Julho histórico na Serra: Lages supera 150% da chuva esperada para o mês e acende alerta para fortes temporais em agosto
Estação meteorológica já acumula 192 mm na primeira quinzena; meteorologia prevê agosto instável e com risco de temporais devido ao El Niño.
• Atualizado
O volume de chuva registrado na primeira quinzena de julho em Lages acendeu o sinal de alerta para moradores e autoridades da Serra Catarinense. O acumulado medido até o momento já ultrapassou com folga a média histórica para o período, transformando o inverno de 2026 em um dos mais úmidos dos últimos anos na região.
De acordo com dados oficiais do sistema Agroconnect, plataforma de monitoramento da Epagri/Ciram, a estação meteorológica do município registrou exatamente 192 milímetros (mm) de precipitação. O volume representa 154% da média climatológica normal para Lages, que historicamente gira em torno de 124 mm para o mês completo. Com a previsão de avanço de novas frentes frias e áreas de instabilidade na segunda quinzena, os meteorologistas estimam que julho termine com um acumulado total de até 250 mm.

Agosto seguirá sob impacto do El Niño
Quem espera uma trégua do clima úmido para as próximas semanas terá que aguardar. O boletim trimestral do fórum climático do estado aponta que o mês de agosto continuará sob a forte influência do fenômeno El Niño, que intensifica o transporte de umidade para o Sul do país.
A projeção indica que agosto registrará chuvas acima da média histórica na Serra Catarinense, oscilando entre 180 mm e 230 mm. Além do volume expressivo, o cenário meteorológico projeta o risco de eventos severos isolados, como temporais com descargas elétricas, rajadas de vento forte e eventual queda de granizo. As temperaturas também devem se comportar de forma irregular, com marcas acima do normal e chance de veranicos alternados com massas de ar frio.
Alerta na cidade e no campo
Devido ao solo severamente saturado pelas águas, a Defesa Civil de Santa Catarina reforçou as diretrizes de segurança e prevenção para mitigar riscos de acidentes nas áreas urbana e rural.
Na área urbana: O monitoramento deve ser constante em áreas de encosta. O morador deve ficar atento a sinais como inclinação de postes, árvores e muros, além de estalos no terreno ou rachaduras nas paredes de casa. Motoristas são orientados a jamais tentar atravessar ruas com pontos de alagamento ou pontes submersas.
Na área rural: A orientação para o produtor é evitar o tráfego desnecessário de maquinário pesado em solos encharcados para prevenir atolamentos severos e acidentes operacionais. Recomenda-se também transferir estoques de insumos, rações e sementes para galpões elevados e desobstruir valas de drenagem nas propriedades para facilitar o escoamento.
Em qualquer situação de risco ou anomalia no terreno, a recomendação é evacuar o local e acionar imediatamente a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
Matéria em colaboração com Handerson Souza.
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