Justiça arquiva caso do cão Orelha em Florianópolis
Laudos e análises técnicas afastaram agressão e apontaram doença grave preexistente no animal
• Atualizado
O Juízo da Vara da Infância e Juventude da Capital arquivou, nesta quinta-feira (14), o procedimento investigatório sobre o caso do cão “Orelha”, registrado na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão homologa o pedido apresentado pelas Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso, que concluíram que os adolescentes investigados não estiveram com o animal no momento da suposta agressão.
Além disso, laudos veterinários apontaram que o cão sofria de uma grave doença preexistente.
Investigação analisou quase 2 mil arquivos
A manifestação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com cerca de 170 páginas, reuniu análises de quase dois mil arquivos digitais, incluindo vídeos, fotografias, depoimentos e dados extraídos de celulares apreendidos.
Segundo o documento, houve um descompasso de aproximadamente 30 minutos entre os horários das câmeras públicas e privadas analisadas durante a investigação.
Com a correção da linha do tempo, as Promotorias concluíram que o adolescente investigado e o cão “Orelha” não estiveram juntos na praia no horário em que a suposta agressão teria acontecido.
Laudo veterinário descartou agressões
Outro ponto central da investigação foi o laudo veterinário produzido após a exumação do corpo do animal. A perícia apontou que o cão apresentava um quadro grave e crônico de osteomielite na mandíbula, além de problemas dentários avançados.
Segundo o Ministério Público, não foram encontradas fraturas, cortes ou lesões compatíveis com agressão humana. Dessa forma, as evidências técnicas indicam que a morte do animal está associada à doença preexistente e não a maus-tratos.
Caso gerou grande repercussão
O caso do cão Orelha ganhou forte repercussão nas redes sociais no início do ano e mobilizou autoridades, moradores e entidades de proteção animal. A investigação foi conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA), com acompanhamento do Ministério Público.
O Ministério Público informou ainda que seguirá investigando possíveis casos de disseminação de informações falsas e situações de linchamento virtual envolvendo adolescentes ligados ao caso.
Segundo o órgão, parte da narrativa sobre supostos maus-tratos surgiu a partir de comentários em redes sociais, boatos e relatos sem comprovação técnica. O CyberGAECO deverá auxiliar nas próximas etapas dessa apuração.
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