Neymar na Copa? Convocação de Ancelotti vira novela e divide o Brasil às vésperas do Mundial
Entre o talento inquestionável e as polêmicas fora de campo, entenda como a decisão de Ancelotti pode moldar o destino do Brasil na busca pelo hexa.
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Tem coisa que une o brasileiro mais do que feriado: convocação da Seleção Brasileira. Basta a lista sair que o país inteiro vira mesa-redonda. O chefe vira comentarista esportivo, até a sua mãe, que só sabe que a bola é redonda, se torna especialista de esquema tático e o vizinho jura que sabe exatamente quem deveria estar na vaga daquele atacante “superestimado”.
E sabe o que é mais engraçado? Às vezes eles estão certos.
Porque a história prova que convocação da Seleção Brasileira é uma arte imperfeita
Em 1998, Romário foi cortado por Zagallo às vésperas da Copa da França. O maior artilheiro da história da Seleção naquele momento, homem que quase sozinho tinha nos dado o tetracampeonato em 1994, ficou em casa. Zagallo chamou Edmundo no lugar do baixinho.
O Brasil chegou à final, mas perdeu por 3×0 para a França. E até hoje ninguém sabe o que teria acontecido se Romário tivesse jogado, mas todo mundo tem uma opinião muito firme sobre isso. Erro ou acerto da convocação brasileira? Resposta que nunca teremos.
Em 2010, Dunga cortou Ronaldinho Gaúcho, que estava em baixa no Milan, e deixou Neymar, que estava em alta no Santos, fora da lista. O Brasil caiu nas quartas para a Holanda. Dunga foi embora. E o debate sobre quem deveria ter sido convocado pela seleção brasileira durou anos.
Em 2022, Tite levou 26 jogadores, o Brasil tinha um dos elencos mais talentosos do mundo, e caiu nas quartas para a Croácia, nos pênaltis. A discussão sobre as escolhas, quem jogou, quem ficou no banco, quem não foi chamado, ainda está acontecendo agora, enquanto você lê isso.
Qual o critério para a convocação da seleção brasileira para Copa do Mundo
O problema das convocações não é só técnico. É político, é emocional, é histórico.
Tem jogador que vai porque é o nome mais fácil de defender publicamente. Tem jogador que fica em casa porque o técnico não tem coragem de enfrentar a imprensa. Tem convocação que é feita pensando no equilíbrio do grupo, na moral do vestiário, na relação com os clubes europeus.
E no meio de tudo isso, às vezes o melhor jogador disponível simplesmente não vai.
A torcida sente. E não perdoa.
E agora: quem será convocado para seleção brasileira na copa do mundo 2026?
No dia 18 de maio, Ancelotti vai anunciar a lista final de 26 jogadores para a Copa do Mundo. E a principal pergunta que o Brasil inteiro está fazendo não é sobre sistema tático, não é sobre qual lateral vai jogar, não é sobre quem é o futuro colega de seleção de Vini Jr.
É sobre Neymar.
Pela primeira vez em 16 anos, o atacante não tem a certeza de que estará na lista final. Em um dos vídeos de sua série de bastidores no YouTube, o próprio Neymar chegou a comentar que, antes de Ancelotti, “sempre sabia” que seria convocado, se estivesse saudável.
Essa frase diz tudo.
Neymar chega em 2026 com seus piores números de carreira antes de uma Copa do Mundo. Passou por artroscopia no joelho em dezembro, perdeu a pré-temporada e ficou fora dos primeiros jogos do Santos. No entendimento da comissão técnica, ele ainda não convenceu de que está em plenas condições físicas para disputar um torneio tão curto e intenso como a Copa do Mundo.
E como se a situação já não fosse complicada o suficiente, há poucos dias ele se envolveu em uma discussão com possível agressão com o atacante Robinho Jr durante uma atividade no CT do Santos e a CBF demonstrou preocupação com questões extracampo em caso de convocação.
Existe também o combo que o santista leva aos eventos: parças, pai e influenciadores, que aumentariam o lobby pela presença do atacante em campo e poderiam desestabilizar o ambiente.

Então, o Neymar vai ou não vai ser convocado para a Copa do Mundo de 2026?
Neymar concorre por uma vaga com Endrick, Igor Thiago e Richarlison no ataque. Rodrygo está lesionado. Estêvão também. O elenco ofensivo está machucado e Ancelotti pode precisar de nomes. Matematicamente, existe espaço.
Mas futebol não é só matemática.
A questão não é se Neymar ainda tem qualidade. Todo mundo sabe que tem. A questão é se um jogador que chegou a 2026 sem ritmo, com histórico de lesões graves e um incidente recente no clube é a melhor aposta para uma Copa do Mundo que o Brasil quer ganhar de verdade.
E aqui é onde eu, enquanto torcedora, preciso separar o coração da cabeça.
Porque o coração quer ver Neymar numa Copa do Mundo. Quer a despedida que ele merece. Quer aquele sorriso no gramado uma última vez com a camisa amarela.
Mas a cabeça sabe que a Copa do Mundo não é lugar para sentimento. É lugar para quem está pronto. E neste momento, a dúvida sobre se Neymar está pronto é grande demais para ser ignorada.
Ancelotti disse ao jornal L’Equipe: “Neymar fez e continua fazendo história no futebol brasileiro. Ele ainda pode mostrar que tem qualidade para jogar a próxima Copa.”
“Ainda pode mostrar.” Não é confirmação. É prazo.
E o relógio está correndo.
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