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El Niño pode levar 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda, estima ONU

A previsão é de que o El Niño atinja o pico entre setembro e dezembro de 2026

• Atualizado

Talita de Andrade

Por Talita de Andrade

El Niño pode levar 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda, estima ONU | Foto: WFP/Htet Oo Linn/Reprodução
El Niño pode levar 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda, estima ONU | Foto: WFP/Htet Oo Linn/Reprodução

Uma análise do Programa Mundial de Alimentos, da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgada nesta quarta-feira (5), apontou que o fenômeno climático El Niño poderá levar pelo menos 49 milhões de pessoas a mais à insegurança alimentar aguda até o final de 2027.

O estudo ainda revelou que o fenômeno vai influenciar os padrões de chuva, as temperaturas e a ocorrência de enchentes e secas em 45 países que já são afetados pela falta de alimento. A maior parte na América Central e no sul da África.

49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda

O total de pessoas que não conseguem suprir as necessidades alimentares diárias subiria para cerca de 22% nesses países, conforme o Programa Mundial de Alimentos.

A análise revelou que o leste da África, também sul e sudeste da Ásia, seriam outras áreas com efeitos significativos.

A previsão é de que o El Niño atinja o pico entre setembro e dezembro de 2026. No entanto, os efeitos ainda continuarão sendo sentidos ao longo do próximo ano em muitas regiões, por conta dos impactos nos futuros ciclos de colheita.

Muitas comunidades já estão em risco, por conta das secas, inundações e temperaturas extremas, como aponta o Programa da ONU.

Ação antecipatória

Com base nos dados do estudo, a agência se prepara para responder os impactos do El Niño. De acordo com o diretor executivo interino do Programa Mundial de Alimentos, Carl Skau, quanto mais rápido as famílias receberem apoio para se prepararem para os impactos, “maior será a capacidade de salvar vidas e proteger meios de subsistência”.

Segundo a agência humanitária, foram fornecidos mais de 14 milhões de dólares em respostas para apoiar meio milhão de pessoas, desde maio, com acionamento dos planos de ação no Sudão do Sul, Chade, Mauritânia, Uganda, Guatemala e El Salvador.

Além disso, foram ampliados os mecanismos de financiamento pré-estabelecidos, como seguro de risco de desastre, crédito e pagamentos digitais, para disponibilizar mais dinheiro a um custo menor.

Investimento em preparação

Buscando se preparar para os impactos climáticos, o Programa conta com planos de ação antecipatória ativos em mais de 50 países.

Skau ainda destacou que a preparação para as enchentes, secas e tempestadas antes que aconteçam reduz as necessidades humanitárias futuras.

Segundo os dados da agência, o histórico de eventos climáticos anteriores ao El Niño revelaram que a cada 1 dólar investido em programas antecipados, economiza-se entre 3 e 7 dólares em perdas evitadas e custos de resposta.

“O objetivo é proteger vidas, meios de subsistência e segurança alimentar antes que emergências se agravem”, conforme a ONU.

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