Melissa Amaral

Mestre e doutoranda pelo PPGEGC/UFSC. Pesquisadora no grupo CoMovI em Empreendedorismo, ESG, Diversidade nas Organizações e Empoderamento da Mulher.


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Dia Internacional da Mulher

Nunca fomos tão fortes. Um viva a todas as mulheres!

Estamos caminhando minha gente. Mas é devagar? É.

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• Atualizado

Foto: SCC SBT
Foto: SCC SBT

Vocês não têm ideia de como gostaria de vir aqui hoje e escrever para os jovens, como era na época das nossas avós, ou na época das nossas mães, ou mesmo na minha juventude. Gostaria de dizer, imaginando os olhares arregalados e incrédulos de moços e moças, que “antigamente” as mulheres ganhavam menos que os homens, exercendo a mesma função.

Queria contar a história de homens malvados, que não deixavam a suas esposas trabalhar fora, e que quando isso acontecia, se apropriavam de todo o rendimento que elas conseguiam como fruto do seu esforço. Queria muito poder falar que no passado, quando mulheres se destacavam dentro das empresas, os diretores, na maioria homens, preferiam promover um outro homem medíocre à mulher inteligente e capaz.

Quando estivesse conversando com minhas netas e netos, causasse espanto contando que, em 2021, o SCC teve que fazer uma campanha contra a violência doméstica, “POR ELAS. Você pode, nós podemos!” porque naquela época, uma em cada três mulheres era vítima de violência, e que, em Santa Catarina, a cada seis dias, uma mulher era morta apenas por ser mulher. Também iria falar que tinha gente que achava que era Mimimi (aliás, gostaria de ter que explicar para eles o que essa expressão significava na época, pois, naquele momento não se saberia mais o que era diminuir a dor do outro).

É, pessoal, infelizmente a realidade é outra, e hoje em dia os fatos que relatei acima acontecem, e muito.

Estamos chegando ao fim de uma pandemia que prejudicou mais as mulheres, em especial na parte financeira e na questão da violência. Temos um longo caminho a percorrer para a igualdade entre homens e mulheres.

Mesmo assim, pode-se dizer nesse 8 de março de 2022, que nós, mulheres, nunca fomos tão fortes.

Nos dias de hoje, não sem algum receio, muitas mulheres já denunciam seus agressores e denunciam empresas que tem práticas preconceituosas e discriminatórias. Pessoas podem denunciar e chamar a polícia quando uma mulher está sob agressão ou ameaça.

Graças aos movimentos feministas, ESG e tantos outros fatores, hoje as empresas estão preocupadas em ter mais mulheres em posições de liderança, pois sabem que ter uma equipe diversa não faz bem somente para as mulheres, mas toda a sociedade e pasmem, faz melhor ainda para as empresas. A disparidade salarial já não é tão grande como era anos atrás e cada vez mais as mulheres têm liberdade para ser e fazer o que quiserem.

Mesmo tendo ainda altos números de violência doméstica. Muita gente já sabe o que é violência contra as mulheres, e sabem que existem muitas formas de violência, algumas sem sinal visível.  Muita gente também sabe que o empoderamento coletivo das mulheres é uma das formas mais eficazes de combate a essas violências.

>>> Elas Mudam o Mundo: série especial “Por Elas” fala sobre o direito de ser mulher

Estamos caminhando minha gente. Mas é devagar? É.

Poderíamos já ter a tão sonhada equidade? Sim.

Mas costumo dizer que devemos trabalhar com o que temos e lutar para melhorar.

Então é isso, nossa luta contra a discriminação, preconceito e violência continua.

Se todas e todos quisermos, daqui uns anos histórias de que mulheres enfrentavam mais dificuldades que os homens em vários aspectos da vida e sofriam diversos tipos de violência apenas por serem mulheres, serão somente estórias, ou seja, fatos fictícios.

Viva o Dia Internacional da Mulher!

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