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ENTENDA

Por que o Mounjaro não funciona para todos?

Diversas condições podem interferir de forma significativa na resposta ao emagrecimento

• Atualizado

Redação

Por Redação

Por que o Mounjaro não funciona para todos? | Foto: Shutterstock
Por que o Mounjaro não funciona para todos? | Foto: Shutterstock

Quando falamos em emagrecimento, é comum buscar uma solução única. Mas a verdade é que o excesso de peso não tem uma causa só, e, por isso, o tratamento também não pode ser igual para todos.

A forma como cada pessoa se relaciona com a comida, os chamados padrões alimentares, é uma peça central nesse processo. Há quem belisque ao longo do dia, quem concentre grandes volumes em poucas refeições, quem tenha uma busca constante por doce, quem coma por recompensa emocional ou quem enfrente uma fome mais intensa no período noturno.

Hoje, já dispomos de estratégias terapêuticas capazes de atuar de forma direcionada em cada um desses perfis, conceito amplamente explorado em estudos sobre fenótipos comportamentais da obesidade (Acosta et al.).

O Mounjaro se destaca justamente por abranger múltiplos mecanismos: promove saciedade, reduz o apetite, melhora o controle glicêmico e, em muitos casos, modula o comportamento alimentar. Ainda assim, não é uma resposta universal.

Existe um grupo de pacientes, os chamados não respondedores, que apresentam uma perda inferior a 5% do peso após 8 a 12 semanas de uso. Nesses casos, insistir na mesma estratégia não é sinônimo de persistência, mas de desalinhamento terapêutico (Jastreboff et al., estudos SURMOUNT).

É necessário recalibrar. E, antes de atribuir ao medicamento a ausência de resultado, é indispensável ampliar o olhar.

Diversas condições podem interferir de forma significativa na resposta ao emagrecimento, como:

  • Resistência à insulina
  • Síndrome dos Ovários Policísticos
  • Disfunções tireoidianas
  • Hiperandrogenismo em mulheres
  • Uso de medicações que favorecem ganho de peso
  • Diabetes Mellitus tipo 2 – associado, inclusive, a menor perda ponderal mesmo com o uso da medicação
  • Distúrbios do sono, como apneia
  • Disfunções do eixo do estresse (cortisol)
  • Menopausa
  • Alterações da microbiota intestinal
  • E causas mais raras, como a Obesidade monogênica

Além disso, e esse é um ponto frequentemente negligenciado, é fundamental avaliar a presença de transtornos e distúrbios alimentares, como o Transtorno de Compulsão Alimentar, a bulimia, episódios de perda de controle alimentar e até comportamentos compensatórios após excessos, como restrições importantes, culpa alimentar ou padrões de “tudo ou nada”.

E há ainda um ponto essencial que muitas vezes é subestimado: a mudança de estilo de vida. Ela faz parte de qualquer processo de emagrecimento, independentemente do uso de medicamentos.

Sabemos que intervenções em alimentação, sono e atividade física podem gerar uma perda média de 6% a 8% do peso corporal. No entanto, em pacientes com obesidade, essa redução isolada, na maioria das vezes, não é suficiente.

Os maiores benefícios clínicos, inclusive com impacto em desfechos mais relevantes, como redução de mortalidade, estão associados a perdas mais expressivas, em torno de 15% a 20% do peso corporal (Guidelines internacionais; American Association of Clinical Endocrinology).

Sem esse olhar, o tratamento pode até começar, mas dificilmente se sustenta. Em outras palavras: emagrecer não é apenas reduzir calorias ou tomar uma medicação. É interpretar sinais, identificar padrões e respeitar a complexidade do processo.

O Mounjaro representa um avanço importante, com impacto na saúde cardiovascular, no metabolismo glicêmico, no metabolismo do colesterol, na apneia do sono e benefícios no tratamento da gordura no fígado (esteatose hepática), além de impacto em condições como o lipedema (American Diabetes Association).

Mas não deve ser visto como uma solução isolada, nem como ponto de partida automático. A escolha terapêutica exige critério, leitura clínica e estratégia. Por isso, nem sempre o que funciona para muitos, vai funcionar para você.

*Com informações de Bruna Martins Liberali, endocrinologista dos hospitais Israelita Albert Einstein e Ipiranga, via Brazil Health e SBT News.

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