Alga cultivada em SC vira comida em impressora 3D; entenda
Projeto do Senac, Epagri e UFSC utiliza macroalga cultivada em Santa Catarina para criar alimentos funcionais por impressão 3D
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A macroalga Kappaphycus alvarezii, cultivada no litoral de Santa Catarina, está sendo utilizada como matéria-prima para a impressão 3D de alimentos em um projeto desenvolvido pelo Hub Senac Gastronomia do Mar, em parceria com a Epagri e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A iniciativa busca criar alimentos funcionais, sustentáveis e com potencial de aplicação em diferentes áreas da alimentação.
Além do desenvolvimento de novas receitas, a tecnologia permite produzir alimentos com formatos e texturas personalizadas, preservando as propriedades nutricionais da macroalga e ampliando suas possibilidades de uso.
Impressão 3D amplia aplicações da macroalga
Segundo o pesquisador Ricardo L. Barcelos, PhD e integrante do Projeto Macroalga, a impressão 3D de alimentos representa um avanço tanto para a gastronomia quanto para a alimentação clínica.
“A impressora 3D de alimentos preserva as propriedades nutricionais da matéria-prima e abre espaço para alternativas inéditas voltadas a diferentes públicos, como pacientes disfágicos“, explica.
Para Felipe Martins, analista educacional do Senac Santa Catarina, a tecnologia também fortalece o ensino ao permitir que estudantes desenvolvam conhecimentos sobre formulação de alimentos, comportamento dos ingredientes, design alimentar e inovação tecnológica.
Como funciona a impressão 3D de alimentos
O equipamento funciona de maneira semelhante a uma impressora convencional, mas utiliza biotintas alimentares em vez de tinta.
Primeiro, é criado um modelo digital do alimento. Depois, um software divide o projeto em camadas e define parâmetros como espessura, velocidade e quantidade de material. A impressora deposita a massa camada por camada até formar o produto final.
A macroalga Kappaphycus alvarezii é rica em κ-carragenana, um gelificante natural que melhora a estabilidade das biotintas durante a impressão. Além disso, acrescenta fibras, minerais, antioxidantes e outros compostos bioativos às formulações.
Testes já produziram gummies e bebida funcional
Os primeiros testes realizados pelo projeto apresentaram resultados positivos. Entre os protótipos desenvolvidos estão:
- balas gummy de menta e jambu;
- isotônico funcional com sabor de uva;
- hidrogéis;
- purês estruturados;
- formulações para bioimpressão gastronômica.
Os pesquisadores também concluíram treinamentos específicos em impressão 3D de alimentos e validaram protocolos para ampliar o desenvolvimento da tecnologia.
Próxima etapa prevê massas, snacks e salmão plant-based
Os próximos passos da pesquisa incluem o desenvolvimento de novos produtos, como macarrão farfalle, snacks crocantes e até uma alternativa plant-based ao salmão utilizado em nigiris.
Além disso, serão realizadas análises nutricionais, sensoriais, reológicas e de estabilidade, além de estudos sobre viabilidade comercial.
A expectativa é que a tecnologia ultrapasse o ambiente de pesquisa e encontre aplicações no mercado de alimentos funcionais, na alimentação hospitalar, na confeitaria, na indústria plant-based e em outros segmentos ligados à bioeconomia.
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