Confundido com ladrão, homem é espancado até a morte no RJ; segurança é preso
Cláudio Rafael Landeiro foi acusado de furtar uma bicicleta, mas imagens mostram que ele saiu de casa com o veículo
• Atualizado
Confundido com um ladrão, um homem de 37 anos foi espancado até a morte em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Cláudio Rafael Landeiro foi abordado após ser acusado de estar com uma bicicleta furtada e acabou agredido por um grupo de homens. Um segurança suspeito de participar das agressões foi preso nesta quinta-feira (20).
Novas imagens de câmeras de segurança, divulgadas pelo SBT News, ajudam a esclarecer o que aconteceu na madrugada de 12 de agosto. Uma delas mostra Cláudio saindo de casa com a bicicleta que, segundo a família, pertencia a uma das irmãs dele.
O caso é investigado pelo 12º Distrito Policial de Copacabana. A Polícia Civil tenta identificar todos os envolvidos na agressão.
Homem saiu de casa com bicicleta antes de ser abordado
Uma câmera de segurança registrou Cláudio deixando a casa onde morava com a mãe e duas irmãs, em Botafogo, por volta das 22h20 do dia 11 de agosto. Ele aparece saindo pelo portão e empurrando uma bicicleta.
A gravação foi entregue à Polícia Civil. Segundo a família, a bicicleta pertencia a uma das irmãs de Cláudio, que teria permitido que ele usasse o veículo.
Depois, o homem foi abordado por um segurança na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Segundo a investigação, o funcionário suspeitou que a bicicleta fosse roubada e reteve o veículo até a chegada do suposto proprietário.
Após a abordagem, Cláudio aparece sentado na escada da portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira. Ele estava aparentemente sozinho quando dois entregadores chegaram de bicicleta.
Na sequência, um terceiro homem aparece carregando um pedaço de madeira.
Câmeras registram seis minutos de agressões
As imagens mostram os três homens agredindo Cláudio durante cerca de seis minutos. Ele é atingido diversas vezes com golpes de madeira e chutes.
Mesmo depois de cair no chão e aparentar dificuldade para se levantar, Cláudio continua sendo agredido.
Ao final, o homem que carregava o pedaço de madeira pega o celular da vítima e faz fotos dela. Depois, o trio deixa o local e Cláudio permanece caído na rua.
Ele foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu. Segundo informações repassadas à família, Cláudio morreu após sofrer traumatismo craniano e hemorragia interna.
Segurança é preso após imagens mostrarem agressões
Davi Santos Machado foi preso nesta quinta-feira (20). Segundo o UOL, ele se entregou na 53ª DP, em Mesquita, após a Justiça expedir um mandado de prisão contra ele.
Davi é apontado como um dos seguranças envolvidos no caso. As imagens analisadas pela polícia mostram que ele teria participado diretamente das agressões e dado pelo menos 30 golpes na vítima.
Antes da prisão, Davi havia admitido ter abordado Cláudio, mas negava ter participado do espancamento. Em depoimento, afirmou que teria dado apenas um soco no braço do homem e que dois entregadores haviam levado Cláudio para outro local.
A versão passou a ser confrontada pelas imagens de segurança.
Outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, também se entregou à polícia nesta quinta-feira. Ele é apontado como um dos responsáveis pela abordagem de Cláudio na Rua Barata Ribeiro.
Até o momento, segundo a investigação, não há indícios de que Jorge tenha participado diretamente das agressões.
Polícia procura outros dois envolvidos
A Polícia Civil tenta identificar os dois entregadores que aparecem nas imagens e que são suspeitos de participar do espancamento.
O delegado Ângelo Lages afirmou, segundo informações divulgadas pelo UOL, que os seguranças já foram identificados e que a investigação agora busca identificar os outros dois homens.
As equipes analisam imagens de câmeras de segurança e realizam outras diligências para esclarecer o caso e definir a responsabilidade de cada envolvido.
Família afirma que Cláudio não era ladrão
Os familiares contestam a acusação de que Cláudio teria furtado a bicicleta. Segundo eles, o veículo pertencia a uma das irmãs da vítima.
A mãe e as irmãs de Cláudio já prestaram depoimento à Polícia Civil. A família também afirma que ele tinha dificuldades psicológicas e fazia acompanhamento profissional.
“Ele não é um bandido, não tem antecedentes criminais”, disse a mãe da vítima, Ana Luísa Motta, segundo o UOL.
Cláudio era conhecido como “Bart” em Botafogo. Ele também havia trabalhado como assistente administrativo em meio período na Dataprev, empresa vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
A investigação continua para identificar todos os envolvidos e esclarecer as circunstâncias da morte.
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