Polícia Civil responsabiliza dois médicos por morte de grávida e bebê em hospital de SC
Investigação sobre o caso em Indaial foi concluída e aponta falhas nos atendimentos prestados à jovem de 18 anos
• Atualizado
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte da jovem grávida Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e do bebê que ela esperava, ocorrida em abril deste ano após atendimentos no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, no Vale do Itajaí.
Com o encerramento do inquérito, divulgado nesta quarta-feira (17), o delegado responsável pelo caso concluiu que dois médicos devem responder pela morte da jovem e do bebê.
Segundo o delegado Aderlan Camargo, responsável pela investigação, a apuração buscou reconstruir toda a sequência dos atendimentos prestados à Maria Luiza antes da morte.
Para isso, foram analisados prontuários médicos, documentos do Samu, laudos periciais e depoimentos de profissionais da saúde e testemunhas.
Investigação reuniu perícias e 20 depoimentos
De acordo com a Polícia Civil, a investigação incluiu a análise dos prontuários de todas as unidades de saúde que atenderam Maria Luiza, além dos registros do Samu sobre o atendimento e a transferência da paciente.
Ao longo da apuração, foram produzidos três laudos periciais especializados e, posteriormente, outras duas perícias complementares, consideradas fundamentais para esclarecer a causa da morte e avaliar as condutas adotadas durante os atendimentos médicos.
Também foram ouvidas 20 pessoas, entre testemunhas e os próprios profissionais investigados.
Segundo o delegado, as defesas tiveram acesso a todos os documentos produzidos durante a investigação.
Dois médicos são responsabilizados por morte após atendimentos em hospital de Indaial
Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil concluiu que dois médicos devem responder pelo caso por entender que houve falhas nos atendimentos prestados à paciente.
A investigação, no entanto, representa uma etapa do processo. Caberá agora ao Ministério Público analisar todo o material produzido e decidir se apresenta denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou adota outro entendimento sobre o caso.
Causa da morte foi esclarecida por perícia
Durante a divulgação da conclusão do inquérito, o delegado Aderlan Camargo informou que a causa da morte apontada pela Polícia Científica foi uma “síndrome infecciosa sistêmica aguda grave”.
“Eu não posso detalhar muito, mas segue informação quanto à causa da morte constatada pela Polícia Científica: síndrome infecciosa sistêmica aguda grave”, afirmou o delegado.
A informação atualiza o caso, que inicialmente havia sido divulgado como uma morte causada por dengue hemorrágica.
O que diz o Hospital Beatriz Ramos
Em nota, o Hospital Beatriz Ramos informou que colaborou integralmente com a investigação conduzida pela Polícia Civil, fornecendo prontuários, documentos e todas as informações solicitadas durante a apuração.
A instituição afirmou, no entanto, que a nota divulgada pela Polícia Civil não identifica nominalmente os profissionais citados e que, até o momento, não teve acesso ao conteúdo completo do inquérito nem aos laudos periciais que embasaram a conclusão da investigação.
Segundo o hospital, será solicitada uma cópia dos autos para uma análise técnica e jurídica detalhada. A instituição informou ainda que, após essa avaliação, poderá adotar novas medidas, se considerar necessário, sem prejuízo das providências administrativas que já foram tomadas internamente.
Por fim, o Hospital Beatriz Ramos reafirmou o compromisso com a qualidade da assistência prestada, a segurança dos pacientes, a transparência institucional e o esclarecimento dos fatos, colocando-se novamente à disposição das autoridades para colaborar com o caso.
O que acontece agora?
Com a conclusão da investigação, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina.
A partir de agora, os promotores irão analisar todas as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir os próximos passos. Entre as possibilidades estão oferecer denúncia à Justiça, solicitar novas diligências para complementar a investigação ou entender que não há elementos suficientes para dar continuidade ao caso.
Somente após essa análise é que a Justiça poderá decidir se haverá abertura de um processo contra os profissionais envolvidos.
Relembre o caso
Maria Luiza Bogo Lopes estava grávida de 28 semanas quando procurou atendimento médico quatro vezes entre os dias 30 de março e 2 de abril no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial.
Segundo a investigação, no primeiro atendimento não foram identificadas irregularidades.
No segundo, exames já indicavam queda nas plaquetas e havia recomendação de internação, especialmente porque a jovem apresentava diabetes gestacional.
O terceiro atendimento, realizado na madrugada de 2 de abril, tornou-se o principal foco da investigação. Conforme a Polícia Civil, naquele momento não foram solicitados exames laboratoriais e a paciente foi medicada e liberada.
Poucas horas depois, Maria Luiza procurou uma unidade de saúde com agravamento do quadro, apresentando sintomas como cansaço extremo, manchas roxas e desidratação.
Ela retornou ao Hospital Beatriz Ramos já em estado grave, foi entubada e transferida para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
Na unidade, foi realizada uma cesariana de emergência, mas o bebê nasceu sem vida. Cerca de uma hora e meia depois, Maria Luiza também morreu.
Durante as investigações, o médico responsável pelo terceiro atendimento foi afastado preventivamente e, posteriormente, demitido pelo Hospital Beatriz Ramos.
Mãe denunciou morte da filha e do neto
O caso veio a tona quando a mãe da jovem, Luana Bogo Petry, relatou nas redes sociais a sequência de atendimentos médicos que antecederam a morte da filha.
Segundo o relato da mãe, Maria Luiza havia sido diagnosticada duas semanas antes com diabetes gestacional, uma condição que pode ocorrer durante a gravidez.
➡️ Mãe cobra respostas após morte de grávida e bebê em hospital de SC
— SCC10 (@scc10oficial) April 8, 2026
Vídeo: Divulgação pic.twitter.com/JCEVgq3rav
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