araçá, pitanga, grumixama e também outras árvores que possam fornecer sombra, sibipiruna e cedro”, afirmou Daiane.
A polícia continua com a investigação para saber a autoria dos envenenamentos e a comunidade cobra uma resposta. “A gente está acompanhando essa tristeza que aconteceu aqui, mas os moradores, a comunidade, nós queremos uma resposta. A resposta para a sociedade precisa ser dada, e nós vamos cobrar isso“, disse Elisa Vaz, também moradora da região.
Relembre o caso das árvores envenenadas no Abraão
Em maio deste ano os moradores do bairro Abraão se reuniram para plantar mudas de árvores no Parque Ilha das Conchas, após um envenenamento criminoso de algumas árvores da região.
No dia 4 de maio, a Prefeitura de Florianópolis enviou uma nota sobre a situação dizendo que cerca de 18 árvores haviam sido perfuradas com brocas e envenenadas com uma substância azulada, com forte indício de ser um herbicida de alta potência, um produto químico que controla o crescimento de plantas.
Veja a nota na íntegra:
“A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), informa que o caso foi vistoriado pela equipe de fiscalização na segunda-feira, 27/04. Como medida preventiva, o local foi isolado para garantir a segurança da população. A orientação é manter distância da área, especialmente crianças e animais de estimação, até a confirmação laboratorial da substância aplicada. Segundo o relatório da Floram foram verificados indícios de intervenção em, pelo menos, 18 árvores, entre espécies nativas e exóticas, com a inserção de brocas nos caules das árvores. Havia escorrimento pelo caule de um produto azul arroxeado, o que pela análise de cheiro, aparência e consistência há fortes indícios de que seja herbicida seletivo de alta potência e persistência, indicado para controle de plantas daninhas lenhosas. Neste momento é importante a articulação institucional com os órgãos competentes, especialmente em razão de se tratar de área da União, sugerindo-se ciência e eventual atuação do IBAMA, da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), a Polícia Militar Ambiental e o Ministério Público. A Prefeitura está monitorando os exemplares atingidos, a fim de verificar sinais de declínio, rebrote, mortalidade ou comprometimento estrutural. Eventuais medidas de manejo, tratamento, remoção ou recuperação ambiental poderão ser melhor detalhadas em conjunto com os órgãos competentes. Caso moradores identifiquem situações semelhantes, as denúncias podem ser feitas pelo telefone (48) 3952-0188”.
Desde o início do caso, a Polícia Civil e a Polícia Científica seguem investigando o caso, mas até o momento não conseguiram identificar os responsáveis pelo crime ambiental.
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