Vereador de Joinville é cassado por chamar colega de ‘velho gagá’
O processo começou em março deste ano, após denúncia apresentada pelos diretórios municipal e estadual do Partido Novo
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O vereador Cleiton Profeta (PL) teve o mandato cassado na última segunda-feira pela Câmara de Vereadores de Joinville, por chamar um colega parlamentar de “velho gagá”. A decisão foi tomada durante sessão de julgamento que analisou uma denúncia por quebra de decoro parlamentar. O placar final registrou 13 votos favoráveis à cassação, dois pela absolvição e três abstenções, atingindo exatamente o quórum mínimo exigido para a perda do mandato.
O processo começou em março deste ano, após denúncia apresentada pelos diretórios municipal e estadual do Partido Novo.
13 vereadores votaram para cassar o vereador de Joinville
Segundo a Câmara de Vereadores de Joinville, o julgamento seguiu o rito estabelecido pela lei, que determina a necessidade de aprovação por dois terços dos membros da Casa para a cassação de um mandato parlamentar.
13 vereadores votaram “sim” para cassar o mandato do vereador Cleiton Profeta (PL): Alisson, Érico Vinicius, Neto Petters e Vanessa Venzke Falk (Novo); Adilson Girardi, Henrique Deckmann e Pelé (MDB); Kiko da Luz e Pastor Ascendino Batista (PSD); Mateus Batista (União Brasil); Liliane da Frada (Podemos); Lucas Souza (Republicanos); e Vanessa da Rosa (PT).
Pela absolvição votaram os vereadores Instrutor Lucas e Wilian Tonezi, ambos do PL.
Já Brandel Junior (Republicanos), Diego Machado (PSD) e Tânia Larson (União Brasil) optaram pela abstenção.
O próprio Cleiton Profeta não participou da votação por ser o acusado no processo.
Defesa promete recorrer à Justiça
Após a decisão, a defesa do vereador afirmou que pretende recorrer aos tribunais para buscar a anulação do processo. Os advogados sustentam que houve irregularidades na condução dos trabalhos, especialmente em relação à atuação do relator da Comissão Processante, o vereador Érico Vinicius (Novo).
Segundo a tese apresentada pela defesa, teria ocorrido parcialidade durante a tramitação do procedimento, comprometendo a imparcialidade necessária para o julgamento.
Antes da votação, Profeta e seus advogados utilizaram as duas horas previstas no regimento para apresentar a defesa em plenário. Com a cassação, o parlamentar tende a ficar inelegível por oito anos, conforme prevê a legislação. No entanto, os efeitos definitivos ainda poderão ser discutidos judicialmente.
Suplente deve assumir vaga na Câmara
Com a perda do mandato, a vaga deverá ser ocupada pelo suplente Cassiano Ucker (PL), que recebeu 3.017 votos nas eleições municipais de 2024.
A convocação oficial dependerá dos trâmites administrativos da Câmara e da formalização do afastamento do parlamentar cassado.
Sessão teve plenário lotado
A sessão foi acompanhada por dezenas de pessoas nas galerias da Câmara de Joinville. Grande parte do público manifestou apoio à permanência de Cleiton Profeta no cargo, utilizando cartazes, palavras de ordem e até vuvuzelas durante os trabalhos.
Também houve manifestações contrárias ao vereador, com grupos exibindo faixas e cartazes favoráveis à cassação.
O interesse pelo julgamento também se refletiu na internet. Mais de 500 pessoas acompanharam simultaneamente a transmissão ao vivo realizada pelo canal oficial da Câmara no YouTube, gerando intenso debate entre os espectadores.
Vereadores defenderam posições opostas durante debate
Durante a fase de discussão, três parlamentares utilizaram a tribuna para expor seus posicionamentos.
O vereador Wilian Tonezi (PL) saiu em defesa de Cleiton Profeta, classificando o processo como uma perseguição política motivada pela atuação fiscalizadora do colega em relação ao Poder Executivo.
Já Neto Petters (Novo) defendeu a cassação, argumentando que o vereador teria mantido uma postura recorrente de desrespeito aos demais parlamentares. Segundo ele, houve diversos episódios que justificariam a punição.
Henrique Deckmann (MDB) também se posicionou pela perda do mandato, afirmando que existia uma postura reiterada de conflitos e enfrentamentos dentro do Legislativo.
Entenda o caso
O processo contra Cleiton Profeta começou em março de 2026, quando o plenário da Câmara aceitou uma denúncia por 14 votos a 2.
A representação foi apresentada pelos diretórios municipal e estadual do Partido Novo e apontou suposta quebra de decoro parlamentar.
Entre as acusações analisadas pela Comissão Processante estavam alegadas ofensas verbais dirigidas a outros vereadores, episódios de tumulto durante sessões plenárias e relatos de um suposto avanço físico contra outro integrante da Câmara.
A Comissão Processante responsável pela investigação foi formada por sorteio em plenário e teve como presidente Adilson Girardi (MDB), relator Érico Vinicius (Novo) e membro Brandel Junior (Republicanos).
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